Conheça Harvard, a melhor universidade do mundo

Pelo seu campus, o mais antigo dos EUA, passaram 43 ganhadores do Prêmio Nobel e oito presidentes americanos, entre eles Obama

Silvana Mautone, especial para o iG, de Cambridge | 15/07/2010 11:12

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A elite da ciência e das artes está reunida em Harvard. A mais antiga universidade dos Estados Unidos é considerada também a melhor – do mundo. Desde que o jornal britânico "The Times" passou a avaliar os mais importantes centros de conhecimento, em 2004, Harvard sempre apareceu no topo do ranking internacional. Entre seus professores, de hoje e de ontem, estão nada menos do que 43 prêmios Nobel.

Passaram pela universidade, fundada em 1636, oito presidentes americanos, entre eles Barack Obama, que se formou na conceituada escola de Direito; George W. Bush, que frequentou a Escola de Negócios; e John Kenneddy, que se graduou em Assuntos Internacionais. Sete dos nove juízes que atualmente compõem a Suprema Corte Americana também saíram de lá.

Grande parte desse sucesso se deve ao seu criterioso sistema de seleção. Harvard quer os melhores alunos – não importa se sua situação financeira lhes permite ou não pagar os quase US$ 60 mil necessários por ano para estudar ali. Por isso, o processo é chamado de “admissão cega”. A universidade dará um jeito de bancar o estudante, caso ele não tenha dinheiro.

O valor da ajuda depende da renda familiar. Se for inferior a US$ 60 mil, o aluno não desembolsará um tostão. E isso é válido, igualmente, para americanos e estrangeiros. “Harvard não tem nenhum tipo de cota. Todos concorrem em condições iguais. A única exigência para os estrangeiros é que sejam fluentes em inglês”, diz Jim Pautz, profissional responsável pela primeira análise das inscrições dos brasileiros no processo de seleção.

Atualmente, 70% dos estudantes recebem algum tipo de ajuda financeira. Harvard pode se dar a esse “luxo” porque, além de melhor, é também uma das mais ricas universidades do mundo. Tem em caixa cerca de US$ 25 bilhões, grande parte desse dinheiro doações de ex-alunos que fizeram fortuna, entre eles Bill Gates, que abandonou a faculdade no primeiro ano para fundar a Microsoft, e o brasileiro Jorge Paulo Lemann, que se graduou em Economia nos anos 60 e hoje é um dos principais acionistas da AmBev.

O empresário mantém inclusive um programa voltado para subsidiar estudantes brasileiros em Harvard, o Lemann Fellow, mas ele é 100% administrado pela universidade – ou seja, caso alunos brasileiros selecionados pelo processo regular precisem de ajuda financeira, o Lemann Fellow entra em ação, mas não execerce nenhuma interferência no processo de seleção.

Esse foi o caso do jovem Pedro Henrique de Cristo, de 26 anos, que está no meio do seu mestrado em Políticas Públicas em Harvard. O curso, que custa US$ 38 mil por ano, é integralmente pago pelo Lemann Fellow. “Minha família não teria como arcar com esse gasto”, diz Cristo, que se formou em administração pela Universidade Federal da Paraíba. Antes de iniciar o curso em Harvard, ele se dedicou a projetos de gestão pública na prefeitura de João Pessoa. Seu trabalho, que conseguiu reduzir em quase 50% o consumo de água em locais como praças e mercados públicos, chegou a ser premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Foto: Getty Images

Campus da Universidade de Harvard em Cambridge

Alunos e mestres

O ambiente de diversidade que predomina fora e dentro da sala de aula e o talento de cada um dos alunos são os principais pontos fortes da universidade, na opinião de Cristo. “Todo mundo é bom em alguma coisa”, diz. “É incrível como um colega estimula o outro a melhorar.”

O questionamento durante as aulas é outra constante. “Qualquer afirmação dos professores é respeitosamente contestada. Aprende-se tanto com os professores quanto com os colegas”, afirma o estudante paraibano.

A opinião é compartilhada pelo paulista Gustavo Bassetti, de 27 anos, que cursa MBA na Harvard Business School (HBS). Ele foi aprovado em três universidades top dos Estados Unidos: além de Harvard, passou em Wharton e em Stanford. Mas o sistema de ensino de Harvard foi decisivo na escolha final.
A famosa metodologia de estudos de casos criada pla HBS, por exemplo, é hoje copiada por inúmeras escolas de negócios mundo afora.

O método não inclui aulas teóricas, somente a análise de histórias reais do dia-a-dia das empresas. Nos dois anos do MBA, os alunos estudam até 800 casos. “As aulas estimulam o debate, nos ajudam a organizar as idéias, a desenvolver a capacidade de comunicação e a tomar decisões”, diz Bassetti.

O modelo deu tão certo que atualmente os casos elaborados pelos professores da HBS são comprados por outras universidades para serem utilizados em sala de aula. A HBS pesquisa e redige mais de 600 novos estudos de caso por ano. Só em 2009, vendeu mais de 8 milhões de casos para escolas, empresas e instituições. É na HBS que está o maior número de brasileiros que atualmente estudam em Harvard. Dos 76 brasileiros inscritos no ano letivo 2009-2010, 21 deles estavam na Escola de Negócios.

