Boa premissa não é suficiente para salvar "O Preço do Amanhã"

Ficção científica com Justin Timberlake se perde em roteiro recheado de cenas de ação e romance proibido

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Divulgação
Amanda Seyfried e Justin Timberlake: dupla age como Bonnie e Clyde em "O Preço do Amanhã"
Imagine um futuro não tão distante do nosso, mas onde ao invés de dinheiro, o tempo de vida de uma pessoa seja o parâmetro para situá-la na sociedade. Para marcar isso, um relógio instalado no braço de cada um revela seu tempo restante, que pode aumentar ou diminuir de acordo com o trabalho desempenhado.

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Além da nova "moeda", o mundo é divido em setores que separam os ricos, aqueles que possuem séculos para gastar, dos pobres, que passam seus dias sem saber se estarão vivos amanhã. O difícil é saber quem é quem pela aparência, pois nessa realidade todos param de envelhecer aos 25 anos, período em que o tal relógio é ativado e passa a correr contra seu dono.

Essa é a premissa de "O Preço do Amanhã", mistura de ação, drama e ficção científica estrelada por Justin Timberlake e dirigida por Andrew Niccol, que já havia abordado em seu primeiro longa-metragem, "Gattaca - Experiência Genética", de 1997, um tema semelhante.

Apesar de ter a luta de classes e a busca por imortalidade e juventude como temas centrais, a produção se perde ao transformar Will Salas, personagem de Timberlake, de operário em mártir dos pobres - com direito a habilidades dignas de um agente secreto.

Acompanhado da jovem rica Sylvia Weis, papel de Amanda Seyfried, eles formam uma versão de Bonnie e Clyde justificada pela rebeldia juvenil da moça somada a uma Síndrome de Estocolmo. Juntos, ambos conseguem enganar sequencialmente o policial veterano interpretado por Cillian Murphy, com direito a uma perseguição de carros que passa longe do crível.

Se trabalhada de forma competente, a premissa de "O Preço do Amanhã" poderia levar a plateia a discussões interessantes, como ocorre, por exemplo, no drama de ficção científica "Não Me Abandone Jamais" . Porém, por receber o tratamento padrão de Hollywood para filmes de ação permeados por romances proibidos, a produção esvazia a possibilidade de reflexões mais profunda. O que é uma pena.

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