Estudantes da Unicamp protestam contra Cremesp

Neste ano, a participação no exame do Conselho Regional de Medicina passou a ser pré-requisito para os estudantes que desejam atuar no Estado de São Paulo

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Com camisetas laranja com a opção B assinalada e os dizeres "Por uma avaliação com qualidade", cerca de 50 estudantes de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) fizeram um protesto na manhã deste domingo, 11, antes da entrada dos formandos para o exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Eles são contra a aplicação da prova como forma de avaliar o estudante e organizaram um boicote em que a maioria dos 110 alunos vai marcar a letra B entre as alternativas da prova.

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Neste ano, a participação no exame passou a ser pré-requisito para os estudantes que desejam atuar no Estado após a formatura. Ao todo, o exame recebeu 2.924 inscrições.

"Vamos todos responder B hoje, porque não concordamos com essa forma de avaliação. Esse exame optativo não avalia os problemas da educação e da saúde no país" afirmou um dos coordenadores do movimento de boicote da Unicamp, o estudante Fabrício Donizete da Costa, antes de entrar para a prova, realizada no Colégio Progresso, em Campinas.

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A manifestação começou por volta das 8h, uma hora antes do início da prova. "O edital nos dá a segurança jurídica de que nada pode acontecer profissionalmente com quem aderir ao boicote", afirmou Costa.

Para o estudante André Citroni Palma, as informações divulgadas durante a semana do Cremesp, de que quem anulasse a prova viraria um profissional "ficha-suja", não devem esvaziar o movimento. Durante a entrada, o estudante J.M., afirmou que iria furar o boicote, respondendo às questões do exame, mas que concordava com o movimento organizado pelos estudantes do Centro Acadêmico Adolfo Lutz, da Unicamp. "Apoio a contrariedade em relação a avaliação, mas não vou correr o risco agora de não poder exercer a profissão", disse o estudante.

Em assembleia realizada em julho, a maior parte dos 110 estudantes da Medicina da Unicamp decidiu pelo boicote ao exame. Eles combinaram manifestar seu descontentamento marcando a opção B, de boicote, em todas as questões.

"Não é uma briga com o Cremesp, queremos discutir essa forma de avaliação, que não serve para nada", afirmou a estudante Bárbara Freire. Para ela, o risco de ter problemas com o exercício da profissão, caso a prova seja considerada nula, é uma ameaça sem fundamento do conselho. "Temos respaldo jurídico. O edital garante que se fizermos a prova, nada acontecerá", afirma Bárbara.

Segundo o Cremesp, o exame tem como objetivo avaliar as escolas de Medicina, não os estudantes, e por isso a nota obtida é confidencial e somente o autor poderá acessá-la.

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