Secretaria Estadual da Educação havia dito que salas de ensino médio com mais de 40 alunos seriam divididas até o Carnaval

Escolas da rede estadual de São Paulo ainda têm salas superlotadas após mais de um mês do início das aulas. O problema foi apontado em reportagem do iG  no dia 10 de fevereiro, quando foram encontradas turmas na zona norte da cidade de São Paulo com até 85 estudantes. À época, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que o problema seria resolvido até o dia 19 de fevereiro.

No entanto, ainda há escolas na zona leste em que turmas de ensino médio têm até 53 alunos e salas de educação de jovens e adultos (EJA) funcionam com 70 matrículas. O módulo determinado pela própria secretaria estadual é de 40 estudantes no ensino médio. 

Na zona leste de São Paulo, o problema continua sem solução na Escola Estadual Professor Francisco de Assis Pires Correa, na Cohab José Bonifácio. Ali, 13 turmas do ensino médio têm matrículas acima do módulo, entre elas três turmas de primeiro ano com 53 alunos, uma com 54 e outra com 55 estudantes. 

"Para piorar, uma sala com 53 alunos tem uma estudante com baixa visão. Como o professor vai dar atenção adequada a ela?", questiona o professor de história Rui Carlos Alencar.

Um mês e meio após o início das aulas, que começaram no dia 2 de fevereiro, a diretoria agora propõe a divisão das salas de aula com o fechamento de laboratórios práticos de biologia, química e artes. Essas salas são as únicas disponíveis. 

"A decisão de dividir as salas desse jeito também vai prejudicar os alunos, que terão aulas piores, sem parte prática", aponta um professor do ensino médio, que pediu para não ser identificado. 

As salas superlotadas dificultam o trabalho dos professores, que levam mais tempo para controlar os estudantes, têm menos espaço para trabalho e mais pessoas para atingir com sua voz. "Isso vai comprometendo a saúde do professor", afirma Alencar. 

Na escola Professora Sumiê Iwata, o problema são as salas de educação de jovens e adultos, que chegam a ter 70 alunos matriculados. "São condições desumanas para professores e alunos. E são estudantes que precisariam de um atendimento especializado", lamenta uma professora da escola. 

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Segundo a Apeoesp (sindicato dos professores), a superlotação é resultado do fechamento de turmas para reduzir o número de professores temporários contratados. Um levantamento parcial feito pela entidade em fevereiro apontou que 2.400 turmas de ensino fundamental, médio e de educação de jovens e adultos foram fechadas neste ano.

Outro lado

De acordo com a Diretoria de Ensino da Zona Leste 3, responsável pelas escolas, o descumprimento do prazo prometido para solução do problema se deu porque as escolas não passaram as informações para a diretoria de ensino.

"Eu dei a orientação na diretoria que todas as escolas que tivessem turmas acima da média do módulo deveriam pedir desmembramento de salas", afirmou a dirigente Maria Helena Tambellini Faustino.

Ainda de acordo com ela, a escola Professor Francisco de Assis Pires Correa protocolou nessa segunda (16) o pedido de desmembramento de uma sala de 1º ano de ensino médio. Maria Helena afirma que nos outros anos não há excesso de alunos, mas ainda não foram tirados os alunos que não compareceram nos primeiros dez dias do ano.

No caso da escola Professora Sumie Iwata, Maria Helena diz que também foi feito pedido de desmembramento de uma turma de 3º turno do EJA nesta semana.

A dirigente afirma ter aberto 40 novas salas desde fevereiro apenas na diretoria de ensino Leste 3.

Segundo a secretaria, cerca de 1.100 turmas foram abertas em todo o Estado desde o início das aulas. No entanto, a secretaria de educação do Estado de São Paulo não informou o número de salas da rede.

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