Dos dois lados do rio Charles

O principal campus de Harvard fica em Cambridge, cidade de pouco mais de 100 mil habitantes ao norte de Boston, no estado de Massachussetts. A área não é grande, mas seus prédios se impõem numa miscelândia de arquitetura onde predominam os de estilo colonial, de tijolinhos vermelhos. É nesse campus, cercado de muito verde, onde fica também a maior parte dos dormitórios estudantis – ao todo, são 29 destinados aos alunos de graduação, que devem obrigatoriamente morar no campus durante pelo menos o primeiro ano de faculdade; 97% decidem ficar o curso todo.

Do outro lado do rio Charles, já na cidade de Boston, mas a apenas dez minutos de caminhada do campus principal, está o imponente campus da HBS. A Escola de Governo, um prédio mais moderno, fica no meio do caminho. Já a Escola de Medicina está mais distante, mais ao sul de Boston.

O clima estudantil predomina nas duas cidades. A região é um dos principais polos educacionais dos Estados Unidos. Além de Harvard, abriga o renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT), o Boston Collegge e outras inúmeras universidades, especialmente nas áreas de tecnologia e de artes. Em qualquer lugar para onde se olhe é fácil ver um estudante andando de bicicleta, praticando corrida ou lendo em um café.

Futuro garantido

“O ganho pessoal de viver num ambiente extremamente estimulante intelectualmente e de conviver com pessoas vindas de todos os cantos do mundo é incalculável”, diz o médico Fábio Katayama, de 29 anos, que acabou de concluir seu MBA na Harvard Business School. “O valor dessa experiência vai muito além do conhecimento que você adquire para a sua carreira. O crescimento é profissional e pessoal”, diz.

Desde que se formou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Katayama sempre trabalhou na área de gestão hospitalar. Para arcar com os dois anos do MBA em Harvard, que exigem cerca de US$ 160 mil, não bastou a bolsa que ganhou da Fundação Estudar. Ele usou recursos próprios e ainda solicitou um empréstimo junto a um banco americano para ser pago em 15 anos. “Os juros, fixados em torno de 6% ao ano no início, saltaram para cerca de 10% no ano passado, devido à crise financeira”, diz.

Mas Katayama não lamenta. No começo deste ano, faltando ainda um semestre para concluir o curso, ele já tinha mais de uma proposta de emprego para quando voltasse ao Brasil. Aceitou o convite da Booz & Company, uma das principais consultorias mundiais, para trabalhar na área de estratégia. E não só no setor de saúde. “No futuro, quero voltar a atuar com gestão hospitalar, mas agora quero me aprofundar nas melhores práticas dos mais diversos segmentos”, diz.

Ao que tudo indica, Katayama tem em suas mãos seu destino profissional. “O mercado reconhece que quem consegue um diploma de Harvard tem um potencial diferenciado para gerar resultados”, afirma Paula Oliveira, sócia-diretora da Cia. de Talentos, empresa especializada no recrutamento de jovens recém-formados para grandes empresas. “São pessoas com uma lógica de raciocínio acima da média, que têm uma sólida visão panorâmica do que ocorre no mundo e muita capacidade de análise”, diz. “São profissionais caros, lapidados para posições estratégicas.” Pode-se dizer que Harvard cria joias do conhecimento.

<span>Um dos 29 prédios que servem como residência para os estudantes de graduação em Harvard</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Estátua do pastor John Harvard, que doou metade de seus bens e sua biblioteca composta de 400 livros para a universidade então recém criada em Cambridge</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Estudantes reunidos em uma das praças de Harvard Yard, no campus principal da universidade, em Cambridge</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>A biblioteca Harry Elkins Widener, em Harvard Yard, integra o conjunto de 73 prédios que reúnem o acervo da universidade, composto por mais de 16 milhões de volumes</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>O verde está presente no campus da universidade de Harvard, cujos prédios misturam vários tipos de arquitetura</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Sede da Harvard Law Review, uma das revistas jurídicas mais conceituadas do mundo, Barack Obama, foi o primeiro negro a presidir a publicação, em 1990</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>A John F. Kennedy School, a Escola de Governo de Harvard, fica perto do campus principal da universidade, em Cambridge, no meio do caminho para a Harvard Business School</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Jovens praticam caiaque no rio Charles, que divide Cambridge e Boston. Ao fundo, o campus da Harvard Business School</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>As salas de aula da HBS foram planejadas de forma que o professor possa ver todos os alunos, assim como uns aos outros, para facilitar o debate</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Campus da Harvard Business School. A maioria dos brasileiros que estuda em Harvard frequenta a Escola de negócios -- no ano letivo 2009-2010, eram 21</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Um dos prédios que abrigam as salas de aula da Harvard Business School</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Um dos prédios que servem como alojamento para os alunos do MBA da Harvard Business School</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Prédio da Escola de Medicina de Harvard, que fica ao sul da cidade de Boston</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Rua de Cambridge, onde fica o principal campus da Universidade de Harvard. A cidade tem cerca de 100 mil habitantes</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Área residencial da cidade de Cambridge, onde fica a Universidade de Harvard</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Casas em Cambridge, com arquitetura típica da região chamada Nova Inglaterra, onde fica a cidade que abriga a Universidade de Harvard</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Quarto dos estudantes de graduação, que devem morar no campus pelo menos durante o primeiro dos quatro anos do curso</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Suíte de um dos alojamentos para os alunos do MBA da Harvard Business School</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong> <span>Nos quartos dos alunos de MBA da Harvard Business School há uma sempre uma área de estudos</span> - <strong>Foto: Silvana Mautone, especial para o iG, de Nova York</strong>

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