"Produção em inglês nos diferenciou", diz reitor da PUC Chile, que desbancou USP

Por Davi Lira - iG São Paulo |

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Instituição se tornou a melhor da América Latina; reitor da USP argumenta que conquista deve ser ponderada uma vez que universidade chilena tem poucos alunos e cobra mensalidade

Divulgação/RedG9
Sánchez: a PUC Chile estimula aproximação do professor com o aluno e foca na pesquisa

O foco na produção científica de impacto, destaque para o inglês como um idioma central da instituição e o acesso livre dos alunos aos professores são alguns dos diferenciais que, segundo a Pontifícia Universidade Católica do Chile, levaram a instituição à consquistar o título de melhor universidade da América Latina. Com o resultado, a Universidade de São Paulo (USP) foi desbancada pela primeira vez da posição de melhor da região.

O ranking que mostra a ascensão da PUC Chile como a instituição TOP da América Latina foi produzido pela consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS). O levantamento, divulgado em maio deste ano, ocorreu no momento em que a USP passa por uma grave crise financeira, com certo impacto em suas atividades de ensino e pesquisa.

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Comemorando a primeira posição, o reitor da PUC Chile, Ignacio Sánchez, diz, por telefone, que o resultado traduzido pelo "reconhecimento do ranking" é fruto do foco que a instituição passou a dar à docência e à investigação científica, especialmente nos últimos anos.

"Aumentamos os recursos voltados à investigação, já que colocamos a pesquisa como uma das nossas prioridades.Também ampliamos o nosso quadro de professores. Tudo isso teve efeitos diretos no impacto da nossa produção científica, hoje mais citada internacionalmente", diz Sánchez.

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Divulgação/UC
A PUC Chile é uma universidade que cobra mensalidades; custo de cursos pode chegar a R$ 20 mil


Para garantir mais relevância dos artigos e trabalhos científicos produzidos por alunos, pesquisadores e professores da instituição, a PUC Chile deciciu enfatizar o inglês como idioma central de ensino e pesquisa.

"Quando entram na universidade, os estudantes se submetem a um exame da língua. Em seguida, de acordo como o seu nível, oferecemos a ele um curso no idioma como parte de sua formação acadêmica", explica o reitor da universidade chilena.

Além da graduação, o inglês também é colocado como eixo central na produção científica da instituição. "Em número absoluto, produzimos menos que a USP, mas 90% das nossas publicação são em inglês. Além disso, metade dos artigos são produzidos em regime de co-autoria com pesquisadores internacionais [na USP, o índice é de cerca de 30%]", fala Sánchez.

O alto índice de colaboração internacional facilita a inserção da instituição em grupos de pesquisa presentes em outros países. Esse é um dos aspectos considerados na metodologia de construção dos rankings internacionais.

Corpo docente

Após estabelecer o contato com pesquisadores de outras instituições, é comum a PUC Chile convidar professores estrangeiros para fazer parte do corpo docente da instituição. Sendo chileno ou de outra nacionalidade, a instituição oferece ao pesquisador condições flexíveis de contratação para uma temporada de trabalho e investigação na universidade. "Fazemos o nosso concurso de professores de maneira internacional", explica Sánchez.

Contando com cerca de 3 mil professores - 15% sendo estrangeiros -, a instituição chilena também se sai melhor no indicador que mede a quantidade de professores por aluno. Enquanto, na instituição, a relação é de 8 docentes para cada estudante. Na USP, a relação é de 15 por aluno.

"Além de termos elaborado uma política de contratação de mais professores, temos uma filosofia onde defendemos que os docentes precisam estar mais próximos aos alunos. O estudante precisa ter livre acesso ao professor, antes, durante e depois das aulas", fala Sánchez.

Mesmo tendo uma opinião ponderada à respeito do papel dos rankings, o reitor afirma que eles "têm algo de positivo, já que mostram de forma mais ampla uma série de indicadores acadêmicos" que podem auxiliar, de certa forma, no trabalho das universidades.

Cecília Bastos/Divulgação USP
Zago: rankings "ajudam a entender as coisas e promover modificações na universidade"

USP

Questionado sobre a perda da posição da USP no ranking de melhor da região, o reitor da instituição Marco Antonio Zago falou pela primeira vez sobre o assunto - desde a publicação do ranking, a USP não se posicionou sobre a questão.

"[No caso da USP] estamos falando de uma universidade altamente abrangente e gratuita, em um País que tem um ensino secundário deficitário. A outra [a PUC Chile], é um universidade muito mais restrita, que tem [no país] um ensino secundário de muito mais qualidade", afirmou Zago.

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Segundo o reitor da USP, "é preciso considerar que, por ser uma universidade paga, ela seleciona um extrato diferente da população”, afirma. Na PUC Chile, os alunos têm que pagar mensalidades que podem chegar a R$ 20 mil pela graduação completa.

Ainda de acordo com Zago, os rankings "ajudam a entender as coisas, e até a promover modificações na própria universidade". "Mas não podemos ser escravos, como se fosse uma competição”, diz.

Já o reitor da PUC Chile é só elogios à USP. "A USP é uma grande universidade, nós temos vários projetos conjuntos, em várias áreas, da biologia a humanidades. Conheço a instituição, reconheço sua capacidade acadêmica, suas competências",diz  Ignacio Sánchez.

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RANKING CWUR - Posição no País:  1ª) Universidade de São Paulo (USP). Foto: Cecília Bastos/Divulgação USPRANKING CWUR - Posição no País:  2ª) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) . Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 3ª) Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foto: Antonio Scarpinetti/UnicampRANKING CWUR - Posição no País: 4ª) Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 5ª) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foto: Wikimedia CommonsRANKING CWUR - Posição no País: 6ª) Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 7ª) Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 8ª) Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 9ª) Universidade Federal Fluminense (UFF). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 10ª) Universidade de Brasília (UnB). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 11ª) Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 12ª) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 13ª) Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 14ª) Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foto: Rodrigo Juste Duarte/Divulgação UFPRRANKING CWUR - Posição no País: 15ª) Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Foto: DivugaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 16ª) Universidade Federal do Ceará (UFC). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 17ª) Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foto: DivulgaçãoRANKING CWUR - Posição no País: 18ª) Universidade Federal do ABC (Ufabc). Foto: Divulgação
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