Estudantes do MIT transformam frutas, animais e até humanos em teclados

Colegas procuravam forma de mostrar como o mundo pode ser um "kit de construção" para ciência e tecnologia. Veja vídeo

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Dois estudantes do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desenvolveram um kit chamado MakeyMakey, que pode transformar frutas, animais e até seres humanos em teclados. Um dos dispositivos é um teclado cujas teclas são bananas.

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Bananas usadas por estudantes do MIT como teclado eletrônico

Jay Silver e Eric Rosenbaum, de 32 anos, procuravam uma maneira de transformar objetos do cotidiano em touchpads, superfícies sensíveis ao toque capazes de se comunicar com equipamentos eletrônicos.

Rosenbaum disse à BBC que a ideia por trás do kit é que as pessoas possam "ver o mundo ao seu redor como um kit de construção". O kit básico contém um cabo USB e uma placa de circuito sob medida com clipes do tipo jacaré. A placa está programada para substituir um teclado de computador padrão.

Uma vez que a placa tenha sido conectada a um PC ou laptop via cabo USB, o clipe jacaré pode ser ligado a qualquer objeto que conduza eletricidade.

Quando questionado sobre questões de segurança, Rosenbaum disse que a quantidade de corrente usada no equipamento era muito pequena e não detectável quando o kit estava ligado ao corpo humano ou a animais. Segundo ele, fusíveis haviam sido incorporados à placa, bem como à entrada USB, para garantir a segurança.

Um grupo de direitos dos animais contactado pela BBC não expressou preocupações.

Silver disse que as possibilidades eram ilimitadas, desde a ligação com uma cabeça de brócolis para operar o Skype até a criação de um piso de música interativa. Mesmo o gato do estudante se tornou parte do experimento. "Os gatos são condutores na planta de seus pés, suas orelhas, seu nariz e sua boca. Mas sua pele não é condutora", observa.

Segundo Rosenbaum, eles conseguiram transformar dois de seus amigos em máquinas de som, uma bola de praia em controlador de videogame e ainda usaram um copo de leite para fazer música. 

Os estudantes insistem que o kit é mais do que apenas um chamariz. Silver disse à BBC que dezenas de pessoas tinham entrado em contato com eles, querendo personalizar o equipamento para as pessoas que não podem usar um teclado convencional.

"Um pai está atualmente transformando-o em interface de computador para seu filho que sofre de paralisia cerebral. Chamamos isso Hackcess." Silver e Rosenbaum tiveram a ideia durante uma viagem de carro à Califórnia, há dois anos.

Rosenbaum, um programador autodidata com formação acadêmica em educação, disse que a dupla queria mudar a maneira como as pessoas se relacionam com a tecnologia.

"É fácil para as crianças perder o interesse pela ciência e pela matemática, por causa da forma como são ensinados. Quisemos tornar mais fácil para as pessoas usar a engenharia como combustível para a criatividade."

Potencial para educar

Cerca de 150 versões beta do kit foram disponibilizadas para testes. AnnMarie Thomas, que vive em Minneapolis, foi uma das primeiras a experimentá-lo. Ela diz que mesmo sua filha de quatro anos conseguiu ligar o kit sem ajuda. "Meus filhos adoram. Minha filha foi capaz de conectá-lo e configurá-lo. Ela tentou folha de estanho e massa de modelar e até conseguiu conectar-se ao kit", diz.

Thomas, um ex-professor de engenharia, treina futuros professores de engenharia e acha que o kit tem um grande potencial para uso em escolas.

"É uma ótima maneira de envolver as crianças com ciência e tecnologia", disse ela. "Ele ajudou a minha filha entender como os circuitos funcionam", afirma.

Os estudantes buscavam levantar US$ 25 mil para produzir mais kits, e lançaram o projeto no Kickstarter, um site de financiamento coletivo.

"Esperamos estabelecer uma comunidade de pessoas que utilizam o MakeyMakey e compartilhem suas ideias e invenções. Há muito a acrescentar", diz Rosenbaum. O projeto já recebeu mais de US$ 440 mil em financiamento.

Segundo Rosenbaum, a dupla tem recebido grande número de consultas, incluindo ofertas de serviços pagos ou colaborações com empresas.

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