Disciplina que aborda o “golpe de 2016” investigará também “agenda de retrocesso nos direitos” implementada por Michel Temer (MDB)

Michel Temer (MDB) toma posse após Congresso afastar a presidente Dilma Rousseff (PT)
Beto Barata/PR - 31.8.16
Michel Temer (MDB) toma posse após Congresso afastar a presidente Dilma Rousseff (PT)

O curso de Ciências Políticas da Universidade de Brasília ( UNB ) oferecerá, neste primeiro semestre de 2018, uma disciplina com potencial para gerar polêmica. Trata-se da matéria “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”.

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De acordo com o plano de aulas da disciplina, o objetivo é “entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de 2016, com a deposição da presidente Dilma Rousseff ”.

Abordará, também, o governo de Michel Temer (MDB) e “sua agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades”. No último módulo do curso, tratar-se-á das “possibilidades de reforço da resistência popular e de restabelecimento do Estado de direito e da democracia política no Brasil”.

Como se sabe, Dilma (PT), reeleita em 2014, foi deposta pelo Congresso menos de dois anos após as eleições. Grandes manifestações de rua pediam a saída da presidente do cargo, empresários e associações de indústrias torciam por sua queda e parte da mídia foi favorável ao impeachment.

Contudo, partidos de esquerda, movimentos sociais, parte dos eleitores de Dilma, acadêmicos, artistas e setores minoritários da imprensa acusaram o processo de golpe travestido de legitimidade institucional.

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A sociedade brasileira, assim, não atingiu ainda a um consenso sobre os significados da deposição da presidente e da chegada de Michel Temer ao cargo máximo da nação.

Procurando dar inteligibilidade à crise política dos últimos anos, a disciplina percorrerá parte da história brasileira, do golpe de 1964, passando pela Constituição de 1988 e a ascensão do Lulismo ao poder, chegando enfim à eleição de Dilma e sua deposição, que a matéria trata também como um golpe.

Aos que acusarão o curso de tomar partido, o professor Luis Felipe Miguel, responsável pela disciplina, responde que “trata-se de uma disciplina corriqueira, de interpelação da realidade à luz do conhecimento produzido nas ciências sociais”.

“A única coisa que não é corriqueira é a situação atual do Brasil”, completa. A “parcialidade” de que a disciplina possa ser alinhada, explica, pode se dar porque ela “se alinha com valores claros, em favor da liberdade, da democracia e da justiça social”.

A disciplina na UNB sobre o “golpe de 2016” começa em duas semanas, e são previstas 50 vagas na turma.

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