Procurador do Ceará quer agora matricular "prejudicados" no Enem

Um dia após perder ação, Ministério Público do Ceará faz nova investida contra o processo seletivo

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

O Ministério Público Federal no Ceará (MPF-CE) segue questionando o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011. Após sofrer seguidas derrotas na Justiça Federal ao questionar o Enem, desta vez o procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho alega que a metodologia empregada na correção da redação do Enem prejudicou candidatos e quer garantir que eles sejam matriculados nas universidades.

AE
Oscar Filho é especialista em processar vestibulares e Enem
O procurador da República teve negado pela Justiça Federal um pedido para que a nota de redação dos participantes do Enem 2011 seja desconsiderada no Sisu , por acreditar que as pontuações da redação e das provas objetivas têm metodologias de cálculo diferentes, e não poderiam ser combinadas em uma mesma seleção.

Oscar Filho é conhecido no Ceará por seu longo histórico de ações contra vestibulares - agora no Brasil, na empreitada contra o Enem. Desde 2010, quando tentou pela primeira vez anular o Enem, o procurador passou também a ganhar notoriedade nacionalmente. Contudo, essa fixação até agora lhe rendeu apenas coleção de desafetos e derrotas na Justiça Federal. Ele não conseguiu anular o exame, não obteve as informações sobre os critérios de correção das provas e nem invalidar o Sisu.

Agora, ele acrescentou à sua ação um estudo feito pelo professor Leonardo Cordeiro, mestre em Matemática pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, e mestre em Econometria pela London Business School. No trabalho de 15 páginas, o professor Leonardo Cordeiro concluiu que é questionável a mistura das duas notas de forma livre e sem qualquer calibração.

As inscrições para o Sisu começam no próximo sábado (7) . O procurador quer garantir na Justiça que todos os candidatos que se sintam prejudicados possam ser matriculados enquanto a Justiça não ter sua decisão final.

De acordo com o edital, o cálculo das notas do Enem utiliza a Teoria da Resposta ao Item (TRI). As pontuações das provas objetivas são calculadas por desvio padrão. Isso significa que, nas áreas mais difíceis, onde se erra mais questões, cada item correto tem peso maior. Nas áreas mais fáceis, onde se erra menos, o peso é menor. A nota da redação, contudo, não envolve aspectos estatísticos, tendo valor absoluto, conforme argumenta o procurador.

Oscar Filho também se vale de casos como o de um jovem de 17 anos que teve a nota da redação do Enem alterada de zero para 880 após um pedido judicial, como o iG mostrou. Bolsista no colégio particular Lourenço Castanho, em São Paulo, ele recebeu o boletim do Enem com a redação anulada, mas 48 horas após a Justiça solicitar que o texto corrigido fosse mostrado, a pontuação foi revista no sistema do Ministério da Educação (MEC).

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