Documentário de Bial sobre Mautner abre festival “É Tudo Verdade” no Rio

Por causa do BBB, o jornalista não conseguiu chegar a tempo para a exibição

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Pedro Bial, Jorge Mautner e Heitor D´Alincourt: noite de abertura do "É Tudo Verdade"
Uma noite para homenagear a vida e a obra de um dos mais multifacetados artistas da cultura brasileira. Dirigido por Pedro Bial e Heitor D´Alincourt, o documentário “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto” foi exibido nesta sexta-feira (23) para convidados no Rio, na abertura da edição carioca do festival “É Tudo Verdade”.

Leia também: Festival "É Tudo Verdade 2012" exibe documentários de 27 países

Divulgação
Jorge Mautner com a filha Amora no colo
O longa mostra a trajetória do compositor, violinista, poeta, escritor e cantor carioca – filho de pai judeu e mãe católica, ambos austríacos, que chegaram ao Brasil fugindo do regime nazista de Adolf Hitler. Os fatos que formaram Jorge Mautner nesse artista versátil, que mescla em sua obra diversas influências e personifica sua teorias da amálgama do Brasil e do Kaos, estão registrados em 93 minutos.

Ouça as todas músicas de Jorge Mautner

São retratados no documentário por meio de depoimentos, fotos e imagens raras de arquivo a infância dividida entre o Rio e São Paulo, a separação dos pais, a fase galanteador na adolescência, a amizade com Gilberto Gil e Caetano Veloso , a aproximação com a Tropicália e a relação carinhosa com a filha Amora Mautner.

Todos os pontos são costurados por canções de Mautner – entre elas, clássicos como “ Maracatu Atômico ”, “ Lágrimas Negras ” e “ Vampiro ” – interpretados por ele, Caetano Veloso ou Gilberto Gil. A trilha sonora, que no futuro será lançada em CD, deixa fãs satisfeitos e, aqueles que não conhecem a obra, ávidos por mais. Filmado em quatro dias, o documentário chama a atenção ainda pelo seu apuro estético, com uma direção de arte caprichada e luz e fotografia de encher os olhos do espectador.

Divulgação
Jorge Mautner na juventude
“Toda vez que assisto ao filme sinto uma emoção muito grande, sempre fico muito impactado. O trabalho do Heitor e do Bial foi formidável na pesquisa e na hora de transmitir a emoção. O filme tem uma qualidade incrível: é artístico e de uma comunicação total”, avaliou Jorge Mautner, ao iG , durante o evento no Rio.

Siga o iG Cultura no Twitter

Para o diretor Heitor D´Alincourt, aqueles que não conhecem Mautner se surpreendem com o personagem ao ver o documentário. Segundo ele, o rótulo de maldito, rejeitado pelo cantor, faz parte do passado.

“Hoje, o Jorge é muito mais palatável. As novas gerações o vêem de outra forma. Nos anos 70, o maldito era algo legal, um cara contestador. Mas, para a carreira das pessoas, isso não era bom. O mercado se fechava. O tempo foi tirando essa casca do Jorge. Hoje, ele é um ícone pop”.

O crítico Amir Labaki, idealizador e diretor do “ É Tudo Verdade ” abrir a edição carioca do evento com “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto” e o lado paulistano da mostra com “Tropicália”, de Marcelo Machado, é um marco para o festival que chega a sua 17ª edição.

Divulgação
Caetano Veloso e Jorge Mautner
“Escolhemos os dois por formarem um par. Vimos que eles navegavam mais ou menos pelas mesmas águas, com estilos totalmente diferentes. Um filme é mais épico e, o outro, mais intimista. Um dava conta de um movimento cultural e, o outro, de um personagem. Gostamos disso. Têm cenas que fazem parte dos dois filmes”, disse.

Por causa da reta final do Big Brother Brasil , Pedro Bial chegou ao evento quando a exibição já tinha acabado. O apresentador fez uma aparição ao vivo no reality show para a formação de um paredão e, assim que o programa acabou, saiu do Projac às pressas, mas não conseguiu chegar a tempo.

“Tinha conseguido um helicóptero, mas começou a chover e não consegui utilizá-lo. Estou muito triste. Já pensou estar ausente da sua própria noite de núpcias? Foi o que me aconteceu. Deitaram com minha noiva e eu não estava”, brincou o jornalista. “Mas essa noite é do Jorge. Tomara que o filme sirva para que as novas gerações, e as velhas também, entendam que tem o Jorge Mautner. Que ele está vivo, cheio de energia, fazendo. Se o filme fizer isso, já vai estar bom”, opinou Bial.

    Leia tudo sobre: é tudo verdadedocumentáriojorge mautnerpedro bial

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG