Michelle Williams se transforma em "Sete Dias com Marilyn"

Atriz mimetiza diva hollywoodiana em filme sobre temporada de filmagem na Inglaterra

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

A morte de Marilyn Monroe vai completar 40 anos em agosto, e nem assim o brilho da estrela está perto de se apagar, pelo contrário: a lenda em torno da atriz só se fortalece. Por mais que o tempo tenha passado, o cinema nunca deu muita atenção para a trajetória peculiar de Norma Jeane, seu nome verdadeiro – só um punhado de filmes fracos feitos para a TV. Enquanto não aparece uma cinebiografia definitiva, "Sete Dias com Marilyn", que estreia nesta sexta-feira (27) depois de disputar duas estatuetas no Oscar 2012, ajuda a jogar luz sobre o mito.

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A atriz Michelle Williams como Marilyn Monroe em "Sete Dias com Marilyn"
O filme abrange um recorte específico na vida de Monroe, em 1956, durante as filmagens de "O Príncipe Encantado" nos arredores de Londres. Já conhecidíssima depois de "Os Homens Preferem as Loiras", "O Pecado Mora ao Lado" e "Nunca Fui Santa", a atriz, recém-casada com o dramaturgo Arthur Miller, foi à Inglaterra a convite de Laurence Olivier, famoso intérprete das peças de Shakespeare.

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Em seu primeiro trabalho como diretor fora da obra do bardo, Olivier era um grande ator querendo se tornar uma estrela de cinema. Marilyn, por sua vez, era uma estrela querendo se tornar uma grande atriz. Eles pouco sabiam que o filme não ajudaria nenhum dos dois.

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Williams tenta reproduzir pose da estrela
Quem conta a história é Colin Clark (Eddie Redmayne, do assustador "Pecados Inocentes"), na época um jovem aristocrata em busca de independência, em seu primeiro trabalho no cinema. Oficialmente, Clark era terceiro assistente de direção, mas na verdade encarnava um faz-tudo no set, inclusive tomando conta de Marilyn. Os dois acabariam envolvidos num breve romance, que inspirou o livro de memórias "Minha Semana com Marilyn".

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A aventura do rapaz é o ponto de partida, mas o roteiro quer mesmo é explicar para o espectador desavisado pelo que passavam todas aquelas pessoas. Ao mesmo tempo em que nutria uma queda por Marilyn, Olivier (interpretado brilhantemente por Kenneth Branagh) não tinha a menor paciência para os constantes erros da diva nas gravações e seus longos atrasos.

Mas ele também a admirava, e não conseguia evitar de compará-la com sua mulher, a também atriz Vivien Leigh (Julia Ormond). Esses conflitos interiores, desse e de outros personagens, são evidenciados sempre por monólogos ou diálogos que, embora instrutivos, não colaboram em nada para o drama.

E que drama, e ele tinha uma rainha. Vinda de dois casamentos fracassados, Marilyn vivia em frangalhos, à base de comprimidos. Absolutamente insegura, ia com os lábios trêmulos para o set e não se achava boa atriz, por isso contava sempre com uma professora de teatro a tiracolo (Paula Strasberg, papel de Zoë Wanamaker). Criada por pais adotivos, nutria uma carência endêmica por atenção e reconhecimento. Além disso, se sentia frustrada por não sustentar na intimidade a aura de "bombshell" que ostentava nas telas. Não era, sem dúvida, uma pessoa fácil.

Aí entra Michelle Williams. À primeira vista, a atriz não lembra muito Monroe, mas não demora para se perceber que ela conseguiu mimetizá-la perfeitamente. Williams compreendeu o misto de fragilidade, dependência e magnetismo que Marilyn exercia sobre as pessoas.

Uma cena no Castelo de Windsor é exemplar: passeando com Clark pelos corredores medievais, a estrela dá de cara com a equipe de funcionários da rainha. Em voz alta, ela se pergunta: "devo interpretá-la?". Pronto: em instantes, ela troca o ar indefeso por um olhar penetrante, se encosta lânguida na parede, põe o dedo na boca e manda beijos para a plateia. Impressionante.

Esse trabalho poderoso segura "Sete Dias com Marilyn" do início ao fim, apesar de o filme terminar deixando latente uma certa frustração. Talvez o livro de Clark fosse mesmo um relato inocente de deslumbre e amadurecimento, mas o potencial dramático dessa história, o fragmento de uma tragédia anunciada, era tão grande que se esperava mais.

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