Mais de 7 mil concluem 1º curso online oferecido por MIT e Harvard

Apesar da desistência ser alta, universidades acreditam que índice diminua assim que a oferta de cursos aumentar

Porvir |

Alguns dias após o Coursera anunciar a adesão de mais 12 universidades renomadas à plataforma de cursos online gratuitos , MIT e Harvard se mexeram e mostraram que também estão trabalhando para acompanhar a tendência. As duas instituições, que se juntaram em maio para oferecer conjuntamente disciplinas de maneira virtual , apresentaram o balanço do curso que é dado em formato piloto e vai servir de parâmetro para os próximos. Dos 155 mil inscritos na disciplina de circuitos eletrônicos, 23 mil passaram da primeira etapa, 9.000 chegaram ao primeiro exame e 7.157 concluíram o curso.

Leia também:
Cursos online gratuitos mudam mercado do ensino superior nos EUA
Universidades de elite oferecem mais de 100 cursos online gratuitos

“Se você olhar em termos absolutos [a quantidade de estudantes que chegaram até o fim], é o mesmo número de alunos que deve ter feito o curso nos 40 anos que ele existe”, diz Anant Agarwal, professor da disciplina e presidente do edX, que começa a oferecer cursos agora no segundo semestre. Na prática, o curso é do MITx, plataforma que o MIT lançou em dezembro passado e que, em maio deste ano, recebeu a adesão de Harvard e passou a se chamar edX. Por enquanto, o único curso oferecido foi o do professor Agarwal e, por isso, os resultados estão sendo tão comemorados e avaliados.

A primeira impressão é que, apesar de a taxa de desistência ainda ser alta, a tendência é que ela diminua conforme o catálogo do edX vá aumentando. “Esse curso surgiu do nada. Ele requer conhecimentos de física, cálculo e equações diferenciais. Com o tempo, o edX também vai ter cursos nesses três pré-requisitos e nós vamos poder indicar que os alunos que não têm esse background façam essas disciplinas”, disse.

De acordo com o MIT, os alunos matriculados vieram de mais de 160 países. A maioria, como se esperava, é dos Estados Unidos, Inglaterra e Índia, mas eles tiveram algumas surpresas, como a participação de estudantes do Brasil. “Isso tem sido maravilhoso [trabalhar com alunos de todas as partes do mundo]. Na plataforma, você vê o post de um aluno do Brasil procurando por colegas brasileiros, que conseguiram se reunir e formar um grupo de estudos em um café”, disse Agarwal ao The New York Times.

Outra surpresa agradável, afirma professor, foi ver como os alunos se apropriaram da tecnologia aberta do MITx. Um grupo de alunos assíduos no curso de circuitos ficou desapontado ao saber que uma disciplina que eles queriam fazer, a de sinais e sistemas, não estaria disponível online no próximo semestre. Os alunos, então, foram ao OpenCourseWare do MIT, site que reúne material das disciplinas e eles mesmos montaram um curso. “Eles são uma comunidade conectada”, disse. “Os alunos nos perguntaram se a comunidade do curso de circuitos poderia continuar viva. Então nós concordamos em não tirar os dados do ar para que os estudantes possam continuar a interagir.”

Agarwal também comemora que o material disponível no MITx tenha inspirado professores de todo o mundo. Um professor de ensino médio da Mongólia incentivou seus alunos a usar os recursos. Um deles, com apenas 15 anos, tirou nota máxima no exame final do curso, marco alcançado por apenas 340 dos 7.157 que concluíram a disciplina.

Com os dados que o curso de circuitos ofereceu, a equipe do edX quer tentar estabelecer estratégias para facilitar a customização do conteúdo. Um aluno muito ocupado, por exemplo, pode escolher cursar a disciplina em um ano inteiro em vez de apenas um semestre. Isso porque além de ser uma plataforma que entrega conteúdo, a intenção é que o edX seja também seja um espaço para experimentos educacionais.

Um desses testes está sendo feito em um laboratório da Microsoft, na Índia, por uma aluna de Harvard. Ela está fazendo um estudo que compara versões de vídeos nos quais os professores explicavam algo escrevendo de próprio punho ou mostrando uma apresentação de PowerPoint. Os alunos preferem as aulas com desenhos no quadro. “O PowerPoint pisca uma imagem na tela e o professor não desenvolve a ideia da mesma forma do que quando ele faz um desenho no quadro-negro”, diz Agarwal.

Para o futuro do edX, Agarwal tem pretensões ousadas. “Quando oferecermos mais cursos, eu posso imaginar que as pessoas façam vários deles, consigam os certificados e usem isso de uma forma parecida como um diploma. Acho que os cursos vão se tornar cada vez melhores. Nossa missão é mudar o mundo pela educação”, afirmou ao The New York Times.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG