Modelos climáticos podem estar subestimando extinção de espécies

Perda de animais e plantas pode ser muito maior que previsto se levados em conta fatores como competição e dispersão das espécies

Alessandro Greco, especial para o iG |

Mark Urban, Photo
Derretimento de geleiras: Mark Urban, da Universidade de Connecticut, afirma que extinção de espécies por causa das mudanças climáticas pode estar subestimado
A perda da diversidade de animais e plantas devido a mudanças climáticas pode estar sendo subestimada. A conclusão é de um estudo de três pesquisadores americanos que foi publicado nesta terça-feira (3) no periódico científico Proceedings of the Royal Society B.

Utilizando um modelo matemático, Mark Urban, da Universidade de Connecticut, Josh Tewksbury e Kimberly Sheldon da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, avaliaram que as previsões atuais não estão levando em conta fatores importantes ao calcular a extinção das espécies. Entre os fatores desprezados estão o fato de animais competirem entre si, se alimentarem uns dos outros e terem níveis de adaptação diferentes às mudanças de clima. “Já esperávamos que a interação entre as espécies  afetasse de alguma forma a resposta ao modelo de clima, mas ficamos surpresos com o nível em que isto é verdade”, afirmou Urban ao iG .

O modelo criado pelos pesquisadores mostrou que a capacidade de sobrevivência das espécies está diretamente ligada a capacidade de dispersão que elas têm. “As extinções são mais comuns em espécies pouco aptas à dispersão, e também quando isto acontece mais lentamente do que com seus competidores. A razão é que espécies que se movimentam mais rápido passam por cima das espécies que estão à sua frente e rapidamente tomam seu habitat”, explicou Urban.

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Um exemplo disto é o aumento da temperatura que já está fazendo com que plantas e animais se mudem para locais mais altos e frios. No entanto, nem todas as espécies que necessitam migrar conseguem dispersar de modo rápido o suficiente. Muitas morrem antes mesmo de encontrar o novo habitat, ou encontram outras espécies que competem pelo mesmo espaço – para não falar daquelas que já viviam no local.

O próximo passo da pesquisa será fazer previsões mais específicas para diferentes ecossistemas. “Infelizmente ainda não conseguimos fazer uma previsão de valores de extinção. Nosso modelo é muito geral o que faz com que seja bom para testar a sensibilidade das previsões a diferentes premissas. O lado ruim é que o modelo não se aplica a nenhum sistema específico. Nossos resultados, porém, sugerem que os modelos climáticos que não levam em conta as diferenças de competição e dispersão entre as espécies podem estar subestimandoos riscos de extinção”, completou Urban.

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