Alunos preferem jogo que é bateria de testes educacionais a Facebook

Por Cinthia Rodrigues -iG São Paulo |

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Com pontos e medalhas, exercícios passam por jogo e ganham atenção em aula de escola pública de São Paulo

Um texto ou figura, uma pergunta e as alternativas para resposta. Na prática, o jogo educacional Ludz segue o padrão mais tradicional de qualquer exercício escolar, no entanto, alunos do 5º ano da Escola Estadual Henrique Dumont Villares, em São Paulo, dizem gostar do teste online tanto quanto de educação física e, quem tem internet em casa, conta que prefere usar o tempo livre para responder mais questões a entrar em redes sociais.

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Aluna da Escola Estadual Henrique Dumont Villares responde a testes online em aula e até em casa


Ao acompanhar uma aula, a diferença parece estar em elementos simples que fazem com que a atividade se pareça a um vídeo-game. “Tô lendo rápido porque daqui a pouco aparece a velha do tempo”, explica Arthur Sabbadini, de 10 anos, se referindo a um desenho que aparece antes do tempo limite para responder expirar. Ele também faz questão de clicar em um botão que pode gerar uma dica, eliminar uma alternativa errada ou apenas gerar um desenho de um estudante com um comentário sem utilidade para achar a resposta. “É o colega”, explica Arthur. “Às vezes ele dá uma dica, mas às vezes só fala qualquer coisa.”

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A colega Thamires Almeida, da mesma idade, conta que prefere “jogar Ludz” a entrar em redes sociais. “Eu não vejo nada de desafio no Facebook, prefiro fazer coisas que sejam divertidas e me deixem mais preparada”, comentou. A rapidez com que a menina encontrava as respostas para os problemas matemáticos de sequência chamou atenção até da diretora, Sonia Sprenger, que estava na sala para acompanhar a reportagem. “Você tem que ler aqui e contar as bolinhas da figura...”, comentava a educadora devagar com o dedo na tela quando a menina assinalou a resposta C, a correta. “Olha só, como pode? Em sala ela não vai tão bem assim no mesmo tipo de exercício”, comentou a diretora com a professora da sala.

Para a coordenadora pedagógica Maria Rita Silveira, o casamento entre tecnologia e educação “é perfeito”. Ela procura softwares livres na internet e organiza atividades para as salas que ainda não contam com o programa pago, comprado apenas por 40 escolas na rede estadual paulista cujos padrinhos empresários da ONG Parceiros da Educação adquiriram. “Agora que temos internet e estamos aprendendo melhor como organizar os alunos nestas atividades, a gente explora isso. Não é fácil sem um direcionamento, mas aqui temos professores que são verdadeiros desbravadores”, diz.

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A aula com o Ludz ocorre duas vezes por semana para cada turma, uma para responder testes de matemática e outra para língua portuguesa. Uma estagiária, também paga pela ONG, dá as instruções. A professora da sala acompanha apenas para chamar atenção de alunos que perdem o foco e observar possíveis dificuldades. Arthur, por exemplo, não sabia o que signifiva “verbete” em um dos problemas que leu e “réu” em outro, mas não pediu ajuda a ninguém. Acertou uma questão pelo contexto e errou outra e segue sem saber. “O conteúdo é parecido com o da sala, mas o bom é que aqui eles lêem muito mais”, comenta a professora da turma, Sonia Haquihara, que tem 26 anos de magistério. “Nunca parou de aparecer novidade, essa é mais uma que a gente vai incorporando.”

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