"A Pixar parece um clube", diz animadora Nancy Kato

Integrante do estúdio desde 2000, brasileira fala ao iG sobre seu trabalho no estúdio e comenta o lançamento "Valente"

Guss de Lucca iG São Paulo |

Em passagem pelo País, a animadora brasileira Nancy Kato, integrante da Pixar desde 2000, conversou com o iG . Além de falar sobre o novo filme do estúdio, o épico "Valente", que estreia no Brasil no próximo dia 20, ela contou detalhes sobre seu trabalho na Pixar, onde participou de filmes como "Monstros SA", "Procurando Nemo", "Os Incríveis" e "Up - Altas Aventuras".

iG: Dizem que a Pixar é o lugar mais divertido do mundo para se trabalhar. Você confirma isso?
Nancy Kato: Confirmo. Temos exibições de filmes, palestras de diretores, aulas de ioga, piscina... Mas temos tanto trabalho que às vezes não dá tempo de aproveitar nada. Falamos que é um clube, tem até massagista.

iG: Qual é o seu trabalho dentro do processo de animação?
Nancy Kato: Minha parte é cuidar da atuação do personagem, dar vida ao personagem. Quando recebi a Merida, de "Valente", ela estava em uma posição neutra. Minha responsabilidade é dar vida a ela.

iG: O modo como os atores falam ou se movem influencia a animação dos personagens?
Nancy Kato: Com certeza. Como a voz é gravada antes de a gente animar, assistimos às gravações dos atores. Aí depende do ator. Se ele for muito expressivo, usamos alguma coisa como referência para a animação.

Divulgação
"Animar personagens humanos é um desafio", diz a animadora da Pixar Nancy Kato

iG: Você pode citar um caso em que isso ocorreu?
Nancy Kato: Por exemplo, em "Valente" animei a Rainha Elinor, que foi dublada pela Emma Thompson, e ela é uma atriz maravilhosa. Existem caretas que a personagem faz quando fala com os filhos durante a refeição, dando bronca neles, que tirei da Emma Thompson.

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iG: Para criar a interpretação dos personagens animados vocês fazem outros estudos, além do que é tirado do trabalho dos atores?
Nancy Kato: Agora estou trabalhando no "Universidade Monstros" [sequência de "Monstros SA", de 2001], estou fazendo um personagem com seis anos de idade. Então observo filmes de crianças, filhos de amigos, olho muita coisa no YouTube.

Além disso, sempre peço ao meu marido para fazer algumas coisas. Tem uma cena em "Valente" que a rainha caminha com uma saia muito longa. Eu levei uma saia para casa e pedi que meu marido me filmasse andando com ela. Aí ele começou a dar opinião e acabei invertendo os papéis. Fiz ele vestir a saia e usei como referência (risos).

iG: Você acha que "Valente" é o filme da Pixar que recebeu mais influência da Disney?
Nancy Kato: Nunca pensei nisso. Não acho que é tão Disney. Não tem aquela coisa do príncipe encantado, por exemplo. A personagem não é aquela princesa tradicional, ela é mais aventureira.

Leia também: Com 'Valente', Pixar apresenta a primeira princesa de sua filmografia

iG: Qual foi o seu maior desafio em mais de dez anos na Pixar?
Nancy Kato:
O "Valente" foi uma das coisas mais difíceis. Ele é muito sutil, mais realista. Animar um monstro ou um brinquedo é mais simples, mas quando se anima um humano, as pessoas reconhecem melhor os detalhes. É um desafio você fazer parecer real e ainda assim continuar sendo uma animação.

iG: Qual filme da Pixar é o seu preferido?
Nancy Kato: "Procurando Nemo" é um dos meus favoritos. Gostei muito de animar a Dory, me inspirava muito, pois me identificava com ela. Em termos de animação, é um trabalho mais simples. O peixe só flutua, não tem braços, pernas... Você pode se concentrar mais na interpretação.

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iG: O que você pode adiantar sobre "Universidade Monstros"?
Nancy Kato: É um filme mais leve, bem diferente do "Valente". Faz a linha mais divertida, engraçada.

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