Seis músicas que tentaram mudar o Brasil

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Caetano Veloso, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Elis Regina, Cazuza e Legião Urbana gravaram canções de protesto; veja

Impulsionados pelo aumento nas tarifas do transporte público, manifestantes de diversos pontos do Brasil estão se organizando em grandes protestos. Marchas tomaram as ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Salvador, Vitória, Maceió, Recife, Fortaleza, Belém, entre outras cidades.

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Em 1978, Chico Buarque cantava 'Cálice', que esconde na letra crítica a ditadura militar. Foto: ReproduçãoA canção "O Bêbado e o Equilibrista" ficou famosa na voz de Elis Regina. Foto: AE"Pra Não Dizer que Não Falei das Flores", cantada por Geraldo Vandré, ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção de 1968. Foto: DivulgaçãoCaetano Veloso, voz de "É Proibido Proibir". Foto: Carlos Augusto GomesCazuza laçou "Brasil" em 1988, no álbum "Ideologia". Foto: Divulgação/Vania ToledoO cantor Renato Russo, do Legião Urbana, escreveu e cantou "Que País É Este". Foto: AE

No período em que o Brasil foi governado pelos militares (1964-1985), artistas deixaram na história músicas de protesto ao regime - por isso, muitos foram reprimidos e punidos. Mesmo após a ditadura, os problemas sociais e políticos do Brasil foram e continuam sendo apontados em canções de grupos como Titãs, Racionais MC's, Dead Fish, Ratos de Porão, Criolo e Emicida, entre tantos outros.

Recentemente, a letra do jingle de um comercial da Fiat foi incorporada ao movimento contra o aumentos das tarifas de transporte. O tema "Vem Pra Rua", criado por uma agência publicitária e interpretado pelo grupo O Rappa, virou hashtag popular nas redes sociais e participou, ainda que sem intenção, das manifestações.

O iG selecionou seis músicas brasileiras de protesto. Veja os vídeos:

música: "Cálice"
Chico Buarque e Milton Nascimento, com participação de Gilberto Gil
trecho marcante: "Como é difícil acordar calado/ Se na calada da noite eu me dano/ Quero lançar um grito desumano/ Que é uma maneira de ser escutado"
contexto: O título da música é um jogo de palavras que mostra a ambiguidade entre "cálice" e "cale-se". Composta em 1973 por Chico e Gil, só pode ser lançada em 1978 por causa da forte censura do período. Pouco antes de "Cálice" ser composta, Chico viveu um auto-exílio na Itália, em 1969. Gil também esteve exilado por causa da ditadura e só retornou ao País em 1972.

música: "O Bêbado e a Equilibrista"
João Bosco e Aldir Blanc, gravação de Elis Regina
trecho marcante: "Chora a nossa Pátria Mãe gentil/ Choram Marias e Clarisses/ No solo do Brasil"
contexto: Lançada em 1978, deixou Elis Regina encantada com a letra, tanto que a cantora é a mais famosa interprete dessa música. Um hino da anistia, faz referência às viúvas de presos políticos (Maria, viúva de Manuel Fiel Filho, e Clarisse, viúva de Vladimir Herzog) e ao exílio de intelectuais como o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

música: "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores"
Geraldo Vandré
trecho marcante: "Há soldados armados/ Amados ou não/ Quase todos perdidos/ De armas na mão/ Nos quartéis lhes ensinam/ Uma antiga lição/ De morrer pela pátria/ E viver sem razão"
contexto: Levou o segundo lugar no Festival Internacional da Canção, em 1968, e se tornou um hino de todos que buscavam a abertura política. Com o acirramento da repressão a partir do Ato Constitucional nº 5 (1968), Vandré foi exilado no Chile, Alemanha e França. Quando retornou ao Brasil, em 1973, continuou a ser acompanhado de perto pelos militares.

música: "É Proibido Proibir"
Caetano Veloso

trecho marcante: "E eu digo não/ E eu digo não ao não/ Eu digo: É!/ Proibido proibir"
contexto: A primeira apresentação da música, cantada por Caetano ao lado dos Mutantes no 3º Festival Internacional da Canção, em 1968, durante a ditatura, teve péssima recepção. O público presente no Teatro da PUC vaiou, arremessou tomates e outros objetos. Pouco depois, em 1969, Caetano foi preso pelo regime militar e partiu para exílio político em Londres.

música de protesto: "Brasil"
Cazuza
trecho marcante: "Brasil!/ Mostra tua cara/ Quero ver quem paga/ Pra gente ficar assim/ Brasil!/ Qual é o teu negócio?/ O nome do teu sócio?/ Confia em mim"
contexto: A faixa faz parte do disco "Ideologia", de 1988, terceiro de Cazuza, e foi composta em parceria com George Israel, do grupo Kid Abelha. Quando foi lançada, "Brasil" simbolizava o período de redemocratização do País, iniciado em 1985 com o fim da ditadura militar e que culminou com a promulgação da Constituição Federal de 1988, que garantia a realização das eleições diretas para Presidente da República.

música: "Que País É Este?"
Legião Urbana
trecho marcante: "Nas favelas, no Senado/ Sujeira pra todo lado/ Ninguém respeita a Constituição/ Mas todos acreditam no futuro da nação/ Que país é esse?/ Que país é esse?"
contexto: "Que País É Este?" também é o nome do terceiro disco do grupo de Brasília. Composta por Renato Russo em 1978, ainda na fase do grupo Aborto Elétrico, foi lançada somente em 1987. A letra ácida critica diretamente a política vigente e mostra o descontentamento vivido pela população no período de regime militar.


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