Mutantes regressam aos anos 1960 com novo CD

Sérgio Dias segue com o grupo e lança Haith or Amortecedor

Jon Pareles, The New York Times |

Há algo de insolente, quixotesco e melancólico em um compositor de 57 anos determinado a voltar ao tipo de som que fazia quando adolescente, especialmente quando o autor é Sérgio Dias, guitarrista da banda Os Mutantes , que lançou seu primeiro álbum em 1968.

O grupo estava no centro do movimento Tropicália: uma colagem modernista, anárquica, às vezes absurda, às vezes rebelde, de estilos brasileiros novos e velhos com rock e pop importados. A música era grande parte da era psicodélica, distorcida no Brasil pela vida sob uma ditadura militar; seu júbilo foi composto de ironias e riscos. Agora, 35 anos depois do último álbum em estúdio dOs Mutantes, Dias criou um novo disco de pop maluco, Haith or Amortecedor (Haith significa corvo na língua indígena shoshone).

Em Os Mutantes original, Dias escreveu músicas com Arnaldo Dias Baptista, seu irmão mais velho, e com a cantora Rita Lee, os quais haviam saído da banda à época que Os Mutantes fizeram seu último álbum de estúdio em 1974. Uma turnê de 2006 dos Mutantes reuniu os irmãos Dias, mas Arnaldo saiu de novo, e Sérgio contratou uma banda nova, com Bia Mendes no lugar de Lee. Os Mutantes atuais incluem apenas um de seus ex-companheiros de grupo: Dinho Leme na bateria.

Haih or Amortecedor é um regresso deliberado mas feliz. As canções novas reafirmam o som do começo dos Mutantes: um rock e pop dos anos 1960 raro e de livre associação, com tradições regionais brasileiras, toques elaborados e arranjos vocais, e os solos de guitarra de Dias. Em 2000 e Agarrum ¿ sequência de 2001, música que Os Mutantes lançaram em 1969 ¿ o forró com a força do triângulo do nordeste do Brasil colide de forma genial com os interlúdios de desenho e bolero. Os Mutantes usam samba e pop em O Careca, de Jorge Ben, rock de garagem orquestrado em Querida Querida e tons egípcios no rock folk de Teclar.

Metade das músicas do disco foi escrita por Dias com outro colaborador original e ocasional da Tropicália nos anos 1960: Tom Zé. O jogo de palavras de Zé pode se tornar conceitual; Anagramma, uma balada com sha-la-las, corta a última sílaba de muitas palavras. Os Mutantes criaram uma abordagem mordaz com relação à política em Bagdad Blues, que coloca Saddam Hussein em um cabaré, e em Samba do Fidel, que cita chefes de estado como Chávez, Lula e Obama.

Para todos os enigmas verbais e arranjos camaleônicos, os revividos Mutantes raramente soam calculados ou planejados. A resposta deles para realidades sombrias é inventividade maníaca e otimismo pretendido. Quando chegam ao refrão de Neurociência do Amor - "Let us sing to the rainbow of love all together/Yes, singing the music of life we are all one (Vamos cantar para o arco-íris do amor juntos/Sim, ao cantar a música da vida somos todos um) ¿ parece que eles estão falando sério e que, de alguma forma, os anos 1960 não terminaram.

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