MEC revê nota de redação anulada no Enem de zero para 880

Após Justiça solicitar vistas à redação anulada, Ministério da Educação reviu nota sem mostrar texto

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Um jovem de 17 anos teve a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) alterada de zero para 880 após um pedido judicial. Bolsista no colégio particular Lourenço Castanho, em São Paulo, ele recebeu o boletim do Enem com a redação anulada, mas 48 horas após a Justiça solicitar que o texto corrigido fosse mostrado, a pontuação foi revista no sistema do Ministério da Educação (MEC).

Eu, que sou de família humilde, já ia falando para ele esperar o próximo ano. A sorte é que o colégio tinha um advogado”, Cleonice Oliveira, mãe do estudante

Antes de procurar a Justiça, o estudante ligou e escreveu para o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela prova, e reclamou. A resposta por telefone e por email foi que três corretores haviam lido a redação e a anulação estava correta. “Ele me ligou desesperado. Eu, que sou de família humilde, já ia falando para ele esperar o próximo ano. A sorte é que o colégio tinha um advogado”, diz a mãe, a cozinheira Cleonice Cerqueira Silva Oliveira.

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Notas 1.000: Colégio pivô de escândalo do Enem 2011, teve oito notas 1.000 na redação

Assim que o jovem falou com os professores não houve dúvida de que a nota zero estava errada. “É um ótimo aluno e deu o seu melhor”, diz a sócia-fundadora do colégio, Sylvia Figueiredo Gouvêa. O adolescente, que quer estudar Economia, ganhou uma bolsa ao se destacar enquanto era aluno da escola estadual Miguel Munhoz, no Jardim Campo de Fora, extrema zona sul de São Paulo.

O advogado entrou com um pedido de habeas data , para ter direito a ver a documentação que resultou na anulação da redação. A Justiça concedeu e deu ao MEC prazo de cinco dias para exibir a redação original. No entanto, dois dias depois o Inep entrou em contato afirmando que foi feita uma revisão e encontrada a prova corrigida com a nota 880, numa escala de 0 a 1000. No mesmo dia a pontuação apareceu no sistema. No entanto, até o momento a correção não foi mostrada.

"Vamos insistir para ter direito de ver a prova", diz a sócia do Colégio Lourenço Castanho. "Em um processo com milhões de envolvidos como este, pode haver muitos outros casos e é preciso mostrar que a justiça será solicitada."

A assessoria do Ministério da Educação diz que ainda não teve acesso ao processo. Ao todo, há 16 ações contra a nota da redação do Enem deste ano e 28 contra a de 2010. Nenhuma teria sido vitoriosa. O estudante com a nota alterada preferiu não falar sobre o assunto esta semana, enquanto se prepara para a segunda fase do vestibular da Universidade de São Paulo (USP), que não adota o Enem.

A nota da redação vai de zero a mil. Há muitas reclamações por conta da falta de transparência nos critérios adotados para a nota. A única informação é que dois corretores independentes dão uma nota e, se a diferença entre as pontuações for maior do que 300 pontos, um terceiro corrige o texto. Neste caso, a nota final fica sendo a dada pela terceira pessoa.

As inscrições para o Sistema de Seleção Unificado (Sisu) que considera as notas do Enem para vagas em instituições públicas serão abertas no sábado, dia 7. São 108 mil vagas.

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