Escolas estaduais de São Paulo começam aulas com até 85 alunos por sala

Por Cristiane Capuchinho - iG São Paulo |

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Para secretaria estadual paulista, rede de ensino está em período de adequação entre matrículas e alunos efetivos

Na volta às aulas da rede estadual de São Paulo, alunos e professores depararam-se com turmas mais cheias que o devido. Na rede, classes que deveriam ter até 40 estudantes têm 50, 55, 60 e até 85 matriculados.

As turmas de ensino médio para jovens e adultos da escola estadual Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo, chegam a ter 85 alunos – o número considerado normal pela secretaria é de 40 por sala. A sala não é a única a ter excesso de estudantes. Durante o período vespertino, as classes de 1° ano regular do ensino médio têm até 60 matriculados, 20 mais do que o devido.

Com excesso de alunos, os professores dizem que não conseguem dar aulas adequadamente em salas em que falta espaço e infraestrutura.

Classe de ensino médio da escola Salim Farah Maluf tem 85 alunos matriculados
Acervo pessoal
Classe de ensino médio da escola Salim Farah Maluf tem 85 alunos matriculados

"Muitas vezes os alunos chegam na primeira aula e têm de ficar buscando as carteiras em outras salas. Não dá. Essa semana era de acolhimento, para conversar com os alunos, conhecê-los. A gente não tem condição com tanto aluno", afirma o professor de história Silvio de Souza.

Ainda na zona leste, a escola Professor Simão Mathias tinha classes de 1° ano do ensino médio regular com 55 matrículas. 

Na zona norte, as listas de chamada da escola Professora Veridiana Camacho apontavam no início da semana classes do noturno com 75 e 95 alunos. Na Gabriela Mistral, as salas de educação de jovens e adultos tinham entre 51 e 58 estudantes.

A superlotação de classes, de acordo com professores e funcionários das escolas, se deve ao fechamento de diversas salas nas escolas. "Por aqui chegaram muitos alunos da Vila Sabrina porque fecharam salas do noturno em escolas de lá", contou uma professora do Tucuruvi que não quis se identificar. 

Segundo levantamento da Apeoesp, sindicato da categoria, ao menos 2.404 classes foram fechadas de 2014 para este ano. 

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Com salas cheias no EJA, escola estadual Veridiana Camacho ainda recebe matrículas de jovens e adultos
Cristiane Capuchinho/iG
Com salas cheias no EJA, escola estadual Veridiana Camacho ainda recebe matrículas de jovens e adultos











Redução de salas

Professor de filosofia e sociologia efetivo da rede, Marcio Barbio diz que com o fechamento de salas nas escolas teve de pegar aulas em mais unidades para completar sua grade. "Pela primeira vez, estou com aulas em três unidades. Antes sempre tinha a grade fechada com 24 turmas em duas escolas. Só que dessa vez, quando vi as listas, percebi que tinha salas com 75 alunos."

De acordo com a Apeoesp (sindicato da categoria), desde o ano passado o governo estadual tem reduzido o número de classes e, assim, reduzido o número de professores necessários. 

"Só que não há condições de aula em uma sala com 60, 70 alunos. Qualidade de ensino tem a ver com a quantidade de alunos por sala de aula e a secretaria não está respeitando o módulo [limite] dado por ela mesma", diz Maria Isabel Noronha, presidente da Apeoesp.

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De acordo com a secretaria estadual de educação, no início do período letivo a rede passa por um período de readequação no número de matrículas feitas e alunos reais. Assim, o número de matrículas na lista de chamada pode não se efetivar com estudantes que frequentam as aulas.

A secretaria diz que isso acontece por conta de transferências de alunos e desistências. Na escola Gabriela Mistral, afirma a secretaria, dos 58 alunos previstos em uma das salas de educação de jovens e adultos apenas 37 foram às aulas na primeira semana.

Com o número efetivo de alunos frequentando as aulas, a secretaria afirma que novas classes podem ser abertas. Como exemplo, a secretaria afirma que duas salas novas já foram criadas na escola Professora Veridiana Camacho para dividir as salas de 75 e de 95 alunos e duas outras salas teriam sido criadas no noturno da escola Salim Farah Maluf. 

"A secretaria aposta na evasão dos alunos, o que é absurdo. Em uma sala superlotada, claro que os alunos não vão ficar, vão desistir", considera Maria Isabel Noronha, presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual).

Salas desmembradas até o dia 19 

Sobre as outras salas com superlotação apontadas pela reportagem, a secretaria afirmou que ainda não houve desmembramento. 

De acordo com a secretaria, novas salas serão abertas em todas as unidades em que ainda houver número de alunos reais maior que o limite previsto pela rede até o fim da segunda semana de aulas – 30 alunos no ensino fundamental 1; 35 alunos no ensino fundamental 2; e 40 alunos no ensino médio. 

Até o dia 19, as novas classes já devem estar abertas e com professores atribuídos para todas as disciplinas. 

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Escola Varginha II, no extremo sul de São Paulo, é mais uma no "padrão Nakamura", com estrutura metálica. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloEscola Varginha I, extremo sul de São Paulo, foi construída no "padrão Nakamura". Foto: Bárbara Libório/iG São Paulo"Padrão Nakamura" tem estrutura metálica que causa desconforto para estudantes. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloEntrada da escola estadual Varginha II, construída no "padrão Nakamura". Foto: Bárbara Libório/iG São PauloTerreno vazio no terreno da escola estadual Varginha II, construída no "padrão Nakamura". Foto: Bárbara Libório/iG São PauloEscola Otoniel Assis de Holanda, zona sul de São Paulo, conserva estrutura metálica. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloEscola Otoniel Assis de Holanda, zona sul de São Paulo, conserva estrutura metálica. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloEscola Otoniel Assis de Holanda, zona sul de São Paulo, tem dois andares e conserva estrutura metálica. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloTerreno vazio ao lado da escola Otoniel Assis de Holanda, zona sul de São Paulo, que conserva estrutura metálica. Foto: Bárbara Libório/iG São Paulo


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