Novas funções do hormônio do amor

Cientistas holandeses demonstram que a oxitocina também pode ter um papel na defesa do grupo e no comportamento solidário

Thiago André, especial para o iG |

Getty Images
A oxitocina, hormônio presente no parto, também está ligada ao sentimento de defesa do grupo e empatia com os outros
Um novo estudo publicado na revista Science acaba de demonstrar mais uma possível função da oxitocina, hormônio produzido pelo cérebro que induz as contrações do músculo uterino durante o parto e estimula a secreção de leite. Responsável pelo vínculo social entre os indivíduos e também pela sensação de prazer durante a maternidade, sendo por isso considerado o “hormônio do amor”, o trabalho mostra que a oxitocina também pode ter um papel importante no comportamento heróico ou solidário entre as pessoas.

Conduzido por pesquisadores do Departamento de Psicologia das Universidades de Amsterdam e de Leiden, ambas na Holanda, o estudo sugere que regiões específicas dos cérebros de mães e de soldados podem ser muito semelhantes do ponto de vista químico, favorecendo um comportamento social que os cientistas estão chamando de "altruísmo paroquial", ou a necessidade de o indivíduo agir em benefício de um grupo em detrimento de seu bem estar pessoal.

Nos experimentos realizados em três ocasiões distintas com cerca de 200 voluntários, os pesquisadores compararam as escolhas de indivíduos que receberam doses de oxitocina com aqueles que não tiveram contato com o hormônio. Em seguida, foi apresentado aos voluntários um jogo em que eles tinham que tomar decisões confidenciais com consequências financeiras para si mesmos, seus companheiros de grupo e para os indivíduos concorrentes.

Defesa e cooperação
Em comparação ao grupo controle, os indivíduos que receberem doses de oxitocina demonstraram ter uma maior preocupação com o cuidado e com a defesa de seus companheiros, estimulando no grupo sentimentos de cooperação para a resolução dos conflitos. “Nossos resultados sugerem que a oxitocina desempenha um papel de defesa na condução do grupo”, escreve Carsten Dreu, um dos autores do artigo e professor da Universidade de Amsterdam.

“As pessoas que receberam o hormônio apresentaram mais confiança. Isso nos leva a entender que o comportamento caracterizado como ‘altruísmo paroquial’ pode ter suas raízes biológicas na oxitocina, devido à hipótese de que o hormônio modula o comportamento de pessoas que se organizam em grupos”, aponta.

A oxitocina é um peptídeo de nove aminoácidos produzido no hipotálamo e liberado na circulação sanguínea, chegando a afetar órgãos distantes de sua origem no cérebro. O estudo dos cientistas holandeses corrobora outros artigos publicados recentemente que também mostram a influência da oxitocina no comportamento humano, estar relacionada com a empatia e gentileza.

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