Notas de português e matemática influenciam no salário dos jovens, diz pesquisa

Por Ocimara Balmant | - Atualizada às

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Para pesquisadores, estudo avança ao mostrar que não basta garantir acesso, é preciso oferecer educação de qualidade

Quem tem boas notas de português e matemática terá melhor salário quando estiver no mercado de trabalho. Este é o resultado de um estudo divulgado pela Fundação Itaú Social. A pesquisa analisou dados dos exames de proficiência feitos por uma geração ao término do ensino médio e comparou com os rendimentos recebidos por esses alunos cinco anos depois. 

Os resultados indicam que um aumento de 10% na nota de proficiência em matemática resulta em um acréscimo de 4,6%, em média, nos salários dos estudantes após cinco anos. No caso do português, um aumento de 10% na proficiência  resultou em salário 5% maior. Para pesquisadores, estudo avança ao mostrar que não basta garantir acesso, é preciso oferecer educação de qualidade.

"O resultado mostra o lógico: se a pessoa aprende mais, ela tira uma nota maior nas provas e melhora seu potencial. Isso significa que, para melhorar a economia, é preciso melhorar a qualidade do ensino. Assim, além do indivíduo, a sociedade também é influenciada pela qualidade da educação", afirma Naercio Menezes Filho, um dos realizadores do estudo. 

Segundo ele, é possível fazer outras estimativas a partir dessa mesma proporção, considerando sempre que o aumento salarial corresponde à metade do acréscimo de  aprendizado. Logo, se houver um acréscimo de 30% nas notas, teria-se um acréscimo salarial de 15%.

No Brasil, os resultados dos estudantes no SAEB, exame que avalia alunos ao fim do ensino médio, mostra que o rendimento em língua portuguesa é de 267,63 pontos e, em matemática, 273. Pontuação bem aquém do que a mínima recomendada pela ONG Todos pela Educação, que estipula mínimo de 300 pontos em português e 350 em matemática. 

Uma defasagem que fica explícita no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mostra que o ensino médio continua problemático, e nos resultados do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA), que avalia estudantes na faixa dos 15 anos de idade. No exame de 2012, em matemática, das 66 regiões comparadas, o Brasil está na 59ª colocação; em leitura, na 56ª; e, em ciências, na 60ª.

Só acesso não basta

Esse déficit de aprendizagem somado ao resultado deste estudo que mensura os ganhos do aprendizado, mostram que não basta proporcionar o acesso à escola - assunto em que o País tem avançado -, é preciso garantir a qualidade. "Só assim a educação poderá ser instrumento de diminuição da desigualdade social e de promoção da equidade", afirma Patricia Mota Guedes, gerente de Educação da Fundação Itaú Social. 

E como melhorar a qualidade? Apenas melhorando a escola, local central do desenvolvimento dessas habilidades e competências medidas nos exames. Conhecimento que vai além da decoreba e que não se apreende em apenas um ano, mas ao longo da vida,  defende Patricia. 

Nessa escola engajada na melhoria do aprendizado, é preciso o trabalho conjunto de professores, diretores e secretarias de Educação. "O docente precisa acreditar na importância do ganho de aprendizagem de cada aluno, independente da renda familiar e de onde ele vem. O diretor é determinante porque as habilidades e competências precisam ser desenvolvidas em conjunto pelos professores e cabe a ele orquestrar tudo isso. E as secretarias devem pensar em programas de formação continuada que ajudem o professor a traçar estratégias de trabalho."

Se todo mundo já está na escola e o País quer avançar, é preciso mudar o foco: deixar de comemorar o acesso e trabalhar para que aquele tempo na escola realmente seja um tempo de aprendizado com objetivos claros e resultados mensuráveis. 

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