21/06/2009 -
07:13
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Luís Nassif, colunista do Último Segundo
Passou despercebido até agora, mas trata-se do mais importante trabalho até hoje feito sobre um dos maiores escândalos da política monetária: a subestimação dos “spreads” bancários pelo Banco Central, um processo histórico agravado pelas mudanças na metodologia de cálculo efetuadas em 2004, já na gestão Henrique Meirelles.
Trata-se do Relatório Preliminar da Comissão de Acompanhamento da Crise Financeira e da Empregabilidade (CACFE) do Senado, presidida por Francisco Dornelles, tendo como relator Tasso Jereissatti.
Na abertura, alerta-se que o trabalho expressa a opinião dos técnicos que participaram de sua elaboração - Marcos Köhler, Paulo Springer de Freitas, Samuel Pessoa e José Roberto Afonso, com a assessoria de Mansueto Almeida e Ana Paula Higa.
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O trabalho é amplo. Avalia o “spread” e outros aspectos da política monetária, como as inconsistências do atual regime de metas inflacionárias. Mas é um divisor de águas ao tratar do “spread”, consolidando diversos trabalhos sobre o tema.
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Como se sabe “spread” é a diferença entre o custo de captação e de aplicação dos bancos.
O BC nunca se preocupou em criar séries históricas sobre o “spread”. Limitou-se a divulgar sua metodologia e trabalhos periódicos.
Nessa metodologia, entram os seguintes fatores na composição do “spread”:
Custo administrativo: capital físico, trabalho, recursos operacionais e depósitos.;
Inadimplência: equivale a 20% das provisões para devedores duvidosos, calculadas de acordo com as regras de provisionamento estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.;
Custo do compulsório: corresponde ao custo de oportunidade que os bancos incorrem em deixar parte dos depósitos à vista e a prazo depositados no BC, com rendimento inferior ao que obteriam caso pudessem emprestar os recursos.
O trabalho questiona esse conceito, já que “a idéia de custo de oportunidade está associada a aplicações alternativas do capital, o que não se verifica nesse caso”;
Tributos e taxas: incluem tantos impostos indiretos como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;
Resíduo: corresponde à diferença entre o spread total e a soma dos quatro componentes anteriores. Pode ser utilizado como indicador da margem auferida pelo banco.
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O trabalho levanta estudos existentes que comprovam:
O BC estima que os tributos representem de 5 a 6 pontos do spread. O trabalho menciona estudos que apontam que a eliminação dos tributos não impactaria em mais que 0,5 ponto o spread. Os bancos se apropriariam da diferença.
Redução de de 10 pontos percentuais no compulsório reduziria de 0 a 1,3 ponto o spread.
O trabalho levantou que a metodologia de 2004 praticou a subestimação sistemática dos custos administrativos. Excluiu dos cálculos os depósitos à vista (que não custam nada aos bancos) e escondeu operações extremamente rentáveis, como tarifas bancárias e administração de fundos.
Além disso, o BC tirou do cálculo os ganhos dos bancos com a aplicação livre dos recursos direcionados (eles podem aplicar livremente parte dos depósitos de poupança).
Produção industrial deve receber incentivos
O governo deve anunciar em breve um projeto para incentivar a produção de bens de capital no País. "Estamos trabalhando e, no que depender de nós, gostaríamos de terminar até o fim da próxima semana", adiantou Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Uma das medidas em estudo é a redução de ICMS, que depende de acordo com os governos estaduais. O setor de bens de capital é um dos que mais tem sofrido com a crise internacional.
Reforma financeira na Europa
A União Europeia concordou em criar novas regras para a supervisão do sistema financeiro. A UE concordou em criar um Conselho Europeu de Risco Sistêmico, debaixo do BCE (Banco Central Europeu), para monitorar e avaliar possíveis ameaças à estabilidade financeira.
Outro grupo, o Sistema Europeu de Supervisores Financeiros, vai monitorar a atuação das autoridades reguladoras nacionais. O Reino Unido foi o maior oponente da proposta, ao defender autonomia local.
China vai superar Japão
O Japão reconhece que perderá para a China o posto de segunda maior economia do mundo em breve. "O status de segunda economia mundial para o Japão está chegando a seu fim", admite o ministério da Economia, Comércio e Indústria do país.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que o PIB nominal da China vai ultrapassar o do Japão em 2010 ou mesmo em 2009, caso a economia chinesa cresça mais do que o previsto e a japonesa permaneça em forte contração.
BRIC em recuperação
Na visão da revista britânica The Economist, os países do BRIC – bloco de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China – vai sair da crise mais rapidamente que os países ricos.
“Os maiores mercados emergentes (representados pelo BRIC) estão se recuperando rapidamente e começando a acreditar que a recessão pode marcar mais um momento da mudança global, que vê o Ocidente perdendo poder econômico”, diz o texto.
Arrecadação menor em 2009
A crise econômica mundial e a desoneração de impostos vão acarretar uma arrecadação menor de impostos em 2009. Para o mestre em finanças públicas da FGV (Fundação Getulio Vargas) Amir Khair, o governo vai recolher cerca de 35% do PIB em impostos federais, estaduais e municipais, abaixo dos 35,7% de 2008.
O aumento da arrecadação voltará com a distribuição de renda, mais oferta de crédito e juros bancários menores, observou Khair.
Fusões e aquisições em alta
O mercado brasileiro de fusões e aquisições voltou a ficar aquecido, segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers. De janeiro a maio, 207 operações foram concretizadas.
Desse total, 42% ou 72 negócios tiveram participação de capital estrangeiro, maior volume de transações envolvendo multinacionais desde 2004. No mesmo período do ano passado, o capital externo representou 25% das fusões e aquisições.
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Blog: www.luisnassif.com.br
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