Mac DeMarco: "Brasil foi o lugar onde os ingressos esgotaram mais rápido"

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Cantor e compositor canadense esteve com a turnê do disco "Salad Days" em shows pelo País; Leia entrevista ao iG

O cantor e compositor canadense Mac DeMarco esteve no Brasil para quatro apresentações (Rio de Janeiro no dia 18, São Paulo nos dias 19 e 20 e Porto Alegre na sexta, 21). O músico mostrou seu rock cheio de molecagem por onde passou, divertindo com irreverência e melodias tiradas de uma guitarra gasta que custou a Mac simbólicos 30 dólares canadenses (cerca de R$ 62).

Mac DeMarco em show no Sesc Belenzinho, na quarta-feira(19). Foto: André Peniche/DivulgaçãoMac DeMarco em show no Sesc Belenzinho, na quarta-feira(19). Foto: André Peniche/DivulgaçãoMac DeMarco em show no Sesc Belenzinho, na quarta-feira(19). Foto: André Peniche/DivulgaçãoMac DeMarco em show no Sesc Belenzinho, na quarta-feira(19). Foto: André Peniche/DivulgaçãoMac DeMarco em show no Sesc Belenzinho, na quarta-feira(19). Foto: André Peniche/Divulgação

Nas duas apresentações paulistanas, que aconteceram no Sesc Belenzinho, Mac fez piadas e caretas, imitou vozes, carregou o produtor dos shows nos ombros, chamou um casal ao palco, pulou na plateia, acendeu cigarros (o que é proibido pela lei antifumo em lugares fechados), brindou com cerveja popular, autografou cada papelzinho, pôster e disco que apareceu e se divertiu tanto quanto a plateia.

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A empolgação faz sentido. Mac não se lembra de ter visto os ingressos de seus shows se esgotarem tão rápido (no mesmo dia de abertura das vendas) em outro lugar onde tocou até o momento. "O que é muito curioso, porque estou tão longe de casa", disse em entrevista ao iG.

Os shows tiveram músicas dançantes como "Cooking Up Something Good" e a nova "Treat Her Better", além de trechos de Beatles, Metallica e até a sensual "Wicked Games", de Chris Isaak, com vocais de Mac e do caricato baixista Pierce McGarry.

O músico está no País com a turnê de "Salad Days", que será lançado oficialmente em abril. Antes, lançou "2" (2012), "Rock and Roll Night Club" (2012) e outros trabalhos caseiros sob o nome Makeout Videotape. Recentemente, gravou um projeto com o rapper norte-americano Tyler, The Creator, a ser lançado em breve.

Leia a entrevista com Mac DeMarco feita pouco antes do primeiro show em São Paulo.

iG: O que você está achando do estilo de vida dos brasileiros?
Mac DeMarco: Acho que as pessoas aqui são bem descontraídas, o que é bom, sem correria, tipo: 'Não se preocupe tanto com as coisas'. Moro em Nova York e lá é sempre: 'Vamos, vamos, vamos!'. As pessoas aqui são tranquilas, estou gostando.

iG: Você já declarou que prefere escrever sobre amor em vez de temas como turnês ou festas. O amor guiou as letras em "Salad Days"?
Mac DeMarco: De um certo modo sim, as letras são sobre a minha vida e parte dela é a minha namorada, então o amor está presente sim, mas em outras letras nem tanto. O amor é algo fácil de escrever sobre.

iG: Você tem uma fórmula para fazer música?
Mac DeMarco: Acho que uso uma fórmula clássica para fazer canções, tipo: 'verso, refrão, verso, ponte, refrão'. Normalmente, componho na guitarra primeiro e depois penso nas letras que cabem bem. Fiquei fazendo assim por muito tempo e agora comecei a gostar de compor só com as letras no piano ou na guitarra. Gosto de gravar o mais rápido possível, é divertido para mim.

