Filme de Marcelo Galvão escala atores com a doença para estrelar história alegre e permeada por referências cinematográficas

Protagonizado por três atores com síndrome de Down , “Colegas”, que estreia nesta sexta-feira (1º), poderia ser um filme dramático, politicamente correto e disposto a levantar bandeiras. A grande sacada do diretor Marcelo Galvão (de "Rinha" e "Quarta B") foi seguir a linha contrária: abordar a doença, o preconceito e a inclusão em uma comédia leve e divertida que evita dar lições ao público.

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Ganhador do Festival de Gramado de 2012 , “Colegas” ficou conhecido de verdade no mês passado, quando uma campanha para realizar o sonho do ator Ariel Goldenberg de conhecer o astro Sean Penn tomou as rede sociais . Mesmo que a vinda do norte-americano ao Brasil para a estreia pareça improvável, o vídeo estrelado por Ariel deve ajudar a fazer com que o filme caia nas graças do público. 

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A história, de fato, é cativante. Ariel e os atores Rita Pokk (sua mulher) e Breno Viola interpretam, respectivamente, Stallone, Aninha e Márcio, jovens criados em um instituto para pessoas com síndrome de Down. Responsáveis pela videoteca e fãs de cinema, eles tomam a decisão de suas vidas após uma sessão de “Thelma e Louise”: roubar o carro de um dos funcionários e pegar a estrada em busca de seus sonhos – ver o mar, casar e voar.

O diretor Marcelo Galvão e os atores de
Divulgação/Pressphoto
O diretor Marcelo Galvão e os atores de "Colegas" em Gramado

Durante sua tumultada viagem, eles cometem assaltos usando máscaras, armas de brinquedo e frases de filme, são retratados como uma gangue perigosa pela imprensa e perseguidos incessantemente por policiais. O trajeto é permeado por aventuras e referências cinematográficas – “Titanic”, “E o Vento Levou”, “Cães de Aluguel” e dezenas de outras – que transformam “Colegas”, também, em uma homenagem ao cinema.

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O tom leve e divertido faz com que a mensagem de Galvão seja muito mais eficaz do que se ele tivesse incluído lições óbvias no roteiro. A decisão de escalar atores com síndrome de Down e não tratá-los como tal, dando a eles a chance de atuar em todo tipo de cena (inclusive de sexo), basta para defender sua tese: a de que os downianos são pessoas normais e, portanto, não há sentido em marginalizá-los. Colabora, e muito, o carisma inegável dos três atores, que precisam de pouco tempo em cena para conquistar a simpatia do público.

A quebra de paradigma é mais interessante do que o filme em si, que tem como base um roteiro previsível no qual muitas cenas cômicas acabam desvelando para o pastelão e o caricato (a piada com o sensacionalismo da mídia, por exemplo, é tão engraçada quanto exagerada). De certa forma, essa parece ter sido a intenção do diretor, que considera "Colegas" uma “comédia infanto-juvenil”. Julgada como tal, atende totalmente às expectativas.

Assista ao trailer:

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