Mais de mil municípios estão sem biblioteca pública

Levantamento feito pelo Ministério da Cultura mostra que poucas funcionam aos finais de semana; só 29% oferecem internet gratuita

Priscilla Borges, iG Brasília |

O acesso gratuito a livros e espaço para estudo oferecidos pelas bibliotecas públicas municipais não é realidade em todos os municípios brasileiros. Levantamento divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Cultura mostra que 1.152 dos 5.565 municípios não oferecem esse tipo de espaço à população local. O estudo foi realizado pela Fundação Getúlio Vargas para nortear políticas públicas.

A FGV levantou que 13% dos municípios (732) estão em processo de reabertura das bibliotecas ou vão implantar o espaço pela primeira vez nas comunidades. Até 2009, quando a pesquisa foi realizada, a população dessas cidades não contava com o serviço. Nos outros 420 municípios, as bibliotecas estavam fechadas, haviam sido extintas ou nunca existiram. A média brasileira é de 2,67 bibliotecas por 100 mil habitantes. 

“Nossa meta é ter, pelo menos, uma biblioteca pública em cada município. O desafio é grande, mas estamos aperfeiçoando as políticas para isso”, afirma a secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, Silvana Meireles. Ela explica que o levantamento do MinC considerou apenas as bibliotecas municipais porque são elas as que mais atingem o País.

Fabiano Piúba, diretor de Livro, Leitura e Literatura do MinC, afirma que as bibliotecas públicas estaduais estão concentradas nas capitais. Por isso, as municipais precisam ser incentivadas. Segundo ele, isso passa por uma conscientização da sociedade e dos gestores municipais sobre a importância desses espaços públicos.

Perfil
O levantamento feito pela FGV foi feito somente com os gestores das bibliotecas espalhadas pelo País. Por isso, não há resultados sobre a satisfação dos usuários em relação ao serviço oferecido. Os dados mostraram que os usuários emprestam cerca de 296 livros por mês e utilizam a biblioteca duas vezes por semana. A maioria busca material para realizar pesquisas escolares (65%).

Os horários de funcionamento das bibliotecas ainda são limitados. Somente 12% das 4.763 bibliotecas funcionam aos sábados e apenas 1% aos domingos. Apenas 24% dos estabelecimentos abrem suas portas à noite. A realidade só diferente na região Nordeste, onde 46% das bibliotecas funcionam depois das 18h.

Outra grande dificuldade enfrentada pelas bibliotecas é o acesso à internet. Menos da metade (45%) possui o serviço. Entre as regiões brasileiras, a desproporção é grande. No Sudeste, a internet é realidade em 65% dos estabelecimentos e, no Nordeste, menos de 20%. Além disso, o serviço não é oferecido para a maioria dos usuários. Somente em 29% das bibliotecas os usuários têm computadores com acesso à rede liberados para os freqüentadores do local.

Acervo doado
O estudo revelou que as bibliotecas públicas municipais têm, em seu acervo, entre 2 mil e 5 mil livros. A grande maioria (83%) foi doada aos espaços. No Sudeste se concentra a maior quantidade de bibliotecas com mais de 10 mil volumes (36%). É também na região que as bibliotecas locais mais realizam compra de obras: 28% dos livros oferecidos aos usuários são comprados pelo governo a pedido delas.

Para Fabiano, a situação das bibliotecas no Brasil é crítica. “Infelizmente, muitos gestores públicos imaginam as bibliotecas apenas como depósito de livros. Há várias situações críticas que precisamos resolver: aumentar o acervo das bibliotecas, estimular a frequência de usuários, melhorar a capacitação dos dirigentes desses locais, oferecer programações de cultura, ampliar o acesso à internet e garantir a acessbilidade dos usuários com deficiência. Isso é gravíssimo”, afirma.

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