Brad Pitt luta contra zumbis em "Guerra Mundial Z"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Problemático durante as filmagens, blockbuster produzido e estrelado pelo astro é bom filme de ação

A turbulenta trajetória de "Guerra Mundial Z" até os cinemas incluiu a contratação de quatro roteiristas, o descarte de uma caríssima cena de batalha com 12 minutos de duração, refilmagens, atrasos e um estouro de pelo menos US$ 70 milhões (R$ 155,7 milhões) no orçamento.

Por isso, surpreende que o resultado final, que chega às telas nesta sexta-feira (28), seja um bom filme de ação, com cenas de tirar o fôlego e, ao mesmo tempo, um tom intimista que o diferencia de grande parte dos blockbusters recentes.

Imagem do 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Guerra Mundial Z'. Foto: DivulgaçãoImagem do 'Guerra Mundial Z'. Foto: Divulgação

"Guerra Mundial Z" começou a ser pensado em 2006, quando o estúdio Paramount e a produtora Plan B, do astro Brad Pitt, compraram os direitos de adaptação do best-seller de Max Brooks sobre a batalha global contra uma invasão de zumbis. A direção ficou a cargo de Marc Foster, de "A Última Ceia" e "007 - Quantum of Solace".

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Uma reportagem da revista norte-americana "Vanity Fair" revelou que as filmagens foram caóticas, marcadas por atrasos e custos exorbitantes, e que desde o início Pitt e o estúdio se mostravam insatisfeitos com a parte final do roteiro.

Quando a edição já estava em andamento, Damon Lindelof, criador da série "Lost", foi chamado para solucionar o problema. Lindelof deu duas opções ao estúdio: fazer pequenas alterações no roteiro inicial ou gravar um novo final, que deixaria o herói interpretado por Pitt mais humano e menos "máquina de matar zumbis".

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Mesmo com o orçamento estourado, a Paramount topou gastar mais dezenas de milhões de dólares para ficar com a segunda opção. Isso explica o fato de "Guerra Mundial Z" parecer dois filmes em um.

Divulgação
Brad Pitt em cena de "Guerra Mundial Z"


O longa começa nervoso, sem tempo para grandes explicações. Gerry Lane (Pitt) aparece cozinhando o café da manhã para as filhas e a mulher, num dia normal de sua vida pacata na Filadélfia, pela qual abandonou um perigoso trabalho como funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).

Logo na cena seguinte, quando a família segue de carro a caminho da escola, começam os problemas. Em meio a explosões, pessoas aparentemente infectadas por um estranho vírus atacam outras. Estas caem no chão, tremem, e logo apresentam o mesmo comportamento estranho.

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A palavra "zumbi" demora a ser usada, mas tanto Lane quanto o público sabe que o inimigo tem nome. Em troca de refúgio para a família, Lane aceita voltar ao trabalho e sair em uma missão em busca de cura para a pandemia global.

Esta primeira meia hora de filme reúne os momentos mais frenéticos de "Guerra Mundial Z". As perseguições e sustos criam tensão genuína, ainda que os zumbis não sejam especialmente assustadores - numa tentativa de conseguir censura baixa e ampliar o público.

Diferentemente dos clássicos de George Romero, nos quais os zumbis se movimentam lentamente, em "Guerra Mundial Z" eles são rápidos, rapidíssimos. Com menos "gore" e mais correria, o longa de Foster leva o inimigo a sério e privilegia a ação, não o terror.

Na parte final, porém, o ritmo diminui e as centenas de pessoas que corriam desesperadas pelas ruas de várias cidades dão lugar a poucos personagens conversando em uma sala.

O clima é mais íntimo, quieto, o que não significa um problema. Se não se aprofunda nas questões geopolíticas a ponto de se transformar em alegoria - na linha de "Distrito 9" -, "Guerra Mundial Z" consegue alguma substância ao se distanciar da regra do "mais é mais" que rege a maior parte dos blockbusters.

O final mais humano criado por Lindelof parece se adequar melhor ao próprio Pitt, totalmente confortável no papel do herói bonzinho e pai de família.

Presença calma e serena na tela, o astro é a alma de "Guerra Mundial Z" - que, a julgar pelo final em aberto e o bom desempenho no fim de semana de estreia nos Estados Unidos (o melhor da carreira de Pitt), tem tudo para virar franquia.

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