iG: Por que você escolheu usar essa guitarra de 30 dólares canadenses?
Mac DeMarco: Comprei essa porque, quando estava crescendo, vi que vários moleques legais tinham guitarras muito ruins. Então pensei: 'Tenho de ter uma guitarra dessas'. Não toquei com ela nos primeiros anos, eu tinha uma guitarra ótima. Mas me mudei para Vancouver quando fiz 18 anos e comecei a fazer shows. Passei a tocar com essa guitarra e, às vezes, era muito difícil de usar. Alguns guitarristas ainda me olham e pensam: 'Que merda de guitarra é essa?', mas não quero mudar, porque sinto que tenho de tocar com ela. Eu sei como fazer com que soe bem.

iG: Você se imaginaria fazendo músicas de outros gêneros, como hip hop?
Mac DeMarco: Não! Acho que não consigo me ver fazendo isso.

iG: E como foram as colaborações com o Tyler, The Creator?
Mac DeMarco: Toquei com ele em programas de TV e temos um disco que deve sair no verão (para o hemisfério norte). É um disco duplo que estamos fazendo juntos.

iG: Você sempre gostou de rock?
Mac DeMarco: Gosto muito de rock, gosto de melodias e para mim elas são mais fáceis de fazer. Mas gosto também de ambient music, mas não seria uma pessoa que faria dance music ou coisa parecida. Curto estilos diferentes, instrumentos malucos, talvez tente isso em algum momento.

iG: O que você tem achado da cena músical canadense de hoje?
Mac DeMarco: O Canadá é um lugar bem grande e tem várias cenas diferentes, como a de Vancouver que é bem sólida, Toronto tem uma cena legal, Montreal também e outras cidades têm as suas próprias cenas desenvolvidas por lá. Em Montreal, por exemplo, tem muitos músicos, mas não necessariamente todos são do mesmo movimento. É como se eles estivessem lá só porque estão indo bem, o que acaba ficando um pouco estranho.

Divulgação
Mac DeMarco (acenando) e sua banda

iG: Quais são os seus nomes favoritos de rock canadense?
Mac DeMarco: Curto o Sean Nicholas Savage, tem uma banda de Montreal que se chama Each Other que é muito boa, meu guitarrista tem uma banda chamada Homeshake, que é ótima, meu baterista e o baixista têm um grupo chamado Walter TV, de que gosto muito. Eu poderia ficar falando os nomes das bandas dos meus amigos para sempre!

iG: O que mudou em sua vida agora que virou uma estrela no meio indie?
Mac DeMarco: É muito, muito louco. Nunca achei que fosse chegar a esse ponto. Toquei durante cinco anos, mas as coisas aconteciam de uma maneira muito lenta, fazíamos um show aqui, depois outro ali com um pouco mais de gente, as coisas estavam engatinhando. Então, a Pitchfork escreveu sobre a gente, assinamos com uma gravadora e tudo aconteceu muito rápido. Mas estava preparado, tenho feito isso há um tempo e estou muito feliz que as coisas estejam realmente acontecendo. E continua uma loucura. Olha para mim, estou em São Paulo.

iG: Pouco tempo atrás isso era um cenário impossível?
Mac DeMarco: Há um ano e meio, a gente pensava: 'Cara, seria muito legal se a gente tocasse na Europa um dia'. Agora já fizemos turnês por lá umas cinco vezes. A gente achava que ir para a América do Sul era coisa para bandas grandes, que nunca conseguiríamos. E estamos aqui, isso é tão maluco.

iG: E os ingressos esgotaram em horas. É sempre assim?
Mac DeMarco: Uau, não. Temos vendido bastante ingresso, mas acho que o Brasil foi o lugar onde os ingressos esgotaram mais rápido. O que é muito curioso, porque estou tão longe de casa. A galera estava há bastante tempo escrevendo para eu vir ao Brasil. Agora que vim, mudaram os pedidos. Agora é: 'Venha para a Rússia'.

iG: Qual foi o momento em que você percebeu que o sucesso estava começando a acontecer?
Mac DeMarco: Acho que as pessoas gostaram muito do disco anterior ("2"). E também o dia em que fizemos um show como atração principal no Brooklyn (Nova York), pela primeira vez. Naquele dia, pensei: 'Uau, isso é uma loucura!". Também aconteceram outros lances marcantes durante as turnês. Ainda não deu tempo para pensar direito sobre isso, mas tudo tem sido bem legal.

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