Partes do satélite de 5,6 toneladas caem na Terra

Nasa confirmou que restos do satélite UARS, que reentrou a atmosfera na madrugada de sábado, caíram no Pacífico Sul

iG São Paulo |

A agência espacial americana confirmou na tarde desta terça-feira (27) que os pedaços do Satélite de Pesquisa da Alta Atmosfera (UARS, na sigla em inglês), que entrou na atmosfera entre 0h23 e 2h09 (horário de Brasília) no sábado, caíram no sul do Pacífico, na região das ilhas de Samoa Americana, na Polinésia. A Nasa calculou que os cerca de 12 pedaços do satélite caíram na costa da ilha Christmas, pertencente à Austrália.

Deste modo, segundo a Nasa, não procedem os relatos de que partes do satélite teriam caído na cidade de Okotoks, no oeste do Canadá. Também não há registros de danos ou vítimas causadas pela queda do UARS.

Nasa
Ilustração conceitual do UARS: satélite desativado vai se quebrar em vários pedaços na reentrada

A probabilidade de algum dos restos do UARS atingir uma pessoa era de uma em 3.200, segundo a Nasa. Para comparação, estima-se que o risco de uma pessoa que viva até os 80 anos ser atingida por um raio é de 1 em 10 mil. O aparelho pesa 5,675 toneladas e tem o tamanho de um ônibus.

A previsão inicial era que o satélite cairia no final de setembro ou no início de outubro, mas sua queda foi antecipada pelo forte aumento da atividade solar na semana passada. Mas os ventos solares diminuiram nas últimas horas, o que desacelerou a queda do UARS.

Os cientistas da Nasa calculavam que o satélite ia se despedaçar ao entrar na atmosfera e que pelo menos 26 grandes peças sobreviveriam às altas temperaturas do reingresso.

O satélite voava sobre boa parte do planeta, entre 57 graus a norte e 57 graus ao sul da linha do Equador.  Ele foi colocado em órbita pelo ônibus espacial Discovery em 1991 para estudar o ozônio e outros componentes químicos na atmosfera da Terra. Ele completou sua missão em 2005 e vem, desde então, lentamente perdendo altitude, puxado pela gravidade. Veja mais no vídeo:


Caso não consiga ver o vídeo, clique para assistir na TV iG: Pedaços de satélite podem cair sobre a Terra

Evento corriqueiro

Segundo Jonathan McDowell, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, pedaços de foguetes e satélites voltam à Terra todos os anos, sem nenhum dano. Ele lembrou que só este ano dois grandes pedaços de foguetes russos já caíram na Terra, sem grandes repercussões. As chances dele atingir alguém são muito pequenas. Eu não me preocuparia," disse à AP. Não há registros de pedaços de lixo espacial machucando pessoas ou danificando propriedades.

Em 1991, quando o UARS foi lançado, a Nasa não se preocupava ainda com o destino de satélites quando estes fossem desativados. Atualmente, todo equipamento espacial é projetado ou para se queimar completamente na reentrada atmosférica ou para ter combustível suficiente para ser manobrado com segurança  de volta à Terra ou ao espaço sideral. Isso inclui a Estação Espacial Internacional, que deve ser desativada por volta de 2020.

Mesmo a antiga estação russa Mir caiu no Pacífico com segurança, em 2001. Mas sua predecessora, a Salyut 7, caiu sem controle em 1991. O último retorno de satélite sem nenhum tipo de manobra da Nasa foi em 2002.

O caso mais famoso de queda sem controle foi da estação experimental Skylab em 1979, da Nasa, que gerou milhares de apostas sobre onde ela iria cair, para no fim despencar no Oceano Índico e em partes remotas da Austrália.

Com AP, AFP e EFE

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