De inspiração em "Crepúsculo" a Hollywood: o fenômeno "Cinquenta Tons de Cinza"

Como uma história sadomasoquista estrelada pelos personagens de Stephenie Meyer se tornou um sucesso editorial

iG São Paulo |

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A escritora E.L. James

A história por trás de "Cinquenta Tons de Cinza", livro erótico que vendeu mais de 10 milhões de exemplares pelo mundo, é tão curiosa quanto as peripécias sadomasoquistas de seus personagens.

Ela começa em 2010, em Londres, onde Erika Leonard dividia seu tempo entre a família e o emprego numa emissora de televisão. Casada há duas décadas com o autor Niall Leonard, com quem tem dois filhos, Erika começou a gastar algumas horas publicando "fan fictions" na internet.

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O termo, cuja tradução em português é "ficção de fã", se refere a histórias inéditas que utilizam personagens já existentes na literatura, cinema ou TV. No caso do material escrito por Erika, os protagonistas eram o vampiro Edward e sua amada Bella, personagens principais da saga "Crepúsculo".

Diferentemente das histórias escritas por Stephenie Meyer, em que a relação dos protagonistas é descrita com pudor e inocência, nas mãos de Erika o casal vive um tórrido romance recheado de cenas de sexo e sadomasoquismo.

A reclamação de alguns leitores das "fan fictions" de "Crepúsculo", acostumados com o estilo de Meyer, fez com que Erika transferisse "Master of the Universe" ("Mestre do Universo", em português) para seu próprio site, FiftyShades.com . Lá, ela reescreveu a trama em três partes, trocando os personagens principais pela estudante Anastasia Steele e o bilionário Christian Grey.

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"Tudo começou como uma 'fan fiction' de 'Crepúsculo', mas Erika decidiu encerrá-la após algumas queixas relacionadas ao tom picante da história. Se você ler 'Cinquenta Tons de Cinza' verá que não tem nada de 'Crepúsculo' em suas páginas", defendeu o agente de James em entrevista à Deadline.

Apesar de não esconder sua origem, os arquivos de "Master of the Universe" foram apagados da internet, o que impossibilita qualquer leitor de fazer uma comparação. Questionada sobre as semelhanças entre a "fan fiction" e o livro, a editora de James garantiu que "Masters of the Universe" e "Cinquenta Tons de Cinza" são "duas histórias distintas".

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Leitoras durante a entrevista de E.L. James na livraria Barnes & Noble, Nova York, 2012


O primeiro livro, "Cinquenta Tons de Cinza", foi lançado na internet em maio de 2011 pela editora virtual The Writers' Coffee Shop. Os volumes seguintes, "Cinquenta Tons Mais Escuros" e "Cinquenta Tons de Liberdade", saíram no mesmo formato em setembro de 2011 e janeiro de 2012, respectivamente.

A trilogia se tornou um fenômeno principalmente pelo boca a boca entre suas leitoras, em sua maioria mulheres casadas com mais de 30 anos. O fato fez com que a obra fosse classificada nos EUA como "pornô para mamães".

Império erótico

O sucesso de vendas de "Cinquenta Tons de Cinza" na internet fez com que a editora Vintage Books comprasse os direitos de impressão dos livros. No Brasil, a primeira parte da trilogia chega em 1º de agosto pela editora Intrínseca, que teria pago R$ 1,6 milhão para incluir os livros em seu catálogo.

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Divulgação
Capa de "Cinquenta Tons de Cinza"

Como acontece com outros fenômenos editoriais, "Cinquenta Tons de Cinza" vai virar filme. Os direitos da adaptação foram comprados pela Universal Pictures em março de 2012, com uma clausula que dá à autora, E.L. James, o direito de participar da produção.

Apesar de não haver confirmação, o escritor Bret Easton Ellis, de "Psicopata Americano", expressou interesse em escrever o roteiro do filme, enquanto os atores Ian Somerhalder e Ashley Benson se candidataram a estrelá-lo.

Rumores apontam ainda Angelina Jolie como possível diretora do longa - a atriz, que lançou recentemente seu primeiro trabalho na direção, "In the Land of Blood and Honey", não comentou o assunto.

Enquanto sucessos como "Crepúsculo", "Jogos Vorazes" e "As Crônicas de Gelo e Fogo" esperaram por suas adaptações para investir em merchandising, "Cinquenta Tons de Cinza" vai estampar uma série de produtos antes de sua versão cinematográfica.

A autora E.L. James preferiu não esperar pelo filme e contratou, em junho, a empresa Caroline Mickler Limited para gerenciar a marca. O resultado deve surgir em breve, com a franquia divulgada em produtos como lingeries, perfumes, produtos de beleza e aparatos eróticos.

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