USP adia depoimentos de invasores da reitoria sem aviso prévio

Para estudantes, organização de protestos motivou cancelamento. Cerca de 200 pessoas pediram o fim dos processos

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

A Universidade de São Paulo (USP) cancelou os depoimentos previstos para esta quarta-feira dos estudantes que participaram da invasão da reitoria no ano passado. Os advogados dos alunos processados dizem que só souberam da medida ao chegar ao prédio a que seus clientes foram convocados a comparecer.

AE
Estudantes protestaram contra processos da USP que podem eliminar estudantes
Um grupo de cerca de 200 estudantes que se manifestou contra a reitoria nesta manhã acredita que a organização do protesto motivou o cancelamento. Com auxílio de caminhão de som e bateria, eles andaram do prédio administrativo da universidade até a Rua Alvarenga, no prédio em que ocorreriam os depoimentos aos gritos de Fora Rodas (João Grandino Rodas, reitor da instituição).

A assessoria da USP afirma que os envolvidos foram avisados do adiamento com antecedência e que não há nova data agendada. Gustavo Serafin, um dos advogados do grupo de 51 estudantes processados, diz que foi informado pelo segurança do prédio. “Os que deporiam de manhã não receberam nada, os que falariam a tarde receberam um email na tarde da terça-feira que a maioria só viu hoje”, comentou. Na noite de segunda-feira, tanto USP quanto convocados informaram que os depoimentos estavam confirmados para esta quarta.

A maioria dos estudantes que participaram do protesto já faziam parte do movimento “Fora PM”, que levou inclusive à invasão no ano passado, mas havia também novos membros. As colegas Marília Bogon, de 17 anos, e Letícia Farnetani, de 19 anos, entraram na graduação este ano, a primeira em História e a segunda em Geografia, e decidiram acompanhar. “Vim ouvir e realmente eles têm bons argumentos”, disse Marília.

O colombiano Dario Vargos, processado por ocupar prédio da Residência Estudantil, estava entre os manifestantes. “Meu medo é a eliminação, é perder todos os meus estudos”, diz. A funcionária Diana Assunção, que também será processada e pode ser demitida por justa causa, reclama da falta de comunicação. “Os advogados chegaram lá hoje e não tinha ninguém. Eles marcam, desmarcam, acusam, julgam, fazem o que querem.”

Câmeras filmaram participantes

Dois homens que não quiseram se identificar e não faziam parte do movimento dos alunos filmara o protesto dos estudantes, usando o zoom para focar em cada rosto. Questionado pela reportagem um deles disse que era "particular" e não quis se identificar.

Assista a vídeo que mostra o momento da invasão da reitoria da USP

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