Site de videoaulas oferece cursinho para o Enem às classes C e D

Por Tatiana Klix - iG São Paulo |

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Descomplica, portal lançado em 2011, oferece 3.500 videoaulas e conquista milhares de alunos pela qualidade dos professores e pelos preços acessíveis

O professor e engenheiro Marco Fisbhen, 33 anos, deu aulas de física durante uma década em cursos pré-vestibular no Rio de Janeiro, mas em 2011 começou a colocar em prática um projeto mais ambicioso, o de ajudar milhares de estudantes a se prepararem para o ensino superior, a maioria deles da classe C e D. Embora também faça isso através de aulas preparatórias ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), usa a internet e outras tecnologias para atingir um número muito maior de pessoas, com um custo bastante acessível.

Divulgação
Marco Fisbhen, 33 anos, é fundador e CEO do site de videoaulas Descomplica

“Nunca paguei um centavo por educação e sentia a necessidade de alavancar modelo de ensino para pessoas que não podem pagar também”, relembra Fisbhen, fundador e CEO do Descomplica, site que reúne 3.500 vídeos de aulas com a mesma dinâmica que ele costumava usar no cursinho.

O Descomplica é primeira startup educacional retratada em série de reportagens que começou a ser publicada hoje pelo iG sobre o mercado em crescimento de EdTech (integração entre educação e tecnologia) no Brasil.

Série startups de educação:
- Integrar educação e tecnologia é novo nicho para startups no Brasil
- Melhores universidades do mundo falam português pela internet
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 Editora digital cria livro de aula com linguagem de game
- Compartilhar conhecimento que não se aprende na escola virou negócio

Um pouco mais de dois anos depois, a empresa que começou publicando algumas dezenas de videoaulas produzidas por uma equipe quase caseira – eram quatro colaboradores em 2011: Fisbhen, uma estagiária, um cinegrafista e um editor de vídeos – recebe mais de 500 mil visitas por mês e oferece conteúdos em várias plataformas para quem está estudando para o Enem. São monitorias online, fóruns de discussão para mais de 10 mil questões, correção de redação, planos de estudo extensivo (para quem começa a se preparar em março) e intensivo (inicia em agosto) e aulas ao vivo que são acompanhadas por 1000 pessoas todos os dias.

“Eu sou professor e acredito que a chave é o professor, não a tecnologia. Ela tem que estar presente para distribuir e alavancar o modelo, mas não é o coração. Nós fazemos educação, não algoritmo. ”

Parte desse conteúdo é gratuita e os planos que dão acesso a tudo custam de R$ 15,73 por mês a R$ 25,90. “A ideia sempre foi ser extremamente acessível. Nossa conta era descobrir qual era o mínimo que poderíamos cobrar para poder rodar o Descomplica. Era claro que não queríamos usar um modelo de doação, mas fazer um negócio para a classe D. Não é chegar à classe C, mas em quem realmente precisa”, diz.

Antes de ser lançado, o projeto foi apresentado no Desafio Intel, promovido pela FGV, para patrocinar novas empresas. Mesmo sem vencer a competição, Fisbhen foi chamado pelo presidente do fundo de investimento Gavea Angels, que gostou da apresentação e decidiu apostar no projeto.

O fundador do Descomplica conta que nos primeiros meses o site oferecia pouco conteúdo, o sistema de pagamento era ruim e pouca gente comprava o produto, mas a percepção de qualidade era alta, diferencial que Fisbhen considera especial até hoje no Descomplica.

“Eu sou professor e acredito que a chave é o professor, não a tecnologia. Ela tem que estar presente para distribuir e alavancar o modelo, mas não é o coração. Nós fazemos educação, não algoritmo. O que faz as pessoas gostarem do Descomplica é a capacidade que um bom professor tem de motivar, engajar, inspirar e, óbvio, entregar conteúdo”, defende.

Escala
Embora a ideia nunca tenha sido oferecer todas as aulas de graça, foi desta maneira que o Descomplica conseguiu ganhar escala pela primeira vez, tanto em quantidade de conteúdo publicado como em número de usuários. Do fim do primeiro semestre de 2011 até o Enem daquele ano todo o conteúdo do site foi liberado. Isso foi possível a partir de uma parceria com o Instituto Natura, que patrocinou o projeto naquele período; a Microsoft, que ofereceu infraestrutura de computação em nuvem para suportar o aumento do fluxo no site; e a Vivo, que desenvolveu um serviço de aulas para tecnologia móvel. O resultado dessa ação foi que mais de 500 mil pessoas foram atendidas, novamente com uma taxa de engajamento altíssima. Segundo pesquisa realizada pela Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), 90% dos alunos consideravam o conteúdo excelente ou muito bom, 78% obtiveram nota acima da média nacional no Enem e 30% conquistaram uma vaga.

Com esse resultado na manga, mas já cobrando pelo serviço novamente, Fisbhen foi buscar no início de 2012 novos investimentos nos Estados Unidos. O segundo ano da empresa terminou com um novo aporte recebido de cinco fundos e um saldo de 1 milhão de pessoas beneficiadas pelo site.

Novos projetos

Reprodução
Site Descomplica recebeu 535 mil visitas em maio

Atualmente, com 59 funcionários fixos e cerca de 30 professores freelancers, o escopo de atuação do Descomplica está sendo ampliado. Além de conteúdo para o Enem e vestibulares, o portal já oferece aulas para ajudar alunos desde o primeiro ano do ensino médio. O banco de dados de 15 mil questões de provas foi aberto gratuitamente para qualquer professor interessado e um projeto piloto de conteúdo para ensino superior também está sendo montado.

“Nós crescemos 100% no primeiro trimestre de 2013 em cima do último trimestre de 2012, o que não é pouco, porque já não éramos pequenos. Isso faz com que tenhamos certeza que estamos no caminho certo. Nós sabemos entender o aluno e temos uma equipe especial de professores. Não é a toa que temos 500 mil fãs no Facebook que damos aulas para aulas ao vivo para até 100 mil alunos”, comemora Fisbhen.

A startup
NomeDescomplica
Fundador e CEOMarco Fisbhen, 33 anos
Data de FundaçãoMarço de 2011
ProdutoPortal de videoaulas com enfoque na preparação para Enem e vestibulares
Impacto553 mil visitas em maio. Entre os assinantes, 42% são da classe D, 35% da classe C, 15% da classe B e 8% da classe A
InvestidoresÚltimo aporte, de dezembro de 2012: Valar Ventures, Valor Capital Group, 500Startups, EL Area e Social+Capital Partnership
FaturamentoNão divulga


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