Cientistas propõem mercado de baleias

Artigo publicado no periódico científico Nature não foi bem recebido por ambientalistas

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

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Diante do aumento da caça de baleias no mundo, cientistas americanos propuseram uma solução polêmica: a criação de um mercado de baleias. De acordo com a proposta, publicada em artigo do periódico científico Nature, a saída para a matança das baleias seria instituir cotas de abate, que poderiam ser compradas e vendidas. Neste mercado, de acordo com os autores, seria possível reduzir a mortalidade sem precisar criar uma batalha entre conservacionistas e baleeiros.

“Propomos um caminho alternativo para este impasse: cotas que podem ser compradas e vendidas, criando um mercado que seja econômico, ecológico e socialmente viável para os baleeiros e conservacionistas”, escrevem os autores.

No artigo entitulado “Uma proposta de mercado para salvar as baleias”, os professores Christopher Costello and Steve Gaines de economia e ciência marinha da Universidade da Califórnia e a bióloga conservacionista Leah Gerber, da Universidade do Arizona propõem uma solução de mercado para reduzir a caça às baleias.

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De acordo com os pesquisadores, embora todos os esforços dos conservacionistas e da moratória criada em 1986, o número de baleias capturadas mais que dobrou desde o começo dos anos 1990. Hoje são cerca de 2 mil baleias abatidos todos os anos.

A ideia tem como base mercados de gases poluidores de ar, que monetiza os estragos da poluição e o investe em áreas de preservação, e também nas políticas de cotas individuais transferíveis que têm sido usadas para pescadores na Islândia, Nova Zelândia e Canadá. Neste sistema uma cota, tida como sustentável, de pesca é dividida entre pescadores nestes países.

Baleia a 85 mil dólares
Os autores afirmam no artigo que organizações ambientais, como Greenpeace, Sea Sheperd e WWF, gastam por ano cerca de 25 milhões de dólares no combate à caça de baleias. Os autores sugerem que este montante poderia ser usado para a compra de cotas. De acordo com o valor de mercado, e a proposta dos pesquisadores, baleias minke valeriam 13 mil dólares e baleias fin 85 mil dólares.

De acordo com a bióloga do Greenpeace, Leandra Gonçalves, a proposta apresentada no periódico científico não faz sentido nenhum. “Não faz sentido, não é este o papel das organizações ambientais. A biodiversidade precisa ser preservada, não pelo valor de mercado, mas pelo valor que ela tem na natureza”, disse.

De acordo com a proposta do mercado de baleias, conservacionistas poderiam ofertar cotas e baleeiros poderiam lucrar com elas. Os autores propõem um modelo onde, segundo eles, todos seriam recompensados. O número de baleias caçadas dependeria de quem possuísse o ‘título’. Se os baleeiros adquirissem todas as ações, seria caçado o número máximo de baleias previmente estipulado. Caso todas as ações fossem adquiridas pelos conservacionistas, todas as baleias seriam protegidas e os baleeiros seriam recompensados com o dinheiro das ações.

Ela rebate a precificação das baleias comparando duas atividades econômicas relacionadas aos animais. “Enquanto a caça das baleias gera 30 milhões de dólares por ano, o turismo de observação movimenta 2 bilhões de dólares ao ano. É nisso que se precisa pensar”.

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