Fla-Flu: dos gramados para a música

Como a rivalidade entre os times cariocas inspirou composições de Chico Buarque, Caetano Veloso e Arlindo Cruz

iG São Paulo |

Reprodução
O torcedor do fluminense Chico Buarque

Um dos grandes clássicos do futebol brasileiro, o Fla-Flu serviu de inspiração para diversas canções. A mais famosa, dentro desse contexto, é o Hino do Flamengo , escrito por Lamartine Babo e gravado por Gilberto Alves em 1945.

Nele, o autor escreve que "O mais cotado nos Fla-Flus é o 'ai, Jesus!'", expressando o sentimento de desespero da torcida em dias de jogos contra o rival.

Siga o iG Cultura no Twitter

Em 1969 foi a vez de Chico Buarque , torcedor do Fluminense, registrar a rivalidade dos times em uma música. A letra surgiu dias após o nascimento de sua filha, Sílvia Buarque, que recebeu do cantor Ciro Monteiro , flamenguista roxo, uma camisa do time alvinegro.

Em resposta ao presente, Chico compôs "Ilmo. Sr. Ciro Monteiro ou Receita Pra Virar Casaca de Neném" , que acabou mais conhecida pelo seu primeiro verso, "Amigo Ciro". No trecho mais engraçado da música, o autor agradece ao amigo, sem deixar de dizer que "Um pano rubro-negro/ É presente de grego".

Na canção "Boca de Radar" , faixa do álbum "Eu Não Sou Santo", de 1990, Bezerra da Silva utiliza o Fla-Flu como uma gíria, referindo-se ao delator em questão: "O pilantrusca, ele vive rondando na jurisdição/ Se apresentou como evangelista/ Mas esse vigarista é um tremendo espião/ O salafrário na segunda-feira tomou um Fla-Flu".

No mesmo ano, 1990, Guilherme Arantes e Erasmo Carlos escreveram "Bicho Solidão" . Na música, parte do álbum "Pão", a dupla utiliza o clássico do futebol carioca para mostrar o poder da solidão, dizendo que ela "Pode estar num pesadelo/ Que agasalha o sonho blue/ Ou no Maracanã, em dia de Fla-Flu".

Nas mãos dos sambistas Arlindo Cruz e Franco a disputa ganhou tons de relação amorosa. Em "Fla-Flu", de 1992, eles descrevem o amor por Guiomar como "um Maracanã em dia de Fla-Flu". "Pra começar me dava bola o tempo todo sem parar/ Me deixava louco para cruzar/ Toma lá dá cá", diz a letra do samba.

iG Esporte:  Fla-Flu inspirou escritores nos últimos cem anos

Photocamera
Fla-Flu: rivalidade entre times inspirou músicas de Chico Buarque, Arlindo Cruz e Caetano Veloso

É com bom-humor que a dupla Caju & Castanha retrata a disputa em "Desafio do Fla-Flu" , faixa do disco "Embolando no Futebol", de 2005. Apesar de trocar ofensas durante a letra, como "O Flamengo não tem classe/ A ralé tá toda do seu lado/ Tá cheia de marginal/ Não tem um civilizado" e "Fluminense já tá morto/ Virou uma baixaria/ E a torcida agora/ Só vive de fantasia", ao fim ocorre a reconciliação com os versos "Está tudo zero a zero/ Fla e Flu é meu companheiro/ Dois times de tradição/ Aqui no Rio de Janeiro".

Mais experimentalista é a trilha criada por Caetano Veloso e Zé Miguel Wisnik para o espetáculo "Ongotô", lançado pela companhia de dança Grupo Corpo em 2005. Os times cariocas são citados nas faixas "Fla Flu" e "Big Bang Bang". Em forma de poesia concreta, a primeira mistura sons acompanhados apenas da expressão "Fla-Flu", enquanto a segunda diz que "O sopro divino criador cantou Fla-Flu/ Faça-se a luz".

Em 2009 Gabriel o Pensador lançou "Pimental e Sal" , parte da trilha sonora da novela "Caminho das Índias". Na letra o embate entre as equipes é lembrado como local onde as torcidas fazem rimas naturalmente: "Na embolada a rima é natural/ É feito grito na arquibancada ou na geral/ Quando a torcida faz um carnaval/ Lá no Fla-Flu ou no Ba-Vi ou no Grenal".

Até a publicação dessa nota o Flamengo superava o Fluminense em vitórias nos Fla-Flus, com 139 contra 123 - além de 127 empates. Saiba mais no Especial Fla-Flu 100 anos .

    Leia tudo sobre: Fla-FluFlamengoFluminenseChico BuarqueArlindo Cruzmúsica

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG