Alckmin cria 34 mil vagas, mas só 1,5 mil professores aceitam o trabalho

Por Agência Estado |

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O número de concursados caiu de 130,5 mil, em 2008, para 120,8 mil, em 2013 - queda de 7%

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Apesar de ter realizado concursos para preencher 34 mil vagas de professores desde 2011, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) só conseguiu ampliar em 1,5 mil o número de docentes concursados na rede estadual até este ano. Especialistas avaliam que o governo do Estado criou uma "bola de neve" nesta questão e enfrenta dificuldades para manter os profissionais na rede.

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O número de concursados caiu de 130,5 mil, em 2008, para 120,8 mil, em 2013 - queda de 7%. O total de efetivos até cresceu 4,4 mil entre 2011 e 2012, mas voltou a cair neste ano.

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Ocimar Alavarse diz que há falhas de planejamento. "Não fizeram os concursos ao longo do tempo para reposições", diz. "Além das exonerações, tem as aposentadorias previstas. Organizar esse processo não é sofisticação, é o mínimo." A média de aposentadorias é de 5 mil por ano, segundo a Secretaria da Educação.

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Em novembro, o Estado realiza mais um concurso, para 59 mil vagas. Espera que 20 mil docentes assumam no próximo ano. Alavarse duvida do resultado, por causa da dificuldade de recrutar tantos profissionais. "Não se regulariza essa situação de uma vez. Levará de cinco a dez anos para resolver."

A diretora da ONG Todos Pela Educação, Priscila Cruz, enfatiza que é necessário ter ações específicas para quem chega à rede e para quem é de carreira. "Não existe medida que tenha grande impacto sozinha", diz ela. "Sem carreira atrativa, acabamos contratando quem tem dificuldade de ingressar em outra carreira. E a gente precisa dos melhores profissionais."

A dificuldade em aumentar o quadro docente tem provocado problemas nas escolas. Reportagem do Estado deste mês mostrou que havia no primeiro semestre 4,8 mil turmas sem professor de alguma disciplina - a maior parte de Matemática, Geografia e Sociologia.

O presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP), José Maria Cancelliero, diz que há uma "crise". "Falta vontade política de melhorar a escola pública. Levadas por isso, muitas pessoas ingressam e, quando arrumam um emprego, vão embora", diz. "Tinha de ter um salário digno do Estado mais rico."

O piso salarial na rede estadual é de R$ 2.255. É maior do que o nacional, de R$ 1.567. Mas na rede municipal da capital, por exemplo, o professor iniciante ganha R$ 2,6 mil.

Presidente do principal sindicato da categoria, a Apeoesp, Maria Izabel Noronha foi procurada, mas não atendeu aos pedidos de entrevista.

Recomeço

Professora de Matemática, Valdirene Antenor, de 48 anos, tentou desistir do magistério em 2008, quando se exonerou do Estado. Abriu uma cantina, mas não deu certo. Voltou para a escola e decidiu ir para o Município. "No Estado são 20 anos de descaso", diz. "Nas escolas municipais também não é uma maravilha, mas o salário é maior. Não queria voltar, não estou contente. Mas que trabalho eu vou arrumar com essa idade?" Ela também leciona em escola particular.

A Prefeitura defende que está implementando ações de melhoria das condições de trabalho, como programa para ampliar a segurança. O Estado ressalta que garantiu aumento escalonado de 45% até 2014. Também citou a implementação de programas, como o Residência Educacional, um estágio remunerado. 

Outro lado

Em resposta à reportagem, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo divulgou uma nota sobre o caso nesta segunda-feira (02). Leia abaixo a íntegra:  

"A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo esclarece que o último concurso para professores da rede estadual, realizado em 2010, registrou a inscrição de 260 mil candidatos e, deste total, foram nomeados 34 mil novos professores. Atualmente, a pasta conta com 181,5 mil professores efetivos e as ações desenvolvidas ao longo dos últimos dois anos visam ampliar ainda mais este quadro. Para novembro está prevista a realização do maior concurso da história do magistério paulista, com 59 mil vagas. Já no início de 2014 pelo menos 20 mil novos docentes ingressarão nas mais de cinco mil escolas da rede. Vale ressaltar, no entanto, que a figura do professor temporário, contratado e capacitado pela Secretaria, é fundamental para suprir faltas pontuais de professores efetivos, como licença médica ou maternidade.

Já quando analisada a redução no número de professores efetivos ao longo dos últimos cinco anos, deve-se levar em consideração situações como, aposentadoria, mudanças de Estado ou mesmo falecimento no quadro de funcionários. Sobre as exonerações de docentes, a Secretaria esclarece que elas representam 1,63% do total dos professores efetivos da rede estadual paulista.

A Secretaria atua permanentemente para qualificar os professores e incentivar a carreira, o que pode ser observado pela implantação de programas inovadores e pioneiros no País, como o Residência Educacional, modelo inédito de estágio remunerado para professores, a materialização do primeiro plano de carreira – feito em conjunto com a rede e entidades sindicais – e a instituição de uma política salarial, prevista em lei, que já garantiu aumento escalonado de 45% até 2014, fazendo com que São Paulo tenha o piso salarial 44% acima do nacional e figure entre os maiores salários para professores da rede pública do País."

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