"Monga" renasce em peça em São Paulo

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Dramática história da mulher-macaco ganha versão teatral; saiba mais sobre a origem da atração

Andrea Iseki
Maria Carolina Dressler na peça "Monga"

O fascínio da Monga, lenda da moça aprisionada que se transforma em um macaco enfurecido, é tão grande que inspirou a atriz Maria Carolina Dressler a montar uma peça a respeito. 

O espetáculo "Monga" estreia nesta quarta-feira (6) no Sesc Santo André (SP). A direção é de Juliana Sanches (Grupo XIX de Teatro) e tem a colaboração de Pietro Floridia, do Teatro Dell’Argine, de Bologna, na dramaturgia.

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"Quis resgatar o sonho de infância, o medo, o fascínio e o universo circense. Comecei a pesquisar pela história da mexicana Julia Pastrana (leia sobre ela abaixo) e nos filmes do italiano Marco Ferreri", conta ao iG a atriz que protagoniza o drama da lendária macaca.

Maria Carolina Dressler na peça "Monga". Foto: Andrea IsekiMaria Carolina Dressler na peça "Monga". Foto: Adriana BalsanelliMaria Carolina Dressler na peça "Monga". Foto: Adriana BalsanelliCenas de "A Mulher-Macaco", de Marco Ferreri. Foto: Reprodução/DivulgaçãoCenas de "A Mulher-Macaco", de Marco Ferreri. Foto: Reprodução/DivulgaçãoCenas de "A Mulher-Macaco", de Marco Ferreri. Foto: Reprodução/Divulgação

"Monga" conta a trajetória de isolamento e exploração de uma mulher que sofre uma transformação física e vira um macaco. Para a metamorfose da protagonista são usados recursos audiovisuais, teatro de sombras além de narrações.

"Procurei fazer o mais próximo da primeira Monga que conheci, a clássica atração do Playcenter", conta a atriz, que vê ainda uma relação entre a atração circense e as polêmicas sobre a atuação da mulher na sociedade atual. "Não tem como não fazer um paralelo com a mulher explorada."

No cinema

A inspiração no universo do cineasta italiano Marco Ferreri também foi fundamental. O diretor de Milão trabalhou a mesma temática em "A Mulher-Macaco", filme de 1964. "Ferreri questiona o casamento, a obrigatoriedade de procriar. Ele sempre coloca a mulher como portadora da transformação."

O pioneiro da Monga no Brasil

Divulgação
Romeu Del Duque, o "Pai da Monga", e a atriz Maria Carolina Dressler

Em 1967, "depois de aprender todos os segredos com um tio já falecido", Romeu Del Duque colocou em prática o mistério da Monga, nome que afirma ter sido sua criação. "Eu chamava apenas de mulher-macaco e comecei a procurar um nome. Então surgiu a palavra Monga, do nada", conta ao iG.

Quem frequentou o parque de diversões do Playcenter, em São Paulo (fechado em julho de 2012), entre os anos de 1974 e 1986, foi assustado por Romeu em sua versão mais primata. "Quando meu tio me passou o segredo (do jogo de espelhos), eu não imaginava que poderia ganharia a vida com isso". Atualmente, Romeu é dono do parque de diversões que fica no CTN, Centro de Tradições Nordestinas, na zona norte da capital paulista.

Desde 1967, o empresário é conhecido mesmo por ser o "Pai da Monga" e seu trabalho serviu de inspiração para a atriz Maria Carolina Dressler, que disse ter visto Romeu interpretar a Monga em fúria nos anos 1980.

Mulher-gorila emociona e assombra

Divulgação
Monga, atração do Beto Carrero World

O número da Monga é uma das atrações praticamente obrigatórias em circos e parques do Brasil. Segundo o departamento de shows do Beto Carrero World, em Santa Catarina, a performance da mulher-gorila ainda "emociona e assombra os visitantes".

"Muitos ficam bastante assustados, e não são apenas as crianças. Tem quem pergunte o que o macaco come, onde dorme e se já tirou a vida de alguém lá dentro”, conta Patrícia Millarch, produtora do show.

Em Belo Horizonte, no parque Guanabara, a atração conta com uma sala de projeção de um filme sobre a história da macaca e um "laboratório", onde o público assiste à transformação da Monga e leva o esperado susto. De acordo com a assessoria do Guanabara, desde 2007 a atração já soma mais de 200 mil visitantes.

O mito da mulher-macaco

Reprodução
Corpo de Julia Pastrani embalsamado

A temida lenda da mulher-macaco, mulher-gorila ou Monga, nomes pelos quais é conhecida, é uma das atrações mais populares nos circos e parques de diversões do Brasil. O número também tem presença forte no Estados Unidos.

A mexicana Julia Patrana, nascida em 1834, foi a inspiração mais provável para o mito da mulher que se transforma em gorila. Julia sofria de hipertricose grave e tinha a pele coberta por pelos grossos e escuros, inclusive no rosto. Seus traços somados aos pelos fartos deixavam sua imagem semelhante a animais como ursos e macacos.

A moça foi "descoberta" por Theodor Lent, um comerciante norte-americano que a teria comprado da mãe para exibi-la em espetáculos circenses. Inicialmente, Julia era mostrada no número "A Incrível Híbrida ou Mulher-Urso", no qual também cantava e dançava.

Sua biografia é bem mais triste do que a misteriosa mulher-macaco atual. Em 1860, Julia deu à luz um bebê com hipertricose, que morreu após o parto e era fruto do casamento com o empresário Theodor. A artista morreu poucos dias depois e o marido pediu para que mumificassem os dois corpos. Com os cadáveres expostos em uma vitrine, continuou com os shows até sua morte, em 1880.

Desaparecidos por alguns anos e recuperados na Noruega, os corpos de Julia Patrani e de seu filho obtiveram autorização para serem repatriados ao México, onde foram enterrados somente em fevereiro de 2013, após 153 anos da mumificação.

"Monga"
Sesc Santo André (r. Tamarutaca, 302, Vila Guiomar, Santo André, São Paulo)
Temporada: 6/11 a 11/12, sempre às quartas-feiras, às 21 horas (exceto 20/11)
Ingressos: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e R$ 2 (comerciário)

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