O cantor Roberto Carlos é insubstituível? Músicos e produtores falam ao iG

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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Para artistas e especialistas, nunca haverá outro "Rei" na música brasileira porque a indústria fonográfica atual impossibilita a criação de um popstar nos moldes do autor de "Detalhes"

Quem é o novo Roberto Carlos? Surgirá algum dia um substituto para Roberto Carlos? Para diversos artistas e especialistas ouvidos pelo iG, o Rei é insubstituível e seu trono ficará vago quando se aposentar. Não apenas pelo talento do cantor de 72 anos nascido em Cachoeiro de Itapemirim, mas porque as engrenagens da indústria da música atual impossibilitam o aparecimento de um ídolo com a dimensão de Roberto Carlos.

Roberto Carlos canta no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Foto: AgNewsRoberto Carlos. Foto: ReproduçãoRetrato do cantor e compositor Roberto Carlos em 1969. Foto: AERoberto Carlos canta no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Foto: AgNewsRoberto Carlos e Maria Bethânia durante ensaio para o especial de fim de ano do cantor (1981). Foto: AEO cantor e compositor Roberto Carlos em show em São Paulo, em 1988. Foto: AERoberto Carlos e Luciano Pavarotti em show em Porto Alegre, em 1998. Foto: Agência O GloboErasmo Carlos recebe Roberto Carlos na comemoração dos seus 70 anos, no Rio. Foto: AERoberto Carlos canta no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Foto: AgNewsRoberto Carlos durante apresentação no Rio de Janeiro para o Especial de Fim de Ano de 2004. Foto: AEO cantor Roberto Carlos ri durante entrevista coletiva. Foto: AERoberto Carlos distribui rosas para fãs após show em navio, em 2008. Foto: AE

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Em 1960, quando Roberto Carlos apareceu para o Brasil, o funcionamento do mercado fonográfico incentivava a criação de popstars. Gravadoras investiam grandes recursos para divulgar seus (poucos) artistas e tinham o apoio de meios de massa como a televisão e o rádio.

Roberto tornou-se conhecido com a ajuda do programa de TV "Jovem Guarda", que ele apresentou ao lado de Erasmo Carlos e Wanderléa a partir de 1965, na TV Record. O programa deu nome ao movimento que popularizou o rock brasileiro entre a juventude dos anos 1960.

Atualmente o funcionamento da indústria da música é completamente diferente. Devido em grande parte às ferramentas digitais, as gravadoras perderam o controle do mercado - e, com menos poder, não conseguem mais investir tanto na divulgação de seus artistas.

O músico Tatá Aeroplano, que vê Roberto Carlos como um "muso inspirador", acredita que os caminhos atuais seguidos pela indústria fonográfica não favorecem o surgimento e a consolidação de um novo "rei". "Há compositores incriveis, mas com o tempo isso necessariamente não dialoga mais com o mainstream e não chega (ao público). Não tem mais uma estrutura milionária que faz você virar uma grande estrela para chegar a um grande publico. Tem de ter muito dinheiro."

O cantor Nasi diz que "é difícil imaginar um fenômeno como Roberto Carlos novamente". "Hoje as coisas acontecem de uma forma intensa e rápida. O Roberto passou por muitas fases da música brasileira e não foi só um fenômeno da jovem guarda. Ele se reinventou na carreira em épocas em que os meios de comunicação permitiam mais do que hoje, em que temos os fenônemos de internet."

O produtor musical Carlos Eduardo Miranda analisa de outra maneira. O sucesso de Roberto ocorreu muito por causa do "carisma do artista". "Esse tipo de fenômeno brota sozinho. Esse cara aparece, começa a cantar e o bairro o projeta para a cidade, que o projeta para o Estado. Com certeza, teremos mais alguem assim."

Mas onde estaria o próximo Roberto Carlos? "Quem sabe a Ivete Sangalo não seja isso hoje?", responde Miranda. "É o mais próximo disso, mas mesmo assim alguns elementos faltam a ela, que não fala tão amplamente com o público quanto o Roberto."

"Ninguém quer ser Roberto Carlos"

"Será muito difícil encontrar um cantor com todo o poder artístico de Roberto", afirma o produtor musical Rafael Ramos, que não descarta a possibilidade de esse artista aparecer e se tornar "tão grande quanto".

"Não é a indústria fonográfica que faz o novo Roberto Carlos, mas acho que nenhum artista quer ser o novo Roberto Carlos. Talvez seja o cúmulo da pretensão artística brasileira tomar o lugar do Roberto, e isso não faz parte das características de um 'rei'."

Experiente como jurado por cinco anos no programa de talentos "Ídolos", o produtor musical Marco Camargo sugere que se busque um "novo Roberto Carlos" por todo o País.

"Falta uma seleção, de fato, pelo Brasil inteiro. Os que se inscrevem (nos programas de talentos) são aqueles que têm condição de ir até onde é a inscrição. Eu fico pensando: 'E se o novo Roberto Carlos estiver lá no interior do Amapá? Como a gente poderia descobrir?'. Ainda acho que tem gente muito boa que ainda não foi descoberta."

O funkeiro Mr. Catra se diz fã de Roberto Carlos e considera o cantor como uma referência para as canções sensuais que escreve. "A primeira música sobre sexo que eu ouvi na vida foi 'Cavalgada', que descreve o ato sexual", conta, relembrando a letra. Para Catra, o aparecimento de um novo Roberto Carlos é "impossível" por causa da mudança no cenário musical. "Hoje é diferente. O Roberto é um mito, é movimento, é da jovem guarda. Antes (o mercado fonográfico) era outra coisa."

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