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'Nenhum país está a salvo da crise', diz Lula

08/11 - 08:44 , atualizada às 15:48 08/11 - Redação com agências

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu hoje a reunião do chamado G20 Financeiro, que reúne presidentes de bancos centrais (BCs) e ministros de finanças dos países desenvolvidos e dos principais emergentes, dizendo que "nenhum país está a salvo da crise" e pedindo que os países evitem a "tentação do protecionismo" como saída para a crise financeira, pois não interessa a ninguém uma redução do comércio.

 

Lula defendeu também a retomada da Rodada do Desenvolvimento de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O Brasil acredita que os países devem evitar a tentação de usar o protecionismo financeiro e comercial como artifício para superar a crise. É necessário mais integração, mais comércio, menos distorções e menos protecionismo", ressaltou.

Assista abaixo a um trecho do discurso de Lula

 

Lula disse que "um dos efeitos mais preocupantes da crise ocorre no comércio. Com a já anunciada recessão, os países ricos vão a reduzir as exportações, o que afetará a balança comercial dos países pobres". Para Lula, "é o momento para o impulso final da Rodada de Doha".

"Nova arquitetura"

Lula fez um apelo por mudanças na maneira como as instituições financeiras são administradas e pediu a criação de uma "nova arquitetura financeira", dando mais voz aos países em desenvolvimento. O presidente também pediu que os países desenvolvidos dêem uma rápida resposta à desaceleração econômica causada pela crise de crédito.

Mantega, Lula e Meirelles na reunião do G20 / Foto: Agência Brasil

"As políticas de cada país não podem transferir risco a outros países. Cada país deve assumir suas responsabilidades", disse o presidente. Ele destacou que a superação da atual crise passará pela cooperação entre países ricos e emergentes e pediu que os países não recorram ao protecionismo como forma de enfrentar as dificuldades.

Lula disse que um dos efeitos da crise foi o colapso da confiança nos mercados, que levou à escassez de crédito e fez com que os empréstimos ficassem mais caros mesmo para países mais preparados como o Brasil.

Apesar da crise financeira, porém, Lula disse que no Brasil serão mantidas todas as obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). O presidente afirmou que a crise financeira global não pegou o Brasil desprevenido e prometeu que o governo não deixará que o crescimento econômico do país seja prejudicado. "Meu governo e a sociedade fizemos sacrifícios e agora começamos a colher os frutos... ampliou-se se nosso mercado interno, o que nos protege muito da crise internacional", disse Lula. "O governo não permitirá que nosso crescimento seja comprometido", acrescentou o presidente.

Bancos

Lula cobrou que os agentes financeiros privados internacionais observem regras internas de governança corporativa e de transparência de informações relevantes, ao mercado e a sociedade, sobretudo aquelas relacionadas aos riscos dos investimentos e os ativos financeiros. O presidente também ressaltou que as políticas nacionais e as instituições financeiras internacionais devem incorporar em suas práticas a prevenção de crises financeiras, além de empregar mecanismos de supervisão e de acompanhamento dos mercados.

De acordo com ele, as instituições financeiras devem se adaptar à nova situação econômica e em meio aos crescentes riscos do mercado financeiro, o Estado deve buscar um equilíbrio e a promoção do desenvolvimento econômico. "Os setores que expuseram o mundo ao risco agora têm de oferecer mecanismos para a retomada da estabilidade", disse Lula.

Com informações da Reuters, da Efe e da Agência Estado

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