“Xingu” tem primeira exibição mundial em Manaus

Filme de Cao Hamburguer abre o 8º Amazonas Film Festival; assista ao trailer

Valmir Moratelli, enviado a Manaus (AM) |

Com um território maior do que o da Bélgica, o Parque Nacional do Xingu completou neste ano cinquenta anos. Abrindo o 8º Amazonas Film Festival (AFF), o filme “Xingu” levou centenas de convidados ao tapete vermelho do imponente Teatro Amazonas, na praça São Francisco, centro de Manaus.

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O filme de Cao Hamburger teve sua primeira exibição mundial na capital amazonense, na noite desta quinta-feira (3). Fernando Meirelles , produtor do longa e presidente de honra festival, foi homenageado antes da sessão. “Espero que a geração atual que se inicia da arte do cinema possa replicar a história de confrontos e lendas que dominam a Amazônia”, disse Meirelles, emocionado ao ganhar uma homenagem no palco. De presente, recebeu uma rede feita por índios e um quadro do artista plástico Luiz Mendes.

Divulgação
Cena do filme "Xingu": Caio Blat, Felipe Camargo e João Miguel como os irmãos Villas-Bôas
O filme retrata a saga de três irmãos que decidem viver uma grande aventura e, aos poucos, entram na maior briga de suas vidas. Orlando (27 anos), Cláudio (25) e Leonardo (23) Villas Bôas alistam-se na expedição Roncador-Xingu e partem em uma missão desbravadora pelo Brasil Central. Numa viagem sem paralelo na história, os irmãos Villas Bôas brigam pelos direitos indígenas à terra e, após diversos percalços sociais e políticos, conseguem fundar o Parque Nacional do Xingu.

Fica clara a intenção de abordar o empreendimento ousado dos irmãos desbravadores pelo interior de um Brasil que não se conhecia por inteiro até meados do século passado. Foram mil quilômetros de rios percorridos, 19 campos de pouso abertos, 43 vilas e cidades desbravadas e 14 tribos contatadas, além das mais de 200 crises de malária. Durante o longa, o público também fica por dentro da relação nem sempre amistosa entre os três protagonistas – o que culmina com a ruptura do caçula com os demais.

Noite emblemática

O público compareceu em peso. Horas antes da abertura oficial, as ruas próximas estavam completamente congestionadas. Uma multidão se aglomerou nas grades em frente ao teatro, para acompanhar a movimentação pelo tapete vermelho. Um sósia de Charlie Chaplin dava as boas vindas aos convidados.

Cao Hamburger se mostrou satisfeito com a recepção do público e explicou porque negou os insistentes convites para lançar o longa no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo . “É uma noite especial estar no coração da Amazônia para a primeira exibição pública do filme. É um tanto mágico, emblemático. Queria dizer que Fernando Meirelles é uma espécie de mistura do Orlando com Claudio”, comparou o diretor, arrancando aplausos do público que lotou o cinema.

Já o secretário de Cultura do Amazonas, Robério Braga, destacou a força do festival e anunciou para o próximo ano a criação do curso de cinema na universidade federal. “O Brasil precisa se assumir amazônico. Este festival insiste em tirar do eixo Rio–São Paulo o polo cultural do País”, disse.

Após esta première mundial e a abertura oficial do festival, um coquetel foi servido aos convidados, ao som do grupo Imbaúba. Felipe Camargo (que interpreta Orlando) e João Miguel (Claudio) foram bastante assediados na saída. Seguranças precisaram reforçar o esquema em torno dos atores. Caio Blat (intérprete de Leonardo) não pôde estar presente.

O filme também tem no elenco índios que, em atuações corretas, dão o tom certo à narrativa repleta de belas cenas da Amazônia. Destaque para os índios Pirakuman e Totomai, da etnia Yawalapiti, e o índio Maiauim, da etnia Kaiabi. “Xingu” tem estreia prevista para abril do ano que vem.

* O repórter viajou a convite da organização do Festival

Assista ao trailer do filme "Xingu":

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