Em 36 horas, dados educacionais viram ferramenta, aplicativo de celular e mapa

Por Tatiana Klix - iG São Paulo | - Atualizada às

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Hackathon promovido pelo Inep e Fundação Lemann premia três trabalhos desenvolvidos a partir de informações públicas sobre o sistema de ensino brasileiro

Centenas de tabelas com números e comentários da Prova Brasil e do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) normalmente difíceis de serem compreendidas ficaram menos chatas e mais acessíveis depois desse fim de semana. Após uma maratona em Brasília de 36 horas, dados foram transformados em um mapa de escolas no caminho de casa para o trabalho, dois aplicativos para celular sobre estatísticas da educação e uma ferramenta para criar um índice de qualidade de escolas.

Outro Hackathon: Maratona transforma ideias em aplicativos educacionais na Unesp

Os três trabalhos foram premiados no primeiro Hackathon de Dados Educacionais, promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e pela Fundação Lemann, cujo objetivo era disseminar informações que estão disponíveis no site do Ministério da Educação, mas que dificilmente chegam à população. Durante a maratona, 30 integrantes de oito equipes tinham a missão de construir ferramentas criativas, de qualidade e de interesse público.

Reprodução/Facebook
Desenvolvedores transformaram dados do Inep em ferramentas criativas e de interesse público

“O objetivo do Hackaton era desenvolver ferramentas que gerem mobilização, levem informação para quem não tem acesso e contribuam para o debate educacional atual”, disse Ernesto Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann e um dos membros da equipe julgadora da competição.

Não por acaso, o primeiro lugar foi para o produto “Escola que queremos”, site que permite aos usuários escolherem entre 20 itens – como infraestrutura, formação de professores e gestão – os que consideram mais importantes para avaliar uma escola. A ferramenta, então, cria um indicador a partir dos parâmetros selecionados e mostra como a instituição se sai neles em comparação com outras escolas e com a média do País.

“De posse das informações sobre sua escola, o usuário terá caminhos para entrar em ação, encaminhar denúncias e exigir a resolução de problemas com as autoridades responsáveis”, explicou por email a jornalista Fernanda Campagnucci, 27 anos, uma das integrantes do grupo que criou o produto, que tem ainda os desenvolvedores Adriano Bonat, Pedro Guimarães e Vítor Baptista e o cientista social Luis Serrão na equipe. Os dados usados para criar a ferramenta são o Censo Escolar e a Prova Brasil de 2011 para escolas do primeiro ciclo do ensino fundamental.

Durante a maratona, eles conseguiram criar os códigos e a interface da ferramenta, e durante a semana colocaram o site no ar no endereço escolaquequeremos.org. Para a finalização do projeto, receberam o prêmio de R$ 5 mil que coube ao primeiro lugar.

No primeiro dia do evento organizado pelo Inep e Fundação Lemann, um seminário sobre importância de dados educacionais foi realizado. Foto: Reprodução/FacebookDesenvolvedores trabalharam durante 36 horas em Brasília para fazer aplicativos e sites. Foto: Reprodução, FacebookDesenvolvedores programaram durante a noite para terminar os aplicativos durante o Hackathon. Foto: Reprodução/FacebookPara trabalhar durante a madrugada, hackers apelaram para energéticos durante a competição. Foto: Reprodução/FacebookFerramenta "Escola que queremos" venceu a competição em Brasília. Foto: Reprodução/Facebook

A segunda equipe colocada recebeu uma bolsa de R$ 3 mil por dois aplicativos para celular criados pelo mestre em administração e professor do Instituto Federal de Santa Catarina, Thiago Rafael Ferreira Marques, 24 anos, e os alunos de ciência da computação, André Luis Ferreira Marques, 21, e de engenharia de produção mecânica, Matheus Lopes de Freitas, 22, ambos da Universidade Federal de Santa Catarina. Embora nunca tenham trabalhado com dados educacionais, levaram sua experiência em desenvolvimento de produtos móveis praticada no laboratório de projetos e produtos da UFSC para o Hackathon para botar em prática o projeto que chamam de Portal de Acessibilidade de Dados da Educação Básica.

Já existe: Novo portal apresenta dados sobre qualidade da educação no País

Um dos aplicativos "fala" e é destinado a deficientes visuais, auditivos ou analfabetos, e outro é em forma de jogo, para pessoas que normalmente não se interessariam por dados educacionais, mas vão poder tomar conhecimento de informações importantes se divertindo. “Nosso foco era a acessibilidade”, disse Marques.

As ferramentas foram programadas, mas ainda não estão disponíveis. “Preparamos tudo em código aberto e para ficarem disponíveis na web. Quem quiser poderá criar em cima”, prevê Marques, que espera ainda contar com novos apoiadores para finalizar os produtos.

A única ferramenta premiada que já pode ser acessada é a Busca Escola, de Marcelo Granja Nunes, Fabricio de Sousa Nascimento, Pedro Luis Furio Raphael, Thiago Oliveira de Paiva e Carlos Eduardo Moreira dos Santos. O site marca em um mapa todas as escolas públicas que ficam no caminho da casa para o trabalho do usuário e aponta suas principais características (desempenho e recursos extras, como computador e biblioteca, por exemplo). Pelo mapa interativo, a equipe recebeu R$ 2 mil.

Segundo Faria, da equipe julgadora, os prêmios devem ser considerados como bolsas, para viabilizar os projetos, mas o encontro também serviu para aproximar os hackers de possíveis investidores e parceiros. Essa integração foi elogiada pelos participantes, que além de vislumbrarem futuras iniciativas, valorizaram a troca de experiências no fim de semana.

"Estar ao lado de outras sete equipes foi muito bom. Deu para aprender bastante, tanto durante o Hackathon quanto no primeiro dia, com as apresentações iniciais", disse Vítor Baptista, que trabalha com dados abertos e transparência pública na ONG inglesa Open Knowledge Foundation (OKF) e fazia parte da equipe que tirou primeiro lugar.

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