Melhores escolas fazem treinamento intenso para o Saresp

Simulados e prêmios para as melhores turmas são práticas utilizadas para melhorar desempenho dos alunos

Marina Morena Costa, enviada especial | 14/04/2011 11:21

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Turmas pequenas e treinamento intenso para o Saresp. É principalmente com essa dobradinha que as melhores escolas estaduais atingiram altos índices no Idesp, o indicador de qualidade da educação criado pelo governo. Como o Idesp leva em conta a nota dos alunos no Saresp, prova do governo que avalia a aprendizagem, e o fluxo escolar (repetência e evasão), o resultado deve-se em grande parte ao bom desempenho dos estudantes na avaliação.

As escolas com os maiores índices no Idesp, visitadas pela reportagem do iG, recebem anualmente três simulados preparados pela Diretoria de Ensino da região e aplicam outros por conta própria, com base em provas anteriores, pesquisadas na internet e nas apostilas dos alunos – material didático distribuído pela Secretaria de Educação e no qual o Saresp é baseado.

Com os resultados dos alunos, coordenadores e professores montam gráficos de desempenho por disciplina usando os critérios da Secretaria de Educação (insuficiente, suficiente e avançado) e analisam o que precisa ser feito para “tirar” os alunos do “insuficiente”. Este trabalho só pode ser feito com a aplicação de simulados, pois o Saresp de verdade não entrega boletins de desempenho aos alunos, nem às escolas, apenas médias gerais por série avaliada.

Na Pedro Mascari, em Itápolis, são mais de dez simulados ao ano e um por semana no mês que antecede a avaliação do governo. Após a aplicação da prova, os professores fazem a “devolutiva”, uma correção junto com os alunos. Emanoela Roberto, professora de português, conta que é comum caírem na prova questões trabalhadas em sala de aula, já que o Saresp utiliza um banco de questões.

Outra aposta da escola é o Clube da Matemática. Divididos em equipes, os alunos resolvem problemas de Saresps anteriores e outros exercícios propostos pela professora Mirele Ferraz Roncada. “Alguns alunos estão em um nível mais alto e são eles que puxam a turma”, diz Mirele.

Mas não é muito treinamento? A professora Emanoela acredita que não. “Se a escola particular aplica simulados, por que a pública não pode?”, rebate. Já os alunos afirmam que a maratona é puxada. “Foi meio cansativo. No mês do Saresp só se falava nisso”, conta Jair Botelho da Silva Filho, de 16 anos, aluno da turma que garantiu à escola o 3º lugar no Idesp do 9º ano do ensino fundamental (6,48).

Premiação

Na Comendador Francisco Bernardes Ferreira, em Olímpia, o simulado foi apelidado de “Saresp Comendador” e é aplicado bimestralmente para todas as turmas da escola, do 5º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio. Já o Saresp de verdade é aplicado anualmente somente para o 5º, 7º e 9º anos do ensino fundamental e para o 3º do ensino médio.

A coordenação tabula os resultados, expõe aos alunos e soma a nota do simulado com outros itens avaliados pelos professores, como disciplina, organização da sala, participação, conservação do patrimônio, civismo e assiduidade. Todas as notas formam um índice da turma e a que atingir a maior pontuação ganha um prêmio, que pode ser uma tarde no boliche, no centro da cidade (distante a 12 quilômetros do distrito onde fica a escola), visitas a museus de cidades próximas, sorteios de bicicletas e doces. “Eles ficam tristes quando não são contemplados, mas entendem o porquê”, afirma a diretora Maria Tereza Sachetim Barboza.

Leitura

Para melhorar interpretação de texto e a capacidade crítica, habilidades cobradas no Saresp e também no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as escolas aplicam programas voltados para a leitura criados por elas mesmas ou pela Secretaria de Educação. Na João Caetano da Rocha, em Itápolis, os alunos levam pra casa em sistema de rodízio a “Maleta da leitura”, uma caixa recheada de contos, poesias, revistas semanais e pequenos livros.

Como não há bancas de jornal, livraria, nem bibliotecas no distrito – localizado a 11 quilômetros do centro da cidade –, o projeto é uma forma de estimular a leitura dentro de casa. “A escola é o único referencial de cultura que a população local tem. A nossa biblioteca, apesar de pequena, é bastante frequentada pelos alunos”, diz a vice-diretora, Isabel Cristina Sioff.

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