Alunos da UnB criam kit de mágica para ensinar matemática e concorrem a prêmio

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Grupo de estudantes criou brinquedos feitos com material reciclável para ensinar lógica através de passes de mágica

Thaís Queiroz, João Sigora e Guilherme Ávila estão de malas prontas para Dubai, nos Emirados Árabes. O grupo de estudantes vai representar a Universidade de Brasília, nos dias 13 e 14 de março, na etapa regional do Hult Prize.

“O nosso projeto foi selecionado entre mais de 20 mil inscritos no mundo todo”, comemora Guilherme, formado em Economia e mágico profissional. João é formado em Relações Internacionais pela UnB e Thaís cursa doutorado em Relações Internacionais na universidade.

Guilherme conta que, desde novembro do ano passado, quando o trio decidiu se candidatar ao prêmio, foi pensada uma solução barata e viável para assegurar o desenvolvimento cognitivo das crianças em idade pré-escolar que vivem em favelas.

Os estudantes da UnB Thaís Queiroz, João Sigora e Guilherme Ávila concorrem a prêmio em Dubai
Divulgação/Secom UnB

A proposta do grupo é usar a mágica como ferramenta pedagógica. “Pensamos em brincadeiras pedagógicas associadas à mágica que utilizem pouco ou nenhum material. São brinquedos simples, feitos de materiais recicláveis, a serem vendidos em mercearias por 60 a 80 centavos cada”, explica.

"Em comunidades em que famílias vivem com menos de 2 dólares por dia, a gente vende ideias", diz. "Por meio da brincadeira, é possível ajudar a desenvolver inteligências múltiplas nas crianças, como raciocínio lógico e habilidades linguísticas", completa.

Adinkra

Ainda em desenvolvimento, o produto já tem nome: Adinkra. Remetendo à cultura de matriz africana presente na sociedade brasileira, a palavra possui diversas simbologias e significados, como força e humildade. "O nome foi sugerido por Thaís, que já trabalhou em diversos projetos sociais no Brasil e no exterior", conta Guilherme.

A etapa final do prêmio acontece em Nova Iorque, quando será selecionado o melhor projeto educacional para crianças de 0 a 6 anos. O vencedor receberá US$ 1 milhão para desenvolver o projeto.

Patrocinado pelo ex-presidente americano Bill Clinton, o Hult Prize busca acelerar startups na área social. “A cada ano, um tema diferente é escolhido pelo próprio Clinton”, diz Guilherme.

Veja os principais problemas da educação brasileira

PROBLEMAS NA ESCRITA - No Enem de 2014, 529 mil estudantes brasileiros tiraram zero na redação. O tema era Publicidade Infantil. Foto: Marcos Santos/USP ImagensENSINO DE MÁ QUALIDADE - No Brasil, mais de 90% dos estudantes terminaram o ensino médio em 2013 sem o aprendizado adequado em matemática. Foto: Thinkstock/Getty ImagesREPETÊNCIA E EVASÃO - Com baixa qualidade de ensino, estudantes repetem de ano e abandonam a escola. Metade dos alunos não concluem o ensino médio até os 19 anos. Foto: A2 Fotografia/José Luis da Conceição/DivulgaçãoPROFESSORES TEMPORÁRIOS - 1 em cada 4 professores da rede pública do País é temporário, segundo estudo do Ipea. Assim, os professores não têm direitos trabalhistas completos e tampouco dedicação total ao trabalho. Foto: Divulgação/A2 Fotografia/Eduardo AmorimBAIXOS SALÁRIOS - Em 2015, a Lei do Piso subiu o salário para R$ 1.918 por 40 horas de trabalho por semana. Criada em 2008, a lei não é cumprida por 3 redes estaduais: MG, RS e RO. Foto: Arquivo E.E. José FlorentinoMUITOS ALUNOS POR SALA - Na rede estadual de São Paulo, as aulas começaram em 2015 com turmas superlotadas. Apesar do limite de 40 alunos, salas tinham até 85 matrículas. Foto: Cristiane Capuchinho/iGVIOLÊNCIA - A violência no entorno das escolas também atinge as salas de aula. Escolas públicas por vezes têm de lidar com roubo de materiais e até de merenda. Foto: DIVULGAÇÃO/GOVERNO DO RIO DE JANEIROFALTA DE INFRAESTRUTURA - Mesmo em SP, um dos Estados mais ricos do País, a rede estadual ainda tem escolas feitas de lata. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloFALTA DINHEIRO -  Dados coletados pelo Pisa 2012 mostram que o Brasil investe US$ 26.765 por estudante entre 6 e 15 anos. A média dos demais países da OCDE é de US$ 83.382. Foto: Agência BrasilFALTAM VAGAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - Em 2016, todas as crianças de 4 e 5 anos deverão estar matriculadas na escola. Atualmente, 2 em cada 10 estão fora da escola. Foto: Thinkstock Photos



Leia tudo sobre: unbmatemática

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas