Terror estrelado por Sandy, "Quando Eu Era Vivo" tem mais clima do que sustos

Por Luísa Pécora | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Longa que tem também no elenco Antonio Fagundes e Marat Descartes é inspirado em livro de Lourenço Mutarelli

"Quando Eu Era Vivo" estreia nesta sexta-feira (31) como um dos raros filmes nacionais de terror que chegam ao circuito comercial. Sem monstros ou assassinos mascarados, o longa do diretor Marco Dutra aposta menos em sustos e mais em clima, usando luz, som e o poder da sugestão para mexer com o público.

A trama é uma adaptação de "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa", romance do escritor Lourenço Mutarelli, que faz uma "cameo" no filme, interpretando um motorista. O roteiro toma algumas liberdades em relação ao livro, desde a troca de alguns detalhes a cortes de partes da narrativa.

Leia também: Sandy volta aos cinemas em filme de terror

Imagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'. Foto: Divulgação

Marat Descartes é Júnior, um homem deprimido e desajustado que acaba de se separar da mulher. Ele volta ao apartamento do pai, José (Antonio Fagundes), um animado viúvo que aluga o antigo quarto dos filhos para a estudante de música Bruna (a cantora Sandy Leah). 

A volta para casa, que deveria durar apenas alguns dias, traz a Júnior lembranças e sonhos relacionados à infância, principalmente à mãe, adepta do ocultismo, e ao irmão, internado em uma clínica e isolado da família.

Siga o iG Cultura no Twitter

Júnior começa a mexer em caixas e a recuperar objetos e gravações, criando uma obsessão pelo passado e se afastando cada vez mais do pai, que sempre rejeitou o interessa da mulher por eventos sobrenaturais.

A narrativa de "Quando Eu Era Vivo" é menos importante e interessante do que seus aspectos visuais. Dutra acerta ao dar especial atenção a cada detalhe do apartamento, praticamente a única locação do filme, algo que contribui para o clima de opressão.

Divulgação
Imagem do filme 'Quando Eu Era Vivo'


O espaço acompanha a evolução de Júnior e se transforma junto com ele. No início, os ambientes são ensolarados, a decoração é mais moderna e os aparelhos de ginástica tomam a sala. Depois, este local quase antisséptico é contaminado pelo aspecto sombrio dos objetos retirados das caixas - quadros, fotografias, castiçais, louças e enfeites que deixam a casa tão soturna quanto o protagonista.

Em boas atuações, Fagundes e Descartes ajudam a reforçar este contraste: o pai é alegre, namora a vizinha, cuida da saúde; o filho é triste, esquisito, difícil de lidar.

Menos acertada foi a escolha de Sandy, uma aposta que, aliás, tem toda a cara de jogada de marketing. Não que a cantora seja especialmente má atriz - na verdade, o papel nem chega a dar chance para que ela brilhe ou derrape. Mas quando Sandy aparece cantando (e ela canta bastante) com uma flor no cabelo, é difícil disassociá-la de sua própria imagem. 

Uma mudança de visual mais marcante - um corte de cabelo radical, um figurino menos próximo ao de Sandy na vida real - talvez ajudasse a atriz a apagar os traços de celebridade e impedisse que sua presença em cena seja tão quebra-clima em um filme no qual clima é tudo.

Veja o trailer de "Quando Eu Era Vivo":


compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas