Intensivos de idiomas para Ciência sem Fronteiras estão atrasados

Cursinhos para candidatos ao programa de intercâmbio deveriam começar em janeiro, mas por enquanto há apenas iniciativas isoladas

Priscilla Borges, iG Brasília |

A oferta de cursinhos preparatórios de línguas estrangeiras para futuros candidatos às bolsas do programa Ciência sem Fronteiras é meta da presidenta Dilma Rousseff. Em dezembro, universidades públicas e governo federal discutiram a possibilidade de abrir turmas de idiomas gratuitas em todo o País, já a partir de janeiro. Mas, até agora, a proposta não saiu do papel.

Algumas instituições já realizaram experiências isoladas, mas ainda sem um projeto articulado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), responsáveis pelo programa de intercâmbio do governo. Este ano, 12,5 mil bolsas de intercâmbio serão oferecidas .

De acordo com Márcio Castro, diretor de Relações Internacionais da Capes, o órgão concentrou ações para promover a oferta de preparatórios para os bolsistas já selecionados. “O que não é trivial. Desde aquele momento, algumas universidades se adiantaram e passaram a constituir núcleos de línguas ou acertaram a oferta de cursos. O Ciência sem Fronteiras expõe o problema que temos no País: a população é monoglota”, afirma.

A dificuldade percebida com os primeiros bolsistas enviados ao exterior pelo programa fez com que a presidenta Dilma lançasse a proposta . Ela avisou que não gostaria de perder “nenhum bom estudante” por causa da língua. O objetivo é não privilegiar apenas os estudantes “de classe mais abastada”, como Dilma ressaltou, que tiveram acesso a cursinhos ao longo da vida.

Definições atrasadas

Em dezembro, a Capes havia anunciado que fecharia acordos com as universidades e o CNPq para definir o tipo de ajuda – bolsas para professores e materiais didáticos – que seria dada pelo governo. Os modelos pedagógicos dos cursos, que deveriam ser intensivos, seriam definidos por cada instituição. As conversas sobre as propostas ainda não foram formalizadas.

As universidades que participaram da primeira reunião com a Capes aguardam coordenadas para oferecer as aulas específicas para quem deseja estudar fora do País. O secretário de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Márcio Venício Barbosa, ressalta que essas aulas teriam de ser assumidas por novos professores. Por isso, o apoio financeiro da Capes será fundamental.

Divulgação
Dilma anuncia regras para bolsas de estudo do Ciência sem Fronteiras: boas notas no Enem serão privilegiadas
“A carga horária que um trabalho como esse exige não pode ser assumida nem por estagiários, que têm de se dedicar aos seus respectivos cursos, nem pelos professores, que já desempenham inúmeras outras atividades. Precisaríamos de novos professores, dedicados exclusivamente a uma formação específica para o programa”, garante. A UFRN já tem um centro de idiomas que oferece cerca de 1,5 mil vagas à comunidade acadêmica.

Algumas outras universidades, como a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que participaram da primeira reunião com a Capes, tem centro de idiomas, mas ainda esperam definições para oferecer cursos específicos para o programa.

Experiências isoladas

O Núcleo de Línguas e Culturas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ofereceu, entre janeiro e fevereiro, um curso de inglês de verão para alunos de qualquer instituição do Estado interessados em se candidatar ao Ciência sem Fronteiras. Com apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), foram oferecidas 60 bolsas.

No Instituto Federal do Maranhão (IFMA), os estudantes que se candidataram a bolsas do Ciência sem Fronteiras ganharam cursinhos intensivos preparatórios para os testes de proficiências TOEFL, IELTS e DELFI (de inglês e francês). Já foram formadas duas turmas e o instituto se prepara para oferecer novas vagas.

Segundo Evandro de Carvalho Gomes, chefe do Departamento de Eletroeletrônica do IFMA, os custos estão sendo arcados pela Pró-reitoria de Extensão do instituto. No entanto, eles já planejam apresentar um projeto da Casa de Línguas da instituição à Capes em abril.

Ajuda externa

A Capes também está negociando a oferta de cursinhos de inglês presenciais e a distância em parceria com o British Council. “Nossa ideia é oferecer mais ferramentas, que garantam mais penetração entre os estudantes”, afirma o diretor da Capes.

Além disso, a Embaixada dos Estados Unidos vai financiar bolsas de estudos em intensivos de inglês e cultura norte-americana para os estudantes interessados no programa. Com o nome de English3, o curso será dividido em três módulos: preparatório de 60 horas-aula para o TOEFL, 60 horas-aula de técnicas de redação e apresentação em inglês e mais 30 horas-aula sobre a vida acadêmica e cultural do país.

As bolsas serão oferecidas a, no mínimo, 125 estudantes de baixa renda com bom rendimento acadêmico que morem nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Guarapuava, Londrina, Manaus, Marília, Recife, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Salvador, São José dos Campos, São Paulo e Sorocaba. Informações no site www.english3.com.br .

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG