"Flores Raras" é o caso clássico de leia o livro, veja a peça e assista ao filme

Por Ana Ribeiro , iG São Paulo |

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Bruno Barreto acerta em cheio ao adaptar para o cinema a história de amor entre a poeta americana Elizabeth Bishop e a empresária carioca Lota de Macedo Soares

O Rio de Janeiro dos anos 50 é onde Elizabeth Bishop desembarca em uma escala na viagem de navio que fazia sem muita direção ao redor do mundo. Tudo ali pareceu estranho para ela: a bagunça, a alegria geral, o calor - humano e atmosférico -, a intimidade com que as pessoas se tratavam.

Vindo de Nova York, ela ficaria hospedada por dois dias na casa de uma ex-colega de escola, a também norte-americana Mary, que vivia com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. O encontro de Elizabeth e Lota é a grande história do filme de Bruno Barreto que estreia nos cinemas nacionais nesta sexta-feira (16).

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Imagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoImagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoImagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: Divulgação

Um acerto de Barreto: tratar o romance entre duas mulheres simplesmente como uma história de amor, sem que isso seja uma questão à parte.

Claro que estão lá as complexidades de um relacionamento feminino, ainda mais entre essas duas mulheres especialíssimas, mas não há nenhum tipo de questionamento por se tratar de um casal homossexual. Elas circulam como um casal, são respeitadas pela sociedade, vão juntas a eventos oficiais. Mesmo hoje, em tempos de Daniela Mercury, Lota e Bishop são talvez o grande exemplo de um casal de mulheres no Brasil.

Outro acerto de Barreto: tratar o filme com delicadeza, pintando as cenas com tons pastel que refletem uma história essencialmente feminina, na qual todas as personagens importantes são mulheres.

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Mais um ponto para Barreto: as cenas de amor e sexo entre as duas são belas, reais, sem fetiches. Intensas e apaixonadas, com beijos, abraços, amassos, cabelos, risadas e zero chavão.

Outra grande - talvez a maior - decisão do diretor foi escalar Glória Pires para o papel de Lota de Macedo Soares. Ela veste a camisa (literalmente) de Lota com a entrega de uma grande atriz e faz uma personagem cheia de nuances.

Divulgação
Miranda Otto, Bruno Barreto e Glória Pires: a equipe de 'Flores Raras'

Lota é uma mulher admirável. Decidida, atuante, influente, verdadeira, ela consegue levar adiante, driblando todo tipo de entrave político e burocrático, a coordenação da construção do Aterro do Flamengo, ainda hoje a paisagem mais bonita do Rio de Janeiro que não foi feita pela própria natureza.

A atriz australiana Miranda Otto encontrou bem o tom de Elizabeth Bishop, uma personalidade que é quase o oposto de Lota: frágil, alcóolatra, insegura, reticente. Porém, na intimidade, é Bishop quem comanda a relação, como o diretor deixa claro já na primeira cena de sexo entre as duas (assista no fim do texto). Por mais que a iniciativa para a aproximação tenha partido de Lota, na hora em que o movimento de atração é inevitável, Bishop assume as rédeas e domina.

O filme é baseado no livro "Flores Raras e Banalíssimas", de Carmem L. Oliveira, e a história de Lota e Bishop já havia sido contada também na peça "Um Porto para Elizabeth Bishop", monólogo estrelado por Regina Braga com texto de Marta Góes. O filme completa a trilogia, fazendo justiça às grandes mulheres que foram Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop, e à linda - e dramática - história de amor que viveram. 

Veja o primeiro beijo e a primeira noite de Bishop e Lota:


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