Documentário sobre o Tropicalismo defende caráter político do movimento

Em pré-estreia no Cine Ceará 2012, "Futuro do pretérito: Tropicalismo now!", de Ninho Moraes e Francisco César filho, ganha fôlego com apresentações musicais e recusa rótulo de alienação

Priscila Bessa, enviada a Fortaleza |

Divulgação
Cena de "Futuro do pretérito: Tropicalismo now!", que concorre na Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem do Cine Ceará 2012
Guitarra elétrica, intervenções estéticas, bossa nova, antropofagia, poesias desconexas. Nos 76 minutos de “Futuro do pretérito: Tropicalismo Now!”, documentário de Ninho Moraes e Francisco Cesar Filho, que teve sua pré-estreia na noite deste sábado (2), durante a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem do Cine Ceará 2012, o que se vê é uma celebração de um dos movimentos mais importantes dos anos 60.

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O filme se propõe a estabelecer um olhar do século 21 para o Tropicalismo e, para isso, traz um mix de entrevistas, shows, intervenções artísticas e atores em pequenos esquetes criando uma interseção dos contextos social e artístico de 1967-68-69 com o atual.

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Como parte da “geleia geral” criada por Moraes e Cesar Filho, depoimentos de Gilberto Gil , José Miguel Wisnik, Laymert Garcia dos Santos, Cláudio Prado, Celso Favaretto e Marcelo Ridenti são intercalados com apresentações musicais comandadas por André Abujamra.
O “show’, com participações de Luiz Caldas, Alexandre Nero , Suzana Salles e Madalena Soares, entre outros artistas, foi gravado exclusivamente para o documentário, ao vivo, no Teatro Oficina de São Paulo.

A iniciativa musical dos diretores torna o filme vibrante dando aos espectadores a sensação de que assistir a película constitui mais uma forma de interação além da visual, como se as apresentações musicais realizassem uma intervenção no documentário propriamente dito, envolvendo quem o assiste.

Sob o aspecto ideológico, a dupla de diretores parece tirar a culpa do prazer criativo ressaltando o caráter político do movimento tropicalista, sempre diminuído pela intelectualidade de sua época que rotulava seus representantes como alienados. Nesse contexto, os fatos de Gilberto Gil ter sido ministro da Cultura e Dilma Rousseff ser presidenta do país são citados.

“O Tropicalismo retorna de tempos em tempos, geralmente quando há uma sensação de conformismo”, pontua Cláudio Prado, produtor cultural e teórico da contracultura e da cultura digital, em um certo momento.

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Ironias, paródias e humor, características do Tropicalismo, também intercalam a série de depoimentos. “Como dizia o Millôr, se o homem das cavernas soubesse no que isso ia dar, nem tinha saído de lá”, cita a atriz Helena Albergaria. Além de Helena, a produção conta com a participação dos atores Gero Camilo, Carlos Meceni e Alice Braga , filha de Ninho Moraes.

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