'Eu nunca tinha visto o oceano', conta universitário de intercâmbio no navio

Por Priscilla Borges - iG Brasília |

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Para aluno de Oklahoma, programa de estudos foi estreia em poupar dinheiro, ver o mar e conhecer outros países

Priscilla Borges
Andrew Gray conseguiu US$ 25 mil em bolsas de estudo e mais US$ 8 mil em empréstimo pessoal para custear intercâmbio em navio que percorre 15 países do mundo em 6 meses

Andrew Gray, 21 anos, nunca havia sonhado em sair dos Estados Unidos. Até agosto, só conhecia os estados americanos que fazem fronteira com sua terra natal, Oklahoma. Não tinha passaporte e não conhecia o mar.

Tudo mudou na vida de Andrew quando ele conheceu uma organização não-governamental chamada Pencils of Promise. Sem fins lucrativos, a ONG ajuda a construir escolas em países onde o acesso à educação é difícil e conseguir bolsas de estudos para quem precisa.

O criador da organização, Adam Brow, participou do programa Semester at Sea anos atrás. O projeto, que existe há 50 anos, é desenvolvido pelo Institute for Shipboard Education (ISE) em parceria com a Universidade de Virginia. Durante um semestre, universitários estudam em um navio, percorrendo cerca de 15 países do mundo.

Quando soube da possibilidade, Andrew decidiu que faria o mesmo um dia. Há quatro anos, contou aos pais sobre sua ideia. Eles não gostaram e avisaram que não ajudariam financeiramente o rapaz. Desde então, o jovem passou a economizar dinheiro para tornar seu sonho realidade e a procurar bolsas de estudo que o ajudassem na tarefa.

“Eu estava mais novo, não sabia como faria para fazer essa viagem acontecer, porque o custo é muito alto, mas eles (os organizadores) oferecem muitas bolsas e oportunidades para que os estudantes tornem a viagem possível. Eles me ajudaram muito nisso”, conta.

Estudante da Universidade Estadual de Oklahoma, Andrew quer trabalhar para organizações sem fins-lucrativos, arrecadando fundos para financiar projetos educacionais. Assim como foi ajudado, espera ajudar. “Vou me candidatar a uma vaga aqui na Semester at Sea também, porque eles gastam muito dinheiro para sustentar o navio, precisam de fundos. Seria uma chance de eu agradecer minha participação nesse programa”, afirma.

Sozinho, ele conseguiu 25 mil dólares (em diferentes bolsas de estudo) e pegou mais 8 mil dólares em empréstimo pessoal para estar na viagem. “Eu ainda estou pagando, mas gostei do fato dos meus pais não terem me dado nada. Isso me fez valorizar ainda mais essa oportunidade e pensar que basta trabalhar muito e conseguirei as coisas”, diz.

Estreias

Todo o empenho de Andrew garantiu experiências inimagináveis para ele tempos atrás. Ele é o primeiro da família a entrar em uma faculdade e viajar fora dos Estados Unidos. Quando criança, ele, os pais e os irmãos não viajavam. “Acho que eles tinham receio que eu viajasse por causa disso também. Eles não têm ideia de como é”, pondera.

Ver o oceano pela primeira vez, segundo ele, foi assustador e incrível. “Eu nunca tinha visto sequer esse tanto de água. Nós só temos alguns lagos em Oklahoma e maioria deles artificiais e pequenos, sempre podendo ver a outra margem. Foi muito estranho para mim olhar a água e não ver o outro lado. A primeira vez que nadei no mar foi na Espanha e foi uma experiência incrível para mim”, garante.

Andrew trabalha cerca de duas horas por dia no navio como forma de pagamento por parte da viagem. No resto do tempo, estuda para as disciplinas que se inscreveu e pesquisa sobre os países que o navio visita ao longo do semestre. As saudades de casa, diante de tantas novidades, que incluem novos amigos, ficam menores.

“Agora, meus pais estão felizes por mim, pela minha oportunidade. Eu não tenho problemas em estar longe de casa. A pior parte da viagem até aqui foi o trecho que fizemos da África para a Argentina. Foram 12 dias seguidos dentro do navio, com muito tempo para pensar no quanto estamos longe de casa, do mundo. Foi desconfortável. Mas a maioria do tempo você passa pensando no quão sortudo é de estar aqui”, comenta.

Como a maioria das pessoas que participam do programa, Andrew se diz uma pessoa diferente agora. As perspectivas mudaram. O mundo ficou maior e mais próximo, ao mesmo tempo. Sua vontade é fazer algo que realmente mude o mundo no futuro. “O lugar que eu mais gostei de conhecer foi Gana. É um dos países que a organização para a qual eu trabalho ajuda. Conheci o projeto, ajudei na construção de uma escola, vi as pessoas. Foi incrível”, ressalta.

No Rio de Janeiro, ele espera conhecer o Cristo Redentor e as praias. “Durante toda a viagem, fiquei pensando que iria ver uma das sete maravilhas do mundo. Estou muito animado, porque nem imagino como é olhar isso na vida real. Eu vou fazer isso no primeiro dia”, diverte-se.

*A reporter viajou a convite da Embaixada dos Estados Unidos.

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