Diretor define documentário sobre Tropicalismo como “experiência sensorial”

Ninho Moraes conversou com a imprensa durante coletiva sobre “Futuro do pretérito: Tropicalismo Now!”, no Cine Ceará 2012

Priscila Bessa, enviada a Fortaleza |

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O diretor Ninho Moraes conversou com a imprensa em coletiva sobre "Futuro do pretérito: Tropicalismo Now!"
O diretor Ninho Moraes, a produtora Lili Bandeira, o diretor de fotografia Lucas Barreto e o produtor musical André Abujamra conversaram com a imprensa durante coletiva organizada na manhã deste domingo (3), sobre o documentário “Futuro do pretérito: Tropicalismo now!”, filme que faz parte da Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem do Cine Ceará 2012.

Moraes fez questão de esclarecer que o projeto nunca se propôs a ser um documentário convencional de resgate de material de arquivo. “É uma experiência sensorial, não é um filme no estilo clássico”, definiu ele.

Leia mais: Documentário sobre o Tropicalismo defende caráter político do movimento

Segundo o diretor, esse papel ficou para o filme “Tropicália”, de Marcelo Machado, que também está sendo lançado. “Acho isso muito bom porque ele (“Tropicália”) é o lado A e nós somos o lado B desse long play. Ele tem uma riqueza muito grande de materiais e nós tínhamos que fazer uma outra versão. A primeira ideia foi dar uma olhada do século 21 para esse movimento, sem analisar ou julgar se era bom ou ruim”, afirmou Moraes, que optou por dividir o documentário em faixas.

Como plano central está o show realizado no Teatro Oficina de São Paulo, comandado por André Abujamra. “Escolhemos músicas que não fossem muito caricatas do Tropicalismo, algumas quase desconhecidas, como ‘Cultura e civilização’. O André teve toda a liberdade de escolher os intérpretes”, disse o diretor, se referindo aos artistas escolhidos, entre eles Luiz Caldas e Alexandre Nero.

"Muita gente nem sabe que o Alexandre Nero antes de ser ator é músico de primeira qualidade. Tem uma banda e toca há mais de 15 anos. Assim como não sabem que o Luiz Caldas é um dos melhores guitarristas e aclamado pela mídia especializada de heavy metal", disse Abujamra.

A segunda faixa, de acordo com Moraes, foram os meninos do Projeto Guri, de São Paulo, que apresentaram duas músicas emblemáticas: um coral cantou “Hino ao Senhor do Bonfim” e uma orquestra tocou “Tropicália”.

A terceira faixa é composta pelos atores escolhidos, entre eles Alice Braga, filha do diretor. “A nossa ideia era não entrevistar ninguém do movimento. Para evitar fofoca usamos os atores com uma conversa com os textos de Torquato Neto, Caetano Veloso e Nelson Motta”, explicou ele.

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Para finalizar, uma sequência de depoimentos com pensadores como José Miguel Wisnik, Laymert Garcia dos Santos e Cláudio Prado. “Teve um momento muito forte do Gilberto Gil, não do Gilberto Gil contando histórias do Tropicalismo, mas quase como ministro da Cultura (na ocasião Gil já não era mais ministro)”, disse Moraes.

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Cena de "Futuro do pretérito: Tropicalismo now!", que concorre na Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem do Cine Ceará 2012
O diretor foi questionado sobre a posição do documentário com relação a polêmica levantada pelo crítico Roberto Schwarz, no jornal Folha de São Paulo, em cima do livro “Verdade Tropical”, de Caetano Veloso – Schwartz coloca que o Tropicalismo poderia ter aberto uma porta para a massificação da cultura e, por tanto, uma mediocrização da mesma.

“Roberto é um grande pensador da USP que há muito anos polemiza com Caetano. É quase, um dá um tiro daqui, o outro dá um tiro dalí. Para a gente era muito difícil tratar isso a fundo. Acho que não é um papel do filme dizer se sim ou não. Vamos até o nosso limite que é levantar essa questão. O que é interessante é despertar a curiosidade sobre o movimento”, explicou Moraes.

Lucas Barreto falou sobre os desafios da fotografia do filme. “Desde o começo tínhamos essa proposta de fazer os shows, as entrevistas, um mix disso tudo. E o compromisso era fazer todos esses elementos funcionarem de forma harmoniosa”, disse ele.

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