A produtora falou sobre seu novo projeto, “Flores Raras”, e a saúde do filho, que está em estado semiconsciente há dois anos, durante coletiva no Cine Ceará 2012

Lucy Barreto durante coletiva do Cine Ceará 2012
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Lucy Barreto durante coletiva do Cine Ceará 2012
Prestes a começar as filmagens de “Flores Raras”, longa que conta a história de amor baseado em fatos reais entre a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop e a arquiteta brasileira Lota Macedo Soares, que têm início no dia 15 de junho, Lucy Barreto conversou com a imprensa durante coletiva no Cine Ceará 2012, evento em que foi uma das homenageadas.

Ao longo da coletiva, na manhã desta segunda-feira (4), Lucy teve a companhia do marido, Luiz Carlos Barreto, que acompanhou o bate-papo da plateia. Durante a conversa com a imprensa, a produtora falou sobre o estado de saúde do filho, Fábio Barreto, que está há dois anos em estado de semiconsciência, desde que sofreu um acidente de carro em 2009.

“Costumo dizer que o Fábio está chegando para nós. É uma das minhas lutas. Agora, por exemplo, passei 15 dias nos Estados Unidos. Estava muito cansada, sou musicista, e fui para a temporada de óperas em Nova York. Outro motivo de ir também era para encontrar dois neurologistas especializados no coma prolongado, ou mínima consciência, que é o estado do Fábio”, contou Lucy, que atribui “aos céus” o fato do assistente de um desses médicos ser brasileiro e ter vindo ao Brasil para ver Fábio.

“ Eu tive muita sorte porque, tentando uma aproximação com o neurologista, depois de tentativas durante 10 dias, ele nos concedeu uma conference call, que pedi que fosse comigo e com a Paula (Barreto, filha de Lucy). Ele estava em Boston. Para minha grande surpresa, ele disse que não poderia vir ao Brasil, porque eu pedi que ele viesse, mas disse que o primeiro assistente dele, que é um brasileiro, vinha ao Brasil em uma semana”, contou ela.

Durante a visita, segundo Lucy, o médico realizou um exame em Fábio e pediu dois novos exames. A partir desse primeiro contato, ele irá recomendar um novo tratamento para o cineasta. “Isso foi uma coisa maravilhosa. Então estou com muita esperança. Eu me alonguei um pouco, mas é porque esse acontecimento para mim foi extraordinário. Então o Luiz Carlos, eu e minha família estamos só cada vez mais esperançosos”, afirmou.

Sobre o longa, dirigido por Bruno Barreto, ela negou que fosse um projeto de Fábio. “Eu ofereci ao Fábio, mas ele negou porque disse que não via um filme nisso. Mas o mesmo aconteceu quando ofereci o projeto para o Bruno no final dos anos 90 e início de 2000. Também ofereci para o Hector Babenco que disse a mesma coisa”, contou ela, que atribui o fato do longa finalmente estar sendo produzido a uma necessidade de um “tempo cinematográfico”.

“O tempo cinematográfico é bem vindo. Enquanto ele passa você vai sonhando, vai amadurecendo essa história, vai se transformando e se enriquecendo”, ponderou.
Lucy afirmou que teve dificuldade em conseguir patrocínio , pois as empresas particulares que procurou temiam vincular a própria imagem a um filme que aborda o homossexualismo.

“O que me cativou nesse projeto foi a possibilidade de convivência e afeto entre duas culturas muito diferentes. Que neste filme estão representadas por duas mulheres. Eu não sabia que havia esse preconceito tão grande. E esse preconceito me foi exposto de uma maneira muito clara”, afirmou Lucy, que produz o filme junto com a filha, Paula Barreto.

“Nas empresas nacionais a resposta ou era evasiva ou um ‘não podemos misturar a nossa imagem com esse tema’”, contou ela, que acabou conseguindo apoio da prefeitura e do governo do estado do Rio de Janeiro, além do BNDES, Globo Filmes, Telecine e Imagem Filmes.

Lucy Barreto recebe prêmio, em homenagem no Cine Ceará 2012, das mãos de Betty Faria
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Lucy Barreto recebe prêmio, em homenagem no Cine Ceará 2012, das mãos de Betty Faria
O longa, que tem roteiro baseado no livro “Flores Raras e Banalíssimas” de Carmem Lucia de Oliveira, tem orçamento de 13 milhões, mas até agora somente 9 milhões foram captados. “Não posso nomear mais nenhuma empresa privada que esteja nos apoiando”, completou a produtora do filme, que terá Glória Pires como Lota Macedo Soares.

As filmagens seriam originalmente em Paris, mas por conta dos custos foram transferidas para Roma e Nova York. “Precisávamos de uma cidade ícone, que é onde vai se passar uma das cenas principais, o desfecho do relacionamento entre as duas. A cena acontece na Piazza Del Popolo. É quando Lota, no meio de uma discussão com Bishop, olha e vê a lua. Ela estava tão tomada pelo parque do Flamengo que diz: ‘Essa é a luz que quero para o parque’. Então ela trouxe aqueles postes que, como ela diz ‘traz o luar para o parque’”, contou Lucy, se referindo ao fato de Lota ter sido a responsável pelo projeto do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.


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