Decoração de armário escolar nos EUA ganha até lustre

Estudantes das séries finais do ensino fundamental fazem do equipamento uma espécie de quarto dentro da escola

The New York Times |

Abra a porta e verá uma imagem que capta perfeitamente a estética pré-adolescente. O lustre de bolinhas. O papel de parede de zebra. O tapete verde limão que completa o look – sem nenhuma combinação em demasiado, como uma menina poderia fazer.

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Estudantes de escolas norte-americanas decoram os armários cada vez mais
Mas você não pode entrar porque a porta não conduz a um quarto. Estamos falando de um armário. Mais especificamente, o armário de Nola Storey no vestiário da escola ginasial Rye, localizada em um subúrbio de Nova York. "Muitas pessoas param e comentam sobre o meu armário: 'Uau, seu armário é tão legal'", disse Nola, 11.

Sua mãe, Kelly Jines-Storey, disse que o mobiliário diminuto inicialmente pareceu "uma loucura". Mas ela acrescentou: "Meu segundo pensamento foi: 'Eu gostaria de ter pensado nisso'."

Em escolas do ciclo final do ensino fundamental nos Estados Unidos os armários de metal que há muito tempo eram considerados decorados se tivessem fotos de amigos ou do galã teen do momento – Shaun Cassidy anos atrás, Justin Bieber hoje – de repente se tornaram a última fronteira para a decoração. Olhe lá dentro e você verá armários equipados com mini tapetes peludos, lâmpadas com sensor de movimento que brilham quando a porta se abre, espelhos, flores decorativas e papel de parede magnético floral e com estampa de leopardo.

É difícil dizer se os varejistas apenas aproveitaram a moda ou levaram as meninas a querer os acessórios. De qualquer maneira, eles estão sendo adotados de Little Rock, Arkansas, onde um proprietário de uma boutique para crianças, a Toggery, disse que a demanda por lustres para armários levou a "uma disputa" pelos corredores normalmente gentis da loja, ao Upper East Side de Manhattan, onde clientes na loja Lester que não conseguiram atacar com rapidez suficiente se viram com restos antes mesmo de o ano letivo começar.

"Eu me sinto tão mal", disse Jenna Berman, uma compradora de acessórios da Lester em Manhattan e no condado de Westchester e Long Island, que são destinos para os jovens que lançam moda. "As carinhas dessas meninas, elas parecem tão tristes."

Se esta fase da escola tem um emblema nos Estados Unidos é o armário, o primeiro gosto da privacidade na escola em um momento na vida em que isso significa muito. Ao mesmo tempo, os armários são públicos, visíveis para qualquer pessoa que passa pelo corredor e, portanto, uma plataforma ideal para transmitir a imagem de alguém. Afinal, seu quarto pode ser digno do catálogo PBteen, mas se as garotas populares nunca o veem, elas nunca saberão.

Nem todos, claro, gostam da ideia de um lustre de US$ 25 no teto de um armário, particularmente quando muitas escolas têm exigido aos alunos que usem uniformes em um esforço para desfocar as divisões entre ricos e pobres.

"Que valor é adicionado à cultura escolar se algumas crianças são tão privilegiadas que têm esse tipo de coisas e outras crianças ao seu lado se sentem menos iguais?", perguntou Deborah Kasak, diretora-executiva do Fórum Nacional para a Aceleração da Reforma do Ensino Médio, uma aliança de educadores e outros que procuram melhorar as escolas americanas.

Apesar das causas de preocupação, a crescente popularidade de equipar o armário tem alimentado uma mini-indústria.

Sterling Christi, 50, e JoAnn Brewer, 49, amigas e vizinhas em Plano, Texas, tiveram a ideia de sua empresa, a LockerLookz, depois de verem os armários de suas filhas decorados com caixas de papel e tecido.

"Recebemos ligações das mães", disse Sterling. "'Onde vocês encontraram este material? Que coisas mais fofas! Onde vocês compraram isso?' E nós dissemos: 'Nós fizemos isso’”.

No ano passado, os produtos da LockerLookz foram vendidos em 80 lojas, principalmente no Texas. Este ano, eles chegaram a 1200 lojas em todo o país, incluindo a Lester.

Paul Buckel, o presidente da Magna Card, outra empresa do ramo, disse que espera que as vendas dobrem neste ano em relação ao ano passado. "Os pais não parecem poupar com os adolescentes ", disse ele.

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