Porque as baleias encalham

Marés, desorientação e comportamento social levam os grandes mamíferos marinhos à terra

Natasha Madov, iG São Paulo |

AFP
Grupo de baleias piloto encalhadas em Karikari, Nova Zelândia: desorientação do líder
A notícia de que um grupo de baleias piloto tinha encalhado em uma praia da Nova Zelândia chamou a atenção pelos números: 73 animais, dos quais 58 já morreram. A tragédia, que mobilizou muitos voluntários, traz a pergunta: o que faz uma baleia encalhar, sozinha ou em grupo?

Existem vários motivos para uma baleia encalhar, segundo o veterinário Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte. Na maior parte dos casos (cerca de 80%), o animal morre no mar, relativamente perto da praia, e a corrente marítima se encarrega de levar seu corpo à areia.

Se ele chega à terra vivo, a questão é mais complicada. “A baleia pode estar doente e ter se deixado levar pela corrente, ou ter sido presa por uma rede de pesca, atropelada por uma embarcação. O animal pode ainda estar com algum problema auditivo ou neurológico que prejudique seu sistema de orientação,” explica Marcondes. “Quando um filhote se separa da mãe, e encalha na praia, a situação é mais dramática, porque ele não tem como sobreviver sem ela,” diz.

Encalhes em massa
Quando dois ou mais animais (sem ser mãe e filhote) encalham juntos, acontece o chamado encalhe em massa, como o da Nova Zelândia. Eles só ocorrem em espécies que vivem em bando, como golfinhos e baleias piloto.

Nesses casos, o animal líder se desorienta ou fica doente e leva todo o grupo com ele. “Antigamente, quando não se sabia que havia esse líder, dizia-se que a baleia ‘cometia suicídio’ – o animal era levado ao alto mar e acabava voltando à praia. Hoje se sabe que elas voltam chamadas por ele,” conta Marcondes. E é difícil descobrir qual baleia lidera o grupo e o que está errado com ela.

Alguns lugares são mais propícios ao encalhe que outros. Litorais muito recortados, como o de Cape Cod, nos Estados Unidos, e praias com declives suaves tendem a confundir as baleias, cujo sonar não identifica onde o mar começa a ficar raso demais.

Uma hipótese controversa tenta explicar a freqüência de encalhes em lugares como a Nova Zelândia. Ela diz que os cetáceos se orientam pelo campo magnético terrestre, e onde suas linhas convergem e sofrem distorções, as baleias se confundem mais facilmente. As praias neozelandesas seriam um destes lugares.

No Brasil
Nesta segunda-feira (23), o Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíferos Aquáticos do governo federal reunirá mais de 30 instituições para formar uma Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos da Região Sudeste para trocar informações sobre encalhes de baleias e golfinhos na costa dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Ela vai se unir a redes semelhantes no Sul e Nordeste, e os pesquisadores esperam em breve formar uma rede nacional, que poderá centralizar as informações de encalhes em todo o país e padronizar o atendimento aos animais encalhados.

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