Cinco orcas 'processam' parque aquático por escravidão

Organização de defesa dos direitos dos animais Peta entrou com ação em nome dos animais do SeaWorld

BBC Brasil |

selo

Getty Images
Peta afirma que as orcas Tilikum, Katina, Kasatka, Ulises e Corky são tratadas como escravas, porque vivem em tanques e são forçadas a fazer apresentações diárias
Cinco orcas foram nomeadas como autoras de um processo na Justiça americana que argumenta que elas têm os mesmos direitos de proteção contra a escravidão que humanos.

A organização de defesa dos direitos dos animais Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), três especialistas em mamíferos marinhos e dois ex-treinadores entraram com a ação contra o parque aquático SeaWorld.

Esta seria a primeira vez que um tribunal dos Estados Unidos discute se animais deveriam ter a mesma proteção constitucional que humanos.

Leia mais:
Orca Morgan deixa Holanda para viver em Tenerife, na Espanha
Orca nasce em cativeiro na Espanha
Orca que matou treinadora volta a show do Seaworld nesta quarta
Híbridos podem florescer onde seus pais temem pôr os pés

A equipe jurídica do SeaWorld classifica o caso como um desperdício de tempo e dinheiro.

"As orcas e outros animais não foram incluídos no 'Nós, o povo' quando a Constituição foi adotada", disse o advogado do parque Theodore Shaw, perante a corte.

Ele argumentou que, se o caso for bem-sucedido, pode haver consequências não só para outros parques marinhos e zoológicos, mas também para o uso de cães farejadores que ajudam a polícia a encontrar drogas e explosivos, por exemplo.


'Caso histórico'
A organização Peta diz que as orcas Tilikum, Katina, Kasatka, Ulises e Corky são tratadas como escravas, porque vivem em tanques e são forçadas a fazer apresentações diárias nos parques SeaWorld na Califórnia e na Flórida.

Segundo analistas, não é provável que os animais consigam a liberdade, mas os ativistas já se dizem satisfeitos com o fato de que o caso chegou aos tribunais.

A ação judicial menciona a 13ª emenda à Constituição americana, que aboliu a escravidão e a servidão involuntária no país.

"Pela primeira vez na história de nossa nação, um tribunal federal ouviu os argumentos sobre se seres vivos, que respiram e sentem, têm direitos ou podem ser escravizados simplesmente porque não nasceram humanos", disse Jeffrey Kerr, advogado que representa as cinco orcas.

"Escravidão não depende da espécie do escravo, assim como não depende de raça, gênero ou etnia. Coerção, degradação e submissão caracterizam escravidão, e essas orcas enfrentaram todos os três."

O juiz do caso, Jeffrey Miller, levantou dúvidas sobre o fato de os animais constarem como autores do processo e afirmou que sua decisão será anunciada em outra data, ainda não definida.

Esta não é a primeira vez que orcas do SeaWorld ganham as manchetes ao redor do mundo. Em fevereiro de 2010, Tilikum afogou sua treinadora diante de espectadores horrorizados no parque da Flórida. O mesmo animal foi relacionado a outras duas mortes.

As orcas também são conhecidas como baleias-assassinadas, apesar de não serem tecnicamente baleias, mas animais da família Delphinidae , a mesma que os golfinhos.

Veja outras ações do Peta:
Janet Jackson é pessoa menos amigável com animais, segundo PETA
ONG Peta vai lançar site pornô em defesa dos animais
Manifestantes protestam contra a caça de golfinhos no Japão
Biólogo acredita que falta pouco para criação de bife artificial
Defensores dos animais protestam contra uso de couro em sapatos nos EUA

    Leia tudo sobre: orcasanimaisdireito dos animais

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG