Secas moderadas derrubaram a civilização maia

Pesquisadores dizem que secas semelhantes às atuais foram suficientes para acabar com a cultura que dominou a América Central

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Science/AAAS
Templo Tikal, na Guatemala, um dos mais significativos da cultura maia
A grande e catastrófica seca que teria derrubado a civilização maia em 950 a.C., foi na verdade uma sequência de oito secas moderadas, bem semelhantes com as que acometem atualmente o planeta. De acordo com um grupo internacional de pesquisadores, que pela primeira vez conseguiu quantificar a consequência da falta de chuvas há mil anos, e ao contrário do que se acreditava, as secas foram modestas, mas suficientes o bastante para desencadear eventos sociopolíticos que levaram os maias ao colapso.

Por anos, cientistas suspeitaram que o lento declínio da cultura maia, que dominou o Méxido e a América Central, estava relacionado com secas. Mas até agora, ninguém havia medido a chuva desse período de decadência, que durou 200 anos. De acordo com os cálculos do estudo, que combinou registro das mudanças climáticas em estalagmites com registros fósseis em lagos e modelos hidrológicos, as secas foram provocadas por uma redução de 25% a 40% das precipitações no verão.

“Nosso estudo sugere que o sistema de armazenamento de água ou lagos foi reduzido para 30% de sua capacidade durante cada uma destas secas. Se considerarmos que a civilização maia morava uma região com poucas chuvas – a evaporação na região é duas vezes maior que as chuvas – fica fácil perceber as fortes implicações destas reduções para a agricultura e consumo humano”, disse ao iG Martín Medina-Elizalde do Centro de Pesquisa Científica de Yucatán, no México.

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Medina-Elizalde lembra que há poucos rios na Península de Yucatán, e a maioria da água doce está no lençol freático. “A população maia não tinha sistema de bombeamento de água. Eles confiavam plenamente nas chuvas de verão para abastecer a agricultura e o uso doméstico de água, mas com as secas, um terço da população ficou sem água”, disse.

Os pesquisadores também perceberam que as secas que ocorreram durante o período da queda do império maia têm intensidade muito parecida com aquelas projetadas para a região de Yucatán e América Central, pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, o IPCC. “O alerta está claro. Precisamos nos beneficiar de todo o conhecimento que temos e que a antiga civilização maia não tinha. Precisamos desenvolver instituições sociopolíticas honestas e eficientes para lidar com a crise climática, se não quisermos experimentar consequências que a população maia enfrentou há mil anos”, disse.